segunda-feira, 19 de março de 2012

O desafio de um aprendiz de investidor a lidar com seu dinheiro

Já havia feito um post sobre educação financeira e o modo de fazer aplicações ou saques nos seus investimentos é parte dessa tarefa. Não sou economista e muito menos tenho condições de nadar em dinheiro (muito pelo contrário, estou entre os milhões que quebram a cabeça para pagar as contas...), mas os conhecimentos a seguir podem ser úteis para quem ganha o seu suado salário.

Fazer o dinheiro render é uma arte que requer alguma técnica. No caso de investimentos, é preciso saber lidar com o efeito dos juros.

Como se sabe, um investimento que fica por x meses sem movimentação acaba aumentando seu valor conforme a taxa de juros mensal. Assim, considerando uma taxa de juros fixa por mês (o que geralmente NÃO acontece, mas é só para simplificar a conta), temos: 

Início: um certo valor y. 

Após o fim do primeiro mês: esse valor y passou a aumentar de acordo com a taxa de juros ( j ), passando a ser y', ou: 
 y + j * y = y * (1 + j) = y'.
Após o fim do segundo mês: o valor y' aumentou de acordo com a mesma taxa j, passando a valer y'': 

y' * (1 + j) = y''

Mas y' = y * (1 + j), então: 

y'' = y * (1 + j) * (1 + j) = (1 + j)^2

Ao final do terceiro mês, o valor passa a ser de y''', que vale: 

y''' = y'' * (1 + j)

Ou seja, y''' = y * (1 + j) * (1 + j) * (1 + j) = (1 + j)^3


Como se pode notar, em n meses, o valor da aplicação, que antes era y, foi multiplicado pelo fator (1 + j) n vezes. Por exemplo, ao final de 6 meses, com uma taxa de juros de, digamos, 0,70% (vamos esquecer as taxas de juros para pagamentos, que são SEMPRE maiores do que isso...), e uma aplicação inicial de mil reais, teremos:

Valor final = R$ 1000,00 * (1 + 0,007)^6

(lembrando que 0,70% = 0,007)

Valor final = R$ 1042,74. 


Nestes 6 meses, o dinheiro terá crescido um pouquinho. Uma aplicação de mil reais terá mais de quarenta reais a mais no final desse período. 
Vale lembrar que aplicações tradicionais de baixo risco como a poupança, em valores de hoje, possuem rendimentos ainda menores do que esses 0,70%.

Mas nenhum investidor que se preze deixa seu dinheiro parado. Muitas vezes ele vai ter de aplicar um valor a mais para fazer engordar sua "grana". Para isso, uma planilha, como o conhecido Excel, ajuda bastante. É preciso levar em conta o montante que já estava aplicado somando com os novos valores. Assim, se por três meses aplicamos R$ 100,00 mensalmente sobre o valor investido que originalmente eram estes R$ 1000,00, e sabendo que os juros se mantêm em 0,7%, teremos: 

Primeiro mês: R$ 1000,00
Segundo mês: R$ 1000,00 * (1 + 0,007) = R$ 1007,00
Aplicando R$ 100,00: R$ 1007,00 + R$ 100,00 = R$ 1107,00

Terceiro mês: R$ 1107,00 * (1 + 0,007) = R$ 1114,75
Aplicando R$ 100,00: R$ 1114,75 + R$ 100,00 = R$ 1214,75

Quarto mês: R$ 1214,75 * (1 + 0,007) = R$ 1223,25
Aplicando R$ 100,00: R$ 1223,25 + R$ 100,00 = R$ 1323,25


Mas e se aplicarmos os R$ 300,00 de uma vez já no primeiro mês, poupando-nos do trabalho de ter de colocar mais dinheiro nos outros meses?

Primeiro mês: não muda nada (R$ 1000,00)

Segundo mês: o dinheiro rendeu juros e ficou em R$ 1007,00
Aplicando R$ 300,00: R$ 1007,00 + R$ 300,00 = R$ 1307,00

Terceiro mês: R$ 1307,00 * (1 + 0,007) = R$ 1316,15

Quarto mês: R$ 1316,15 * (1 + 0,007) = R$ 1325,36


A diferença entre um procedimento e outro é de pouco mais de R$ 2,00 a favor do investidor que resolveu colocar mais dinheiro no início do período. Quanto maior o dinheiro aplicado e maior o prazo, também maiores serão as diferenças nos ganhos. 


Efeito contrário ocorre quando precisamos sacar o dinheiro investido. Se tivermos um valor inicial de R$ 1000,00 e quiséssemos comprar um objeto cujo valor (ex: R$ 300,00) pode ser parcelado em três meses, naturalmente haverá perdas, mas elas podem ser compensadas pelos juros (como se 0,7% ao mês fizessem milagres...). Vejamos duas situações: 

Primeiro, o investidor afoito já saca os R$ 300,00 para comprar o objeto:

Primeiro mês: R$ 1000,00 - R$ 300,00 = R$ 700,00

Segundo mês: R$ 700,00 * (1 + 0,007) = R$ 704,90

Terceiro mês: R$ 704,90 * (1 + 0,007) = R$ 709,83

Quarto mês: R$ 709,83 * (1 + 0,007) = R$ 714,80


Segundo, um investidor que vai "sangrando" seu patrimônio aos poucos: 
Primeiro mês: R$ 1000,00 - R$ 100,00 = R$ 900,00
Segundo mês: R$ 900,00 * (1 + 0,007) =R$ 906,30
Sacando: R$ 906,30 - R$ 100,00 = R$ 806,30

Terceiro mês: R$ 806,30 * (1 + 0,007) = R$ 811,94
Sacando: R$ 811,94 - R$ 100,00 = R$ 711,94

Quarto mês: R$ 711,94 * (1 + 0,007) = R$ 716,93


A diferença, neste caso (bem) pequena, também foi a favor do investidor menos afoito. Logicamente, valores maiores de saques fazem maiores estragos, assim como a frequência deles.

Investidores mais experientes consideram muito mais fatores, como as tendências do mercado, a dinâmica das ações, o efeito das crises e das medidas governamentais, etc. Este espaço é para quem está aprendendo a administrar seu suado "tutu". 

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