terça-feira, 21 de julho de 2026

O que eles entendem por democracia

Nesta semana, o ditador da Nicarágua Daniel Ortega, que governa o país desde 2006 após eleições suspeitas, a última em 2021 praticamente sem oposição, desfez toda a aparência de democracia ao declarar a suspensão de novas eleições. 

Ortega e seus aliados, como o ex-presidente Nicolas Maduro, orgulham-se de se autodeclararem representantes de seus povos. Mas isso faz seus governos realmente serem deles?

Até os monumentos eregidos nas praças constatam o contrário. Na Nicarágua, o povo vive na miséria e não há esperança de melhoria. Eventuais obras planejadas no país visam mais atender os interesses da China, com quem Ortega estabelece relações fortes. Ele quer aumentar ainda mais os vínculos, ao banir a oposição acusada de ser "agente dos Estados Unidos" e até de "somozismo", ou seja, defender a ideologia vigente na tirânica e corrupta ditadura de Anastasio Somoza, que governou o país nos anos 1970, até ser deposto pelos guerrilheiros sandinistas liderados por Ortega. 

Daniel Ortega vê "somozismo" nos atos da oposição, que pressiona por democracia (Divulgação/AP2011)

Para os regimes influenciados pela doutrina de Fidel Castro e de Che Guevara, Ortega e Maduro seriam "democratas", mesmo com o Legislativo silenciado e o Judiciário cúmplice de suas medidas. Lula é acusado de estar mais próximo com esse modelo político. E a oposição continua a ser vista como inimiga do povo, mesmo que represente uma parte considerável dele, isto é, dos que estão insatisfeitos com os rumos de seus países. Isso é o velho viés ideológico, onde quem está do lado deles pode alegar qualquer coisa, mesmo quando, na verdade, oprime sua gente com medidas discricionárias, reprimindo as liberdades, os direitos individuais e coletivos, assim como o próprio conceito de Direito Natural como princípio inviolável. 

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