terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Você quer mesmo democracia?

Sistemas políticos, todos eles, são estruturas complexas que lembram, em maior ou menor grau, à produção industrial de certos produtos, como salsichas, nuggets de frango ou gelatina. Geralmente muito longe de qualquer controle de qualidade.

Pois a nossa democracia, como está agora, parece uma estrovenga movida a interesses muito mais influentes do que a vontade popular. O povo, mesmo, está mais para um bando de figurantes do que um grupo de protagonistas. Está certo, em qualquer país, mesmo nos Estados Unidos, Singapura ou Finlândia, é assim. Mas no caso do Brasil, estamos perigosamente próximos da irrelevância absoluta.

Ainda chamamos de democracia porque há eleições livres em tese, com instituições funcionais e uma pessoa comum ainda não pode ser presa por qualquer motivo não previsto em lei. Mas há questionamentos sobre a lisura das urnas eletrônicas, acusando-as de serem fraudadas (embora seja mais simples fraudar urnas em papel), o funcionamento das instituições é comprometido pelo comportamento disfuncional dos Três Poderes e pela corrupção sistêmica, e certos grupos correm mais risco de serem perseguidos pelas autoridades oficiais, em relação a outros. 

Se alguém quer democracia, precisa se posicionar a respeito da nossa realidade. Isso exige uma postura pró-ativa, e informação de qualidade, algo escasso no país. Ou senão corre mais risco de aceitar tudo como fato consumado. 


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