quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Moro vai ser superministro da Justiça

Bolsonaro passa a ter um grande trunfo, ao nomear Sérgio Moro. A aclamação popular ao longo destes quatro anos de mandato vai depender do desempenho dos dois (Divulgação)
Aconteceu o esperado por muita gente: o juiz Sérgio Moro vai ser ministro da Justiça no governo Bolsonaro!

Esta promessa não foi feita por ele, e sim por um adversário político, o presidenciável Álvaro Dias (Podemos). Porém, isso era cogitado desde o final do primeiro turno, quando teria acontecido contatos entre o juiz de Curitiba e Paulo Guedes, o futuro ministro da Economia, de acordo com declarações do vice, o general Hamílton Mourão.

Moro passa a subir rapidamente de patamar, mas, como superministro da Justiça e da Segurança Pública, ele deixa de ser membro do Judiciário para fazer parte do Executivo, e seu direito de cometer equívocos, já bastante reduzido como um dos chefes da Operação Lava Jato, praticamente foi abolido.

Além disso, vai precisar deixar o cargo definitivamente e delegar os processos envolvendo o ex-presidente Lula, deixando para a sua substituta, juiza Gabriela Hardt, que já mostrou ter o mesmo espírito implacável dele quando assumiu interinamente o posto de juiza da décima terceira vara federal da capital paranaense. Sem falar nas acusações, pelos "esquerdistas", de atuação política de "direita" e até "extrema direita", por ter punido majoritariamente membros do PT e poupado outros acusados de corrupção, a maior parte deles deputados e senadores que tinham o foro especial por prerrogativa de função e não podiam ser julgados por ele. 

O novo status, porém, pode facilitar a sua nomeação como ministro do STF, quando um dos veteranos, possivelmente Celso de Mello, precisar se aposentar por limite de idade (75 anos), em 2020. Quando isso possivelmente acontecer, Sérgio Moro terá apenas 48 anos de idade, e poderá ficar muito tempo entre os 11. Ou, o que seria mais ousado e arriscado, o presidente eleito poderá lançar o juiz como candidato à Presidência em 2022.

Seria surpresa uma recusa, pois o juiz não esconde sua ambição, tão forte quanto a sua determinação em investigar o maior esquema de corrupção ocorrido neste século, e dar uma resposta aos responsáveis, inclusive o ex-presidente Lula. 

Moro será um dos dezesseis ministros da equipe bolsonarista. Seriam 15, mas o presidente eleito percebeu a oposição à ideia da fusão entre Meio Ambiente e Agricultura entre os produtores rurais e os ambientalistas, e desistiu. Bolsonaro deixou de ter um problema criado por ele mesmo e agora tem mais um trunfo: terá Moro a seu lado para governar o pais. 


N. do A.: Na próxima postagem, haverá a divulgação do "orgulho" e da "vergonha" nacionais. Bolsonaro, como presidente eleito, é hors concours, mas Sérgio Moro ainda não, até ser efetivado no cargo. Adianta-se: ele não foi agraciado com selo algum, apesar de, anteriormente, ter sido lembrado como exemplo de juiz implacável com a corrupção, e assim motivo de orgulho, ou, pelo contrário, como um defensor do auxílio-moradia tendo residência fixa, a exemplo de outros magistrados.

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