quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Ovos de Páscoa "sabor chocolate"? Nenhuma novidade

Há muito tempo as gôndolas são tomadas por ovos de Páscoa de qualidade questionável. Isso acontecia desde quando o formato se tornou popular, nos anos 1970, uma época onde não se falava em "vassiyra de bruxa" e havia autossuficiência na produção de cacau no Brasil. Marcas mais baratas e populares, como a antiga Evelyn(*), conhecida pelos "guarda-chuvinhas" da época, tinham muito pouco cacau e bastante gordura vegetal para baratear os custos e fazer o produto ter aquele gostinho de cera residual.

Recentemente, há uma legislação mais específica, embora seja uma "mãe" para más práticas da indústria. Produtos com menos de 25% de derivados de cacau não podem ser chamados de chocolate, e sim algo "sabor chocolate". Geralmente, possuem muito açúcar e gordura vegetal, e também soro de leite, o resíduo da fabricação de queijos antes usado para alimentar porcos, e agora aproveitado até para se fazer refrigerantes (uma postagem futura vai abordar isso). O soro substitui parcialmente o leite em pó. 

Estes ovos são do tipo "sabor chocolate", embora questione-se até mesmo os concorrentes mais caros de grandes marcas (Divulgação)


Mesmo os produtos rotulados como chocolate em geral possuem, atualmente, qualidade questionável por terem excesso de gordura, presença de soro de leite e muitos aditivos. Isso vale para produtos da Garoto, Nestlé, Lacta, Hershey's e outras grandes marcas. Mesmo produtos ditos "finos" como a Kopenhagen e a Cacau Show têm piorado a qualidade. 

Por outro lado, os ovos "sabor chocolate" sempre estiveram à venda, mas não ganhavam tanta atenção. Agora, com o preço do chocolate nas alturas por conta das oscilações do preço internacional do cacau e da obscena tributação vigente, as pessoas se tornam menos fieis às marcas e buscam alternativas. Ou, no caso de quem não possui crianças em casa, compram barras e bombons para não ficarem sem comer  chocolate nesta época. 


(*) Hoje existe uma loja na Zona Sul paulistana chamada de Evelyn Chocolates Artesanais, que anuncia produtos sem gordura vegetal e possui uma clientela nas classes A e B. 

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