Com a escalada da guerra, os países europeus estão começando a se mobilizar para defenderem seus interesses na região da Ásia Ocidental. Não exatamente por preocupação com os civis da região, potenciais vítimas dos bombardeios, mas por terem bases militares e serem extremamente dependentes do petróleo da região.
A Grã Bretanha já se dirigiu para o Mediterrâneo oriental após os ataques a Akrotiri, uma base na ilha de Chipre, pelas forças iranianas. A França também deslocou suas forças militares para a defesa de sua base nos Emirados Árabes, e Emanuel Macron já fala em expandir seu arsenal nuclear e realizar testes de bombas alegando aumento dos riscos ao seu país. Também a Alemanha deslocou militares para lá, sem deixar a preocupação com a Rússia.
Quem ainda não tomou medidas relevantes é a ONU, projetada para garantir a paz mundial e a soberania das nações, mas na prática jamais funcionando como deveria, sendo praticamente um órgão protocolar nas diversas guerras e conflitos ocorridos desde a Segunda Guerra Mundial.
Ela está se limitando a anunciar uma investigação sobre os supostos crimes de guerra cometidos até agora, notavelmente um míssil que matou centenas de meninas dentro de uma escola na cidade de Minab. A imprensa acusa Israel e EUA de negligência, no mínimo, e até de dolo, enquanto algumas fontes principalmente em Israel dizem que um míssil iraniano teria caído por acidente e acertado o prédio, com base nas imagens divulgadas. Também a ONU não acredita que o Irã esteja desenvolvendoo armas nucleares, embora EUA e Israel acreditem nisso e apontam evidências para endossarem suas convicções.
| Donald Trump durante discurso na ONU; a entidade agora é solenemente ignorada por ele e por Binyamin Netanyahu nos ataques ao Irã (Loey Felipe/ONU) |
A inoperância da ONU, sua atuação burocrática, a presença de um Conselho de Segurança e os países mais fortes militarmente (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido) tendo poder de veto em qualquer decisão, a forma com que trata o assunto dos direitos humanos, tendo vários regimes autoritários lotando o Conselho de Direitos Humanos, sua falta de ação efetiva para combater a fome (FAO), a mortalidade infantil (Unicef), os problemas econômicos (FMI) e a destruição dos patrimônios culturais (Unesco), fazem a existência da entidade ser questionada por todos os lados, e, com este conflito e mais a presença do "Conselho da Paz" montado por Donald Trump para a reconstrução de Gaza, a importância e até a existência das Nações Unidas está ameaçada.
Neste cenário explosivo, não será a ONU a influenciar no destino do conflito. Rússia e China também não estão agindo, mas uma possível interferência desses países iria levar o mundo ao abismo. Mesmo os vizinhos do leste, o Paquistão e o Afeganistão, no momento se digladiando entre eles numa guerra também potencialmente perigosa, poderiam causar muito mais efeitos do que qualquer decisão vinda de Genebra. E eles poderão se envolver também, devido à aliança do Paquistão com o Irã e a presença de grupos terroristas no Afeganistão, inclusive governado pelo maior deles, os talibãs.
O mundo olha também para a Turquia, que teve bases militares americanas atacadas, mas não entrou na guerra e, como a Rússia e a China, condenou os ataques ao Irã de forma nominal, sendo um dos aliados de ocasião do vizinho persa, e um dos signatários do finado acordo nuclear juntamente com os Estados Unidos, então governados por Barack Obama, considerados por Trump uma farsa que encobriu o projeto de bombas atômicas desejado pelos aiatolás.
Ainda se fala muito pouco do Egito, do Iêmen (ocupado pelos terroristas houthis) e dos países africanos como Sudão e Somália, mas todos eles poderão ser obrigados a agir, devido ao Mar Vermelho, uma passagem de petroleiros e navios mercantes, se tornar um local com altíssima possibillidade de virar cenário bélico.
Também mais importantes que a ONU, em termos práticos, é um possível ataque iraniano aos oleodutos do Azerbaijão, país vizinho do norte e tendo parte de seu território no Leste Europeu, além de ser aliado e vizinho da Rússia e da Turquia. A maioria do povo azeri também é xiita, mas o que restou do governo dos aiatolás não levará isso em conta, e sim a possibilidade de agir desesperadamente para impedir o fluxo de petróleo e prejudicar o Ocidente de todas as formas. Mas isso poderá fazer a Turquia e a Rússia se voltarem contra os persas.
A ONU sempre teve, na prática, uma atuação pouco significativa, e não será desta vez que ela será vista como importante. Caberá a cada cidadão tomar medidas para se precaver contra a crise do petróleo, o risco do terrorismo e um possível conflito em escala planetária, e às forças militares envolvidas para alcançarem seus objetivos com o mínimo de perdas civis e danos à economia local e global.
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