quarta-feira, 10 de junho de 2026

A Copa caminhará para um fracasso histórico

 A Copa 2026 na América será o maior desastre esportivo da década, tirando, logicamente, os tais "Jogos Aprimorados" em Las Vegas, neste mesmo ano. 

Terá repercussão morna, certamente ofuscada pelas guerras em curso, no Irã e na Ucrânia. Aliás, espera-se que não haja interferência direta entre esses eventos. Caso contrário, não teremos mais Copas (e nem Olimpíadas, nem qualquer outro evento esportivo). 

Já havia a tendência ao desinteresse pela Copa, vista agora sem tanta inocência. Há menos interesse no futebol, principalmente por causa dos sucessivos escândalos envolvendo principalmente os dirigentes, mas também os árbitros, os jogadores e os técnicos, e do escancarado interesse financeiro suplantando o espírito esportivo. 

Para a população, em sua maioria sem condições de custear um ingresso, o torneio não vai melhorar a vida de ninguém. Antes, até funcionava como uma distração para esquecer os problemas. Agora, não se sentem representados pelos seus jogadores, cada vez mais bem pagos pelos seus clubes, favorecendo o comportamento deslumbrado e distante de suas origens. Por aqui, há o agravante do desempenho desses jogadores ficar aquém do demonstrado pelos antigos craques do passado, responsáveis pelas conquistas dos títulos mundiais. 

Existem coisas mais sérias para despertar a atenção do público. Além das guerras citadas acima, existem os conflitos armados na África, as crises imigratórias, o temor do extremismo político e religioso, a violência, o colapso dos valores tradicionais e das instituições. Estamos mais preocupados em não levar um tiro ou uma bomba destruir nosso bairro ou vila, e menos com o Messi, o Cristiano Ronaldo ou o Neymar (muitos passarão a rir disto) serem os responsáveis pela eliminação do time que representa nosso país. 

O desinteresse do torcedor pela Seleção não é um caso isolado: para muitos povos, suas equipes nacionais não são consideradas representantes deles (Jefferson Bernardes/Shutterstock)

A Fifa esperava vender muito mais ingressos para as partidas, a serem feitas em território dos países da América do Norte, e principalmente nos Estados Unidos, mas os preços da aquisição (e também os anexos, como comidas e bebidas) e a logística não favorecem os deslocamentos até os estádios. 

E tudo poderá se tornar uma catástrofe caso houver algum ato terrorista mesmo longe das cidades-sede da Copa. Será um escândalo de proporções nunca vistas, além de causar pânico coletivo e o foco da grande mídia na tragédia, e não no esporte. Espera-se que não haja nada neste sentido, mas a possibilidade existe, e é considerável. Estamos num mundo convulsionado, e não podemos imaginar o segundo maior evento esportivo do mundo (o primeiro é representado pelos Jogos Olímpicos de Verão) como uma fuga para um universo fantástico, onde os conflitos se dão por uma disputa de bola. 

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