Queremos que o mundo seja justo e equilibrado, mas ele não foi feito para atender as vontades de cada um.
Lamentamos quando os fortes abusam e os fracos não conseguem se erguer. Por que os bons morrem cedo enquanto os maus sucumbem de velhice? Como aquele gato foi comer aquela ninhada de passarinhos? Por que uma civilização adiantada acabou enquanto impérios sanguinários progridem?
Dizem que o mundo é dos fortes ou dos astutos, mas isso não cobre toda a verdade. Porque muitas vezes o forte sente o peso dos anos e o astuto pode deixar de considerar um ou outro detalhe importante em suas maquinações, e ser punido ou vencido justamente por causa disso. Charles Darwin considerou isso ao proferir sua frase: "Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas sim o que melhor se adapta às mudanças". Mas, talvez, isso não seja abrangente o bastante quando se trata do destino humano, pois houve exceções, como os inexplicáveis casos de boa ou má sorte, ou quando as mudanças ocorrem de maneira muito rápida, dificultando as adaptações. Muitos apontam os casos da IA e dos fenômenos climáticos, que impõem desafios talvez difíceis demais para a imensa maioria de nós.
Queremos que a realidade se molde aos nossos desejos. Mas isso geralmente não acontece. Então é mais sensato fazer nossos desejos se moldarem à realidade. Não adianta bancar a torcida. É necessário ser o agente ativo deste jogo.
Isso lembra os resultados da Copa do Mundo. Ontem muitos torceram pela República Democrática do Congo ou para Senegal, que tiveram chance contra a Inglaterra e a Bélgica, respectivamente. Reclamam dos "países colonizadores", como se a questão fosse de justiça e não de futebol. E, em outro caso, lamentam hoje que a Croácia não tivesse vencido Portugal, pois para muitos ela teria jogado melhor. Em todos esses casos, os resultados foram determinados pelos jogadores e pelos árbitros (incluindo o VAR), nunca pelas torcidas.
E o mundo segue seu caminho.
N. do A.: Muito se fala de um conluio entre federações, grandes empresas e um poder obscuro, capaz de transformar cada um de nós em meras peças de um imenso tabuleiro. Mas isso é uma especulação.
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