Autor de obras inesquecíveis que retratam os costumes de um Brasil rural, longe dos centros urbanos, Benedito Ruy Barbosa deixa este mundo aos 95 anos.
Quando o Brasil parava para ver novelas da Globo, ou da saudosa Manchete, era ele o responsável. Foi autor de Meu Pedacinho de Chão, de 1971, Cabocla, em 1979, Sinhá Moça, de 1986, Pantanal, de 1990, Renascer, de 1993, O Rei do Gado, de 1996, e Terra Nostra, de 1999, para citar apenas os seus maiores sucessos. Eram trabalhos onde os cenários eram zonas afastadas de Minas Gerais, do Centro-Oeste, da Bahia, do interior paulista, em épocas distantes ou contemporâneas. Pantanal, aliás, foi o seu sucesso mais lembrado, quando o autor estava na Manchete, dando um trabalho enorme para a Globo. Naquele tempo, estavam mais interessados na Juma Marruá e nas paisagens do interior do Mato Grosso do Sul do que na "bailarina da coxa grossa" paulistana vivida pela Cláudia Raia. Quando voltou para a emissora dos Marinho, ele compensou toda aquela dor de cabeça.
Alguns remakes também foram bem sucedidos, sendo todos da Globo, como Meu Pedacinho de Chão, Cabocla e Sinhá Moça. Eram raros os insucessos, ou os trabalhos que todos querem esquecer, como Velho Chico, em 2016, quando houve a morte do ator Domingos Montagner (1962-2016) num trágico acidente, enquanto ele interpretava o personagem Santo, um dos protagonistas. O remake de Pantanal também não gerou a repercussão esperada, por ser uma obra muito particular, onde qualquer versão modernizada, mesmo a do autor, não fazia jus à original.
Benedito Ruy Barbosa foi o representante de uma época onde a Globo era soberana na televisão, e não havia internet, streaming, videojogos, celulares, ou qualquer outro meio alternativo para distrair a população.
| A Globo não terá outro autor como Benedito Ruy Barbosa (1931-2026) para se salvar da decadência (Simone Marinho/O Globo) |
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