quinta-feira, 9 de abril de 2026

Falsas origens de palavras

Quando se usa certas palavras, muita gente é criticada por usá-las, com base numa suposta origem etimológica. Isso se tornou mais comum após as militâncias sociais, sob o pretexto de defender certas causas, considerar alguns termos como ofensivos. 

Por exemplo, o uso de "criado-mudo" não tem a ver com a escravidão. O móvel usado para guardar peças de roupa enquanto serve de suporte para outros objetos, como abajures e despertadores, é derivado da tradução literal da palavra inglesa "dumbwaiter", empregada pelos britânicos e americanos a partir do século XVIII a partir de pequenos elevadores de carga, e depois para as populares mesas de cabeceira. 

Outra palavra atualmente pouco aceita é "denegrir", originária da palavra latina "denigrare", ou "tornar escuro", "manchar". Isso não tem tanto a ver com a ideia preconceituosa de associar, em contexto sociológico, branco à pureza e negro à maldade. Muitos acabam usando o termo "manchar a reputação de (fulano)". 

Por falar em fulano, existe outra palavra relacionada, "sicrano", que possui origem contraversa, correndo-se o risco de apontar uma falsa origem. "Fulano" (do árabe fulan) e "Beltrano" (do francês Bertrand), são de origem menos obscura, usados às vezes pejorativamente para designar pessoas cujo nome não se conhece (ou não há interesse em conhecer). 

Existe um termo considerado ofensivo e xenofóbico para se referir aos estrangeiros, principalmente aos americanos, "gringo", com origens falsas. Uns dizem que se originou de green grow, usado em cantigas do Velho Oeste no século XIX, enquanto outros apontam para os mexicanos, quando eles queriam expulsar os militares americanos ("Green go home"). É mais provável que se origine da corruptela do termo espanhol "griego" (grego). 

Por outro lado, existe uma falsa origem, esta acusada de ter vindo de gente que adula americanos, para o popular forró. Não deriva de "for all" (para todos), usada supostamente após a vinda de soldados americanos no Nordeste durante a II Guerra Mundial, mas de "forrobodó", palavra mais antiga, derivada, por sua vez, do galego "forbodô", uma dança popular. Alguns apontam uma origem africana para o termo "forrobodó", um "arrasta-pé" dos escravos, mas isso também não é verdade. 

Outro termo originário do inglês, "golfe", também não é originalmente uma sigla para "Gentleman only, ladies forbidden", ou "Apenas para cavalheiros, proibido para damas". 

Uma outra palavra, menos elegante e agradável de ouvir, "cadáver", às vezes tem sua origem explicada com uma certa expressão latina "CAro DAta VERmibus" ("Carne dada aos vermes"), mas vem de "cadere", outra palavra latina, que significa "cair". 

"Coito" também não é uma palavra que soe agradável, mas "coitado" não deriva dela. A origem verdadeira é o latim vulgar "coctare", coagir ou afligir alguém. Já a outra palavra vem do latim vernacular "coitus", do verbo "coire", cujo significado é "ir junto" ou "unir". 

Agora, uma palavra bem brasileira, "borogodó", cujas origens seriam do tupi-guarani ou de alguma lingua dos escravos trazidos de Angola ou de Moçambique. Não se sabe direito. O termo ficou conhecido na primeira metade do século passado, principalmente no tempo da Carmen Miranda, a cantora portuguesa mais brasileira da História, de muito sucesso nos Estados Unidos. Dizia que ela tinha muito "borogodó", como sinônimo de carisma ou magnetismo pessoal. 

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