Anteontem, a cidade de São Paulo fez 472 anos, sendo uma metrópole gigante com problemas crônicos de difícil solução. Um desses problemas são as enchentes.
Ao longo da história, o centro da cidade, banhado pelo rio Tamanduateí e seu afluente Anhangabaú, sofria com as cheias, assim como a periferia banhada pelo Tietê. Com a escolha da solução proposta pelo engenheiro Francisco Prestes Maia (1896-1965) para a urbanização da cidade, tudo piorou. Houve uma grande expansão das ruas, tornando-as mais adequadas para a demanda de veículos, mas a retificação do Tamanduateí, do Tietê e do Pinheiros, e a canalização do Anhangabaú e outros rios menores, resultou na impermeabilização do solo, agravando ainda mais as inundações.
Para tentar reverter o drama, mais notório na Zona Leste, considerada uma verdadeira "ilha de calor" atraindo as chuvas, foram construídos piscinões, para o escoamento das águas pluviais. Muitos urbanistas consideram-nos um paliativo problemático, devido à necessidade de manutenção constante e serem potenciais criadouros de mosquitos.
A chuva de hoje nem foi particularmente severa, mas foi suficiente para inundar a região central e causar problemas no fornecimento de energia elétrica, devido à queda de árvores, mais uma vez negligenciadas pelas subprefeituras.
| A chuva inundou bairros centrais, como a Bela Vista (Renato S. Cerqueira/Estadão) |
Com o agravamento do regime de chuvas, será necessário redobrar o cuidado com o lixo e as árvores condenadas pela negligência e pelos cupins, além de buscar novas soluções para o escoamento das águas pluviais. Mas o problema conceitual da impermeabilização da cidade só poderá ser administrado, por ser de difícil resolução: seria necessário arborizar a cidade e passar a respeitar os nossos rios e córregos, artificialmente retificados e cronicamente sujos de esgoto e detritos, ou seja, violentados pelo nosso descaso e planejamento errático.
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