quarta-feira, 29 de abril de 2026

Jorge Messias sabatinado (e sacado)

O Senado, finalmente, fez a sabatina de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula para substituir Luís Roberto Barroso. (*) E fez história, ao rejeitar a sua indicação, algo raríssimo de acontecer no Brasil. 

Neste meio tempo, as decisões do plenário do Supremo Tribunal Federal não correram o risco de ficarem no empate, mesmo com dez integrantes. Neste caso, o voto do presidente da Corte, no momento Edson Fachin, teria mais peso. 

Mais importante: os embates entre os togados e os senadores aumentaram, principalmente com o escândalo do Banco Master vindo à tona, envolvendo vários ministros. O relator da CPI do Master (ou do Crime Organizado) Alessandro Vieira (MDB-SE) enquadrou Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, recebendo respostas bastante agressivas de volta. Isso provocou revolta no Legislativo, acostumado a "engolir sapos" principalmente quando o Judiciário se mete a tomar o lugar dele para debater projetos de lei ou lidar com os parlamentares considerados partidários dos réus do 8/1 ou passíveis de inquérito das fake news. 

Como resultado desse conflito, houve algo impensável para muitos. Jorge Messias foi sabatinado, respondeu às questões assumindo uma postura "conservadora" sobre o aborto e "conciliadora" na questão do 8/1. Isso não convenceu muitos senadores, que exploraram a postura contraditória nessas questões, quando ele era o advogado-geral da União. Também o episódio da tentativa de tornar Lula ministro às vésperas de sua condenação pela Lava Jato foi lembrado. Na época (2016), ele era indicado para o cargo de ministro da Casa Civil e foi chamado de "Bessias" pela então presidente Dilma Rousseff. 

Assim, o plenário do Senado deu o seu parecer: 42 votos contra e 34 a favor. Uma derrota dolorosa para o governo Lula. A rejeição de candidatos a uma vaga no Supremo não acontecia desde 1894, no tempo do ditatorial Floriano Peixoto, quando o Parlamento tomou coragem e não aceitou os cinco nomes impostos pelo "Marechal de Ferro". 

Senadores como Gustavo Gayer (PL-GO), Magno Malta (PL-ES), Rogério Marinho (PL-RN), Márcio Bittar (PL-AC) e Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) comemoraram a recusa de Jorge Messias, o "Bessias", a uma vaga no STF (Tom Molina/Agência Senado)




(*) Três nomes odiados e execrados por boa parte da opinião pública, que abraçou a causa da oposição ao governo e ao STF, não necessariamente alinhada com o bolsonarismo. 


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