segunda-feira, 16 de março de 2026

Após a noite do Oscar

Esta foi a edição mais comentada do Oscar no Brasil em vários anos, desde a fatídica noite de 1999, quando Fernanda Montenegro perdeu, injustamente, a estatueta de melhor atriz para a então jovem  Gwyneth Paltrow. Disputa a posição, lado a lado, com a edição passada, aquela da Fernanda Torres perdendo para Mikey Madison, mas pelo menos Ainda Estou Aqui ganhou como melhor filme internacional e fez história. 

Neste ano, nem filme O Agente Secreto, nem o ator Wagner Moura conseguiram. Apesar da grande torcida para o trabalho dirigido por Kleber Mendonça Filho repetir a proeza de Ainda Estou Aqui, sendo mais uma produção a abordar a ditadura militar com tema parecido porém sem tanto drama, não houve èxito nem como filme internacional, perdendo para o mais melodramático (e por isso mais ao gosto de Hollywood) Valor Sentimental, representando a Noruega, e nem para melhor filme, onde não podia fazer frente com o americano Uma Batalha Após a Outra. filme de ação onde brilhou Sean Penn como um oficial canalha. Aliás, Penn ganhou o Oscar como melhor ator coadjuvante e faltou à cerimônia, dizendo estar na Ucrânia se encontrando com o presidente Volodymyr Zelenski, como defensor da causa daquele país. 

Uma Batalha foi o grande vencedor da noite, faturando seis estatuetas, entre elas a de melhor diretor, Paul T. Anderson. Mas o intérprete do protagonista do filme, Leonardo diCaprio, também ficou sem ganhar. 

A noite do Oscar consagrou Uma Batalha Após a Outra (Divulgação/Netflix)

Quem venceu foi, com justiça, o ator Michael B. Jordan, protagonista do filme Pecadores, interpretando dois gêmeos idênticos, Smock e Snack, às voltas com a turbulenta Mississipi do século passado. Ele era o favorito, apesar da grande torcida em favor de Wagner Moura. De fato, ele fez um brilhante papel como um professor às voltas com a repressão do regime militar, mas quem imaginava ver o ator baiano levar a estatueta e ser o primeiro brasileiro da História a fazer isso eram os torcedores brasileiros que encaravam a cerimônia como se fosse a Copa do Mundo, e, é claro, os fãs de Moura. Afinal, ele "tinha o molho" e algumas revistas especializadas disseram que ele era um forte concorrente. 

Wagner se conformou e aceitou a derrota, vendo a campanha de O Agente Secreto cumprir seu papel, o de ser (mais um) filme político que reflete o momento atual com base na exploração da ditadura. Mas esta é a visão dos simpatizantes do atual governo. Para os opositores, que não veem essa abordagem com simpatia, ainda mais quando Moura fala de Jair Bolsonaro, como um acólito de Lula, a derrota no domingo à noite foi um motivo para piadas. 

Houve quem falasse que o B do nome de Michael B. Jordan era de Bolsonaro (Hadi Monforte/X)

O Agente Secreto perdeu tudo e os bolsonaristas riem (Youtube/Junior Japa)

Imaginem Wagner Moura chorando a perda do Oscar (na verdade, ele se comportou como adulto de quase 50 anos que é, mas o autor desse blog aproveitou a semelhança de Pablo, o garoto chorão de algumas postagens, com o ator)




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