Sistemas políticos, todos eles, são estruturas complexas que lembram, em maior ou menor grau, à produção industrial de certos produtos, como salsichas, nuggets de frango ou gelatina. Geralmente muito longe de serem coisas agradáveis e, em alguns casos, de acordo com os controles de qualidade.
Pois a nossa democracia, como está agora, parece uma estrovenga movida a interesses muito mais influentes do que a vontade popular. O povo, mesmo, está mais para um bando de figurantes do que um grupo de protagonistas. Está certo, em qualquer país, mesmo nos Estados Unidos, Singapura ou Finlândia, é assim. Mas no caso do Brasil, estamos perigosamente próximos da irrelevância absoluta.
Ainda chamamos de democracia porque há eleições livres em tese, com instituições funcionais e uma pessoa comum ainda não pode ser presa por qualquer motivo não previsto em lei. Mas há questionamentos sobre a lisura das urnas eletrônicas, acusando-as de serem fraudadas (embora seja mais simples fraudar urnas em papel), o funcionamento das instituições é comprometido pelo comportamento disfuncional dos Três Poderes e pela corrupção sistêmica, e certos grupos correm mais risco de serem perseguidos pelas autoridades oficiais, em relação a outros.
Se alguém quer democracia, precisa se posicionar a respeito da nossa realidade. Isso exige uma postura pró-ativa, e informação de qualidade, algo escasso no país. Ou senão corre mais risco de aceitar tudo como fato consumado.
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