terça-feira, 7 de julho de 2026

O mais brasileiro dos autores de novelas se foi

 Autor de obras inesquecíveis que retratam os costumes de um Brasil rural, longe dos centros urbanos, Benedito Ruy Barbosa deixa este mundo aos 95 anos. 

Quando o Brasil parava para ver novelas da Globo, ou da saudosa Manchete, era ele o responsável. Foi autor de Meu Pedacinho de Chão, de 1971, Cabocla, em 1979, Sinhá Moça, de 1986, Pantanal, de 1990, Renascer, de 1993, O Rei do Gado, de 1996, e Terra Nostra, de 1999, para citar apenas os seus maiores sucessos. Eram trabalhos onde os cenários eram zonas afastadas de Minas Gerais, do Centro-Oeste, da Bahia, do interior paulista, em épocas distantes ou contemporâneas. Pantanal, aliás, foi o seu sucesso mais lembrado, quando o autor estava na Manchete, dando um trabalho enorme para a Globo. Naquele tempo, estavam mais interessados na Juma Marruá e nas paisagens do interior do Mato Grosso do Sul do que na "bailarina da coxa grossa" paulistana vivida pela Cláudia Raia. Quando voltou para a emissora dos Marinho, ele compensou toda aquela dor de cabeça. 

Alguns remakes também foram bem sucedidos, sendo todos da Globo, como Meu Pedacinho de Chão, Cabocla Sinhá Moça. Eram raros os insucessos, ou os trabalhos que todos querem esquecer, como Velho Chico, em 2016, quando houve a morte do ator Domingos Montagner (1962-2016) num trágico acidente, enquanto ele interpretava o personagem Santo, um dos protagonistas. O remake de Pantanal também não gerou a repercussão esperada, por ser uma obra muito particular, onde qualquer versão modernizada, mesmo a do autor, não fazia jus à original. 

Benedito Ruy Barbosa foi o representante de uma época onde a Globo era soberana na televisão, e não havia internet, streaming, videojogos, celulares, ou qualquer outro meio alternativo para distrair a população. 

A Globo não terá outro autor como Benedito Ruy Barbosa (1931-2026) para se salvar da decadência (Simone Marinho/O Globo)


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