A terrível guerra civil no Sudão coloca em perigo o seu maior legado arqueológico, as pirâmides. Ao contrário do senso comum, o país abriga o maior número dessas estruturas no mundo, com 250, superando os 138 encontrados no vizinho Egito.
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| As pirâmides do Sudão concentram-se em Meroé, no norte do país (Divulgação, a partir do link https://hectorruizgolobart.com/piramides-de-meroe/) |
Embora sem o mesmo apelo turístico, por serem relativamente pequenas, as pirâmides de Meroé, localizadas no vale do Nilo, chamam a atenção pelo formato mais íngreme, servindo como túmulos para os antigos reis, chamados de "faraós negros", governantes do antigo império cuchita, entre o século VII a.C. e 300 d.C. Nem todas as pirâmides egípcias eram construídas para servirem apenas de enfeite mortuário: as grandes pirâmides teriam outras finalidades, ainda debatidas pelos egiptólogos, devido ao seu tamanho.
A maior parte dessas construções está em ruínas, agravada por vandalismo recente. Em meados do século XIX, o mercenário italiano Giuseppe Ferlini teria saqueado e destruído várias delas, algumas em estado de conservação impecável até então, como aquela pertencente à rainha Amanishakheto, do século I d.C. Ferlini fez fortuna vendendo facilmente os tesouros encontrados na Europa, em meio ao interesse vigente em se apossar das riquezas da África.
Arqueólogos temem o destino destes tesouros antigos por causa da guerra civil envolvendo o governo e os rebeldes da Força de Apoio Rápido, aumentando o risco de saques e bombardeios. Estudiosos ocidentais não confiam em nenhum dos dois lados, em parte pela velha ótica da pretensa superioridade europeia (ou americana, ou asiática) em relação aos africanos, vistos como incapazes de valorizarem seus monumentos, mas também pela preocupação legítima com este legado de valor inestimável.

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