quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Da série 'Noventolatria', parte 12 - Comerciais inviáveis atualmente

Os anos 90 tinham muita coisa duvidosa, como qualquer outra época, e mesmo assim possuem muitos seguidores. Nesta década, a noção de "politicamente correto" era incipiente, e por aqui só começou a ser aceita a partir de 1995, sem ditar normas informais de comportamento como agora. 

Naquela época os comerciais estavam infestados de cigarros, mas a diferença em relação aos anos 80 e anteriores era a presença do anúncio obrigatório: "O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde". Também havia muitos comerciais de bebidas alcoolicas mesmo em horários destinados às crianças, sem falar nas propagandas picantes, com nudez e sexo, principalmente no começo da década, de tal forma a merecer até um amplo debate sobre o controle do conteúdo na TV, com muitos temendo a volta da censura, posta fora da lei no final da década anterior com a Constituição de 1988. Também havia muita propaganda infantil, inclusive mostrando crianças se comportando de maneira inadequada.

Eis algumas pérolas: 

 
Comercial da Garoto (1995), marca famosa pelos chocolates, mostrando crianças sexualizadas


Outro comercial da marca (c. 1990), empregando hipnose para consumir o produto Batom; seria considerada uma tentativa de "lavagem cerebral", além de usar crianças

Este comercial de 1992 já irritava na época, mostrando um moleque para lá de chato dizendo "eu tenho, você não tem!", para vender as tesouras do Mickey. 

Para encerrar a parte de propagandas com crianças, algo bastante difícil de fazer hoje em dia, um comercial de sandálias da Xuxa (c. 1994), com meninas dizendo frases próprias de estrelas pornô

Ninguém reclamava, na época, de mulheres objeto; a agora sumida Virgínia Nowicki fez um comercial de sucesso em 1991, mas realmente um produto de seu tempo

Ainda existia um vídeo com a atriz Mônica Carvalho, que apareceu nua na abertura de uma novela das 6 (!!!), Mulheres de Areia; o comercial de 1993 foi veiculado até em horários impróprios; é o primeiro comercial que aparece neste intervalo do Festival Primavera, da Globo.

Por falar em comercial de ducha, a cantora Sula Miranda foi a estrela deste reclame, contemporâneo daquele feito pela Mônica Carvalho, também veiculado, às vezes, em horários acessíveis às crianças. 

Num cinema, um cara sem noção gritava para a imagem do galã do filme: "Dá-lhe Dallas logo aí, pô!"; a marca era de cigarros, muito popular em 1995. 

Já no final dos anos 1990, mais uma marca de chocolate, a Tortuguita, da Arcor, que seria considerada excessivamente agressiva. 

Por falar em tartarugas, o jabuti da Brahma apareceu em 1999, fez sucesso, e poderia ser considerado atraente para as crianças, mas como é um comercial de cerveja...

 Nos comerciais dos anos 90, os "brancos" ainda eram hegemônicos, e outras etnias apareciam de forma caricata, como no comercial do sabão Quanto (1992) com o dono da lavanderia Toshiro. Atualmente, isso seria visto como racismo.

Na mesma época, havia um anúncio de um negro contando piadas "de preto", lembrando o caso do jornalista William Waack, perseguido atualmente pelo atual establishment; o anúncio terminava com o homem, com semblante sério, dizendo que é piada não haver racismo no Brasil, e concluindo com a frase "Boa essa, né?". Infelizmente, é difícil encontrar esse vídeo no Youtube.


Nenhum desses comerciais seria aceito nestes tempos atuais, mas de vez em quanto é possível notar um ou outro reclame, como um da operadora Vivo, bastante frequente na Globo, onde um garoto era chamado de "tampinha", gíria usada antigamente para uma pessoa de estatura muito baixa.

2 comentários:

  1. Faltou o comercial da Coppertone que contava com nudez frontal.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Este comercial foi lançado no final de 1988. Lembro bem na época em que foi exibido, mas o artigo trata de comerciais exibidos depois de 1990.

      Excluir