terça-feira, 28 de abril de 2026

Será o fim de mais uma corporação?

Nesta década, muitas organizações estão à beira do colapso: a ONU, considerada inoperante, e a Otan, vista como um "tigre de papel" sem razão de existir, na visão dos trumpistas. Agora, temos a famigerada Opep, o cartel controlador dos preços do petróleo. 

Até há pouco vista como sólida, a Opep pode vir a colapsar por causa de um de seus membros, os Emirados Árabes Unidos. 

Mohammed bin Rachid al-Maktoum, emir de Dubai, um dos governantes dos Emirados Árabes (Divulgação) 

O país diz que precisa diversificar a economia. Sendo o quarto maior exportador de petróleo, extraindo cerca de 2,9 milhões de barris por ano, os Emirados querem incrementar o turismo e investir em fontes renováveis de energia. Além disso, Dubai e Abu Dhabi estão insatisfeitos com a política interna da Opep, considerada rígida demais, usando o sistema de cotas, e isso está difícil de alcançar com o comércio prejudicado pelo bloqueio iraniano em Ormuz. O país não é um dos fundadores da organização, formada em 1960, mas filiou-se a ela sete anos depois. 

Isto pode colocar em xeque a força da Opep, ao perder um de seus maiores colaboradores. Também mina ainda mais o poder do Irã, convertido em inimigo, que usa Ormuz como sua propriedade para exportar o petróleo para a China e países aliados. O Ocidente vê uma oportunidade de maior flexibilização dos preços do barril, e isso  pode significar mais uma mostra da influência de Trump, cuja política externa está enfraquecendo as organizações internacionais. Por outro lado, também prejudica os interesses de um aliado poderoso, a Arábia Saudita, a maior extratora de petróleo do mundo e, na prática, líder da Opep. 

Os Emirados podem diminuir a dependência política dos sauditas e se aproximar mais do Ocidente e mesmo de Israel, por terem assinado os Acordos de Abraão anos antes, junto com Marrocos, Sudão e Bahrein. 

Sua iniciativa para colaborar na produção de energias renováveis deve, também, estimular o mercado de fotovoltaicos (há grandes áreas para aproveitamento da luz solar, um recurso abundante naquela região), o uso do hidrogênio obtido da água (do mar) e o aproveitamento de resíduos orgânicos como combustível, na usina de Sharjah, inaugurada em 2022. Com isso, há a pretensão de compensar os efeitos do uso do petróleo e seus efeitos na poluição do ar e da água. Caso houver êxito, a relevância dos combustíveis fósseis irá diminuir efetivamente no médio prazo, e não haverá motivo para a existência da Opep - e, espera-se, não se crie nenhum outro cartel para definir os preços de qualquer fonte energética. 

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