Até 1988, a corrida de São Silvestre era à noite, para fazer coincidir a chegada dos primeiros colocados à virada do ano. Depois, por questões envolvendo interesses comerciais das redes de televisão (TV Gazeta e Rede Globo) e de patrocinadoras, a São Silvestre iniciou no final da tarde, e algum tempo depois foi começar no período da manhã, por conta do "Réveillon na Paulista" e suas atrações musicais apoiadas pela Globo, lei Rouanet e Prefeitura.
Como o tal "Réveillon" não tem o mesmo apelo de antes, e sempre perdendo das comemorações na praia de Copacabana, estas sim marcantes e visíveis na mídia internacional, já é possível imaginar a volta das corridas noturnas, para fazer jus às comemorações do dia de São Silvestre. O empreendedor Cásper Líbero se inspirou numa corrida noturna em Paris, com tochas inclusive, para organizar a primeira corrida em 1925, há exatos 100 anos.
Infelizmente, a edição do centenário logo vai cair no esquecimento e foi marcada por atletas passando mal por causa do calor intenso. A campeã da prova Sisilia Panga, da Tanzânia, desmaiou após cruzar a linha de chegada. Muitos outros esportistas sofreram.
![]() |
| Sisilia Panga sofreu na edição do centenário da Corrida de São Silvestre (Roberto Sungi/Estadão) |
Colocar a corrida de volta para a noite minimizaria os problemas do sol intenso, além de dar-lhe mais relevância, compensando em parte a falta de brasileiros no topo do pódio. Após a longa era do queniano Paul Tergat, o "fenômeno", e seus 25 anos de conquistas, as vitórias de atletas brasileiros ficaram escassas. Entre as mulheres, também as africanas não deram muita chance. Isso poderia ser cogitado, embora a mudança seja inviável enquanto houver o "Réveillon na Paulista".

Nenhum comentário:
Postar um comentário