segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O dragão ataca


O grande temor dos economistas para 2010, ano eleitoral, já chegou: a volta de índices superiores a 1% ao mês de inflação.

Essas taxas de inflação eram normais nos primeiros anos do Real,(1994 a 1996), quando havia um processo de encolhimento gradual do dragão após uma época louca. A inflação era um flagelo crônico no Brasil por décadas.

Depois de um ano com inflação inferior a 4,5% em todo o ano de 2009, eis que, só em janeiro, ela ficou em 1,34% na cidade de São Paulo. Esse índice dói no nosso bolso, mesmo considerando a hiperinflação de tempos não muito remotos.

As chuvas foram responsáveis por boa parte desse índice. Colheitas foram perdidas. Toneladas de vegetais foram destruídas nos entrepostos comerciais, como o Ceagesp. O resultado, triste e indigesto: frutas e hortaliças ficaram, além de mais caras, com qualidade bem pior.

Entre os produtos agrícolas, também está o álcool, usado nos veículos. Com os aumentos cavalares desse combustível, que ficou desvantajoso frente à gasolina, o ato de abastecer virou um suplício.

Não é só isso. O excesso de chuvas danificou propriedades, causando perdas de patrimônio para milhares de pessoas, principalmente no Jardim Romano, na Zona Leste. Houve profusão de buracos, para a desgraça da suspensão dos carros e outros veículos, e isso traz impacto até no frete para transporte de produtos por caminhões.

Mas também houve o aumento nas tarifas dos ônibus. E depois disso, os usuários não notaram qualquer melhoria. Continuam enfrentando um transporte caro, lento e desconfortável. Quem precisa de ônibus não tem como dispensá-lo, dai o encarecimento. O aumento não foi mais prejudicial porque muita gente fez a recarga no Bilhete Único (o bilhete que permite o uso de até quatro conduções em duas horas pagando uma só passagem) antes.

Com tudo isso, a meta de 4,5% para o ano de 2010 pode não ser alcançada. Preparemo-nos, porque já se fala em aumento de juros, um recurso feito pelo Banco Central para conter o consumo e, indiretamente, a inflação. De uma forma ou de outra, nosso bolso sofre. E já está doendo.

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