quarta-feira, 11 de março de 2026

O único país que pode dividir o Irã

Entre os vários países envolvidos na guerra contra o Irã, um deles pode mudar geograficamente o Irã de forma mais literal, mesmo se o regime dos aiatolás não cair. 

No noroeste do Irã, existe uma região com várias províncias chamada de Azerbaijão, o mesmo nome do país vizinho. E é este mesmo o país com potencial para fazer o território do grande vizinho encolher. Os azeris, povo turco habitante dos mesmos locais, podem aproveitar a anarquia reinante no governo xiita para se rebelarem, pegarem em armas e lutarem pela independência da região. 

Tabriz é a maior cidade, e é fortemente industrializada. Outras cidades importantes, como Ardabil e Zanjã. Existe uma indústria tradicional de tapetes, cuja qualidade é conhecida de séculos. Teares famosos foram feitos em Tabriz para esta finalidade. A região ainda é banhada pelo Mar Cáspio e pelo lago Urmia, também salgado, por serem ambos remanesccentes do antigo Mar de Paratétis, extensão do Oceano Atlântico há milhões de anos antes da formação da Europa e da Ásia. O lago Urmia chegou a ser o maior da Ásia Ocidental, mas agora está ameaçado de desaparecer pela seca e pela intensa exploração de suas águas. 

Parte do Irã compartilha o idioma e, em parte, a cultura do Azerbaijão (Divulgação)

A maioria dos azeris do Irã fala tanto a língua original de seu povo, que lembra o idioma falado na Turquia, quanto o persa, e a princípio não quer a independência da região e nem a anexação ao Azerbaijão, mas a situação política pode degenerar. O país do Cáucaso na fronteira entre os dois continentes (Ásia e Europa) pode interferir para proteger os "povos irmãos", com ajuda da Turquia, sua aliada histórica, e de Israel, que lhe fornece armamentos e está interessado na dissolução do Irã. Mas isso também depende da Rússia, de quem o Azerbaijão é satélite como país ex-soviético. Moscou é totalmente contrária a qualquer mudança na política do Irã, ainda mais pela força das armas, mas ainda está mais empenhada em tentar vencer a guerra na Ucrânia. 

Recentemente, o aeroporto de Nakhitchevan foi atacado, gerando a fúria do ditador azeri, Ilham Aliev, que promete usar as Forças Armadas contra os aiatolás, mas ainda não autorizou uma única bala a ser disparada contra o outro lado da fronteira. As forças azeris são dignas de respeito, ainda mais depois da vitoria na guerra contra a Armênia pela disputa de Karabash, praticamente assegurando definitivamente a posse da região com muitos minérios em seu subsolo, e muitos armênios agora fugindo do local. A Armênia, parceira e também satélite da Rússia, e outrora aliada do Irã apesar de seu povo ser cristão, ainda não se envolveu na guerra, mas o risco de ser atingida por algum míssil, seja ele iraniano, turco ou azeri, é grande. 

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