Parte expressiva da imprensa destacou a detenção do ex-diretor da Polícia Federal e ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE), como se isso tivesse a ver com a sua fuga para os Estados Unidos, por ter sido condenado a 16 anos pelo Supremo por suposto envolvimento com uma tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e simpatizantes, um processo irregular do ponto de vista legal e constitucional.
| Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos pelo STF (Tomaz Silva/Ag. Brasil) |
Ramagem foi detido por dois dias, por um visto de turista vencido, enquanto aguardava pedido de asilo político. No Brasil, jornalistas especulavam sobre a sua extradição, com base em declarações de membros da PF, e pelas suas interpretações dos fatos sem checá-los com mais rigor, além do velho viés anti-bolsonarismo.
A cobertura da mídia sobre a guerra em curso entre Estados Unidos, Israel e Irã também é falha. Há muita discussão sobre as motivações do conflito e as violações do direito internacional por parte de Trump e Netanyahu, além de ver na tenacidade do regime iraniano como uma forma de prever um fracasso da empreitada, apesar dos milhares de bombardeios. Isso tem a ver com o desconhecimento da região e de seus povos, da crença numa inexistente força do direito internacional representado pela ONU, além da má vontade para com Israel, a única democracia da Ásia Ocidental, e cujos preceitos democráticos, embora bastante pouco observados (um exemplo disso é o uso frequente de tortura contra presos), ainda são melhor obedecidos do que na maioria dos países do mundo. Enquanto isso, o regime dos aiatolás e sua Guarda Revolucionária era um tirania, responsável pelo massacre recente de milhares de manifestantes por mais liberdade, e financiava o terrorismo, ensinando métodos de combate e defesa para apoiadores como o Hamas, o Hizbollah e os guerrilheiros houthis do Iêmen. E, agora, o que resta da ditadura xiita também viola o direito internacional com o bloqueio ao estreito de Ormuz.
Muito se discute sobre a formação e capacitação dos jornalistas. As causas seriam a ideologia marxista quando eles se formam em alguma faculdade, ou então o alinhamento com a linha de pensamento imposto pelos órgãos de imprensa, com suas práticas consideradas em desacordo com a ética e o respeito às diferenças culturais dos povos, favorecendo a venda de jornais pela prática de explorar notícias ruins, escandalosas ou geradoras de entretenimento, e refletir o ponto de vista de grupos de interesse ou financiadores, distorcendo a realidade dos fatos.
Este blog já abordou o assunto em algumas postagens, como na época da pandemia (ver AQUI). Exigir um tratamento melhor da imprensa com a verdade é direito de cada cidadão, que depende de informações para tomar melhores decisões quando acontecimentos de grande repercussão afetam seu cotidiano, e/ou saber mais sobre o mundo onde habitamos.
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