segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O leilão do trem-bala mudou novamente


 O projeto do TAV, trem-bala brasileiro, por enquanto é uma quimera (Foto: Divulgação)

A idéia original era fazer o TAV, trem-bala entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, ficar pronto para a Copa de 2014, como meio de transporte de elite e uma alternativa aos vôos domésticos entre as duas grandes cidades do país. Apenas alguns Polianas incuráveis que pensam estar num país perfeito acreditaram. 

Depois a idéia ficou para 2016, para suprir a demanda de passageiros indo para o Rio de Janeiro, sede das Olimpíadas. 

Porém, estamos em 2013, e a idéia não saiu do papel. Nem sequer foram definidas as empresas, já que a data do leilão mudou. E não há mais tempo hábil para se fazer uma obra como esta, levando-se em conta o ritmo dos trabalhos estruturais para a Copa e as Olimpíadas. 

Mesmo se tudo desse certo, seria uma extravagância. O apelo visual é maior do que a utilidade. Para haver retorno teriam que cobrar passagens caríssimas, para uma viagem que é mais demorada do que um vôo entre São Paulo e Rio. Segundo dados do projeto, o trem-bala iria a 350 km/h, no máximo.

Para se ter uma idéia do interesse político acima da racionalidade, várias cidades ao longo do caminho queriam estações, até mesmo povoados sem expressão ou atrativos turísticos como Potim, cidade vizinha de Aparecida. Se fosse atender todas as cidades do eixo Rio-São Paulo, o trem-bala mal poderia andar a 120 km/h, velocidade de um carro, e aí não seria trem-bala e sim um imenso metrô de superfície. Como isso é impossível, foram definidas apenas algumas cidades: Campinas (Centro e Viracopos), Jundiaí, São Paulo (Campo de Marte), Guarulhos (Cumbica), São José dos Campos, Taubaté, Aparecida, Barra Mansa e Rio de Janeiro (Galeão e Centro).

Mesmo essas cidades vão correr o risco de esperar até depois de 2016 para essa obra ficar pronta. E após essa data já não há razão para construir um trem-bala, a não ser para afagar os egos do pessoal de Brasília.

O PT dizia que as obras da ditadura militar eram faraônicas, repetindo a piada do sujo falando do mal-lavado. Aliás, a sujeira atual chega a ser mais pestilenta do que a do passado - e não estou considerando nenhum dos casos de corrupção que ocorreram nesses governos. Eles fariam muito melhor se investissem no transporte público, coisa que qualquer governo, petista ou não (sendo o exemplo mais grave a gestão tucana em São Paulo e o escândalo das obras no metrô), negligencia.

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