terça-feira, 23 de junho de 2026

E a mídia nao fala só de Copa

Em outros tempos, os brasileiros ficavam mais anestesiados durante a Copa do Mundo. O evento muitas vezes fazia esquecer os problemas do cotidiano, dando razão ao sábio Nelson Rodrigues. 

Sim, a mídia está dando destaque ao CR7, que fez dois gols e mostrou a sua categoria sobre o pobre time uzbeque, à maneira do antigo imperador Cômodo, que se exibia no Coliseu lutando com escravos. Mas outros assuntos estão chamando a atenção. 

Temos a investigação da Polícia Federal sobre o banco Digimais, financiador da Igreja Universal do Reino do Deus, de Edir Macedo. A instituição financeira está com déficit bilionário, e se ofereceu para venda ao BTG Pactual, mas ainda falta esclarecer o rombo. A agência Moody classifica o rating do Digimais como quase próximo da insolvência, com a baixíssima nota CCC+. 

Edir Macedo, dono da IURD e do Grupo Record, é acionista no banco Digimais (Divulgação/Fotomontagem)

Continuam também os esforços para um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã. Israel aponta os aspectos estranhos da iniciativa de Donald Trump, pois não foi convidado para assinar o acordo, sendo uma das partes envolvidas ativas. O sul do Líbano continua ocupado por tropas israelenses, dispostas a permanecer enquanto o grupo terrorista Hizbollah não se desarmar e o regime iraniano continuar a exercer influência no Líbano, há décadas padecendo como um joguete dos países mais poderosos da região. 

Trump também atua ativamente na América Latina, onde as forças conservadoras ganham terreno. Muitos brasileiros esqueceram a Copa e estão mais interessados na atuação do presidente americano e seu secretário Marco Rubio, que ameaçam retomar as sanções contra o Brasil em geral e contra Alexandre de Moraes em particular. Além disso, na América Latina as forças conservadoras ganham terreno com a vitória eleitoral de Abellardo de La Espriella ("El Tigre") na Colômbia e a confirmação da vitória de Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, nas eleições peruanas realizadas em abril. Haverá uma confirmação da vitória, contestada pelo candidato derrotado Roberto Sánchez, que ameaça pedir a impugnação dos votos no exterior. 

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