Conforme prometeu, Donald Trump impõs as temidas sobretaxas nos produtos estrangeiros. Foi o chamado "dia da libertação", também chamado de "dia da retaliação".
Em geral, as sobretaxas são uma resposta relativamente proporcional à majoração de produtos americanos em outros países. Quanto mais se cobra por um produto made in USA, maior a resposta do homem alaranjado.
Boa parte dos países foi punida com 10%, algo comparável à marreta do Chapolin. É o caso de Argentina, Uruguai, El Salvador, Reino Unido, Líbano, Ucrânia, Egito, Arábia Saudita, Turquia, Singapura. Irã e Bolívia também foram incluídos, indicando que o critério não leva em conta se o país é aliado ou hostil. O Brasil, apesar da chiadeira do governo Lula, também só foi sobretaxado na faixa mínima.
Outros países não tiveram tanta sorte. A tão odiada Venezuela ganhou 15%, um golpe de cassetete. Israel levou 17%, mas isso pode mudar porque as sobretaxas de 33% cobradas sobre os produtos americanos foram suspensas. A União Europeia em geral levou um castigo de 20%. O Japão ficou com 24%, já podendo ser considerado uma porretada, assim como os 25% sobre a Coréia e os 26% na Índia. A partir daí, os golpes são mais dolorosos: a Suíça foi punida com 31%, Taiwan com 32%, a arquirrival China com 34%, Tailândia com 36%, Síria com 41%, Myanmar (Birmânia) com 44%. Quem foi contemplado com o maior porrete foi o pequeno Lesoto, país do sul da África, com 50%.
Rússia, Belarus, Cuba, Coreia do Norte e outros países sob embargo econômico estão sem a sobretaxa.
Como resultado do grande "tarifaço", as ações de todo o mundo sofreram abalos, mas no Brasil, onde o impacto não foi tão severo, a Bovespa caiu "apenas" 0,038%. O dólar sofreu uma desvalorização global, e no Brasil a queda foi de 1,8%, para R$ 5,62.
O mundo sentiu o golpe do "dia da libertação" (Olivier Douliery/AFP/Getty/The Atlantic) |