De vez em quando este blog fala sobre a África, continente de onde vieram populações inteiras trazidas ao Brasil e ao restante da América, incluindo os Estados Unidos, como escravas.
Não muito longe de um dos conflitos mais dignos de preocupação pelos ocidentais, o da Ásia Ocidental, existe, do outro lado do Mar Vermelho, um outro, praticamente ignorado pela mídia brasileira, americana, europeia ou mesmo chinesa.
Continuam a matança provocada pela guerra entre o exército sudanês e os rebeldes das Forças de Apoio Rápido. De vez em quando, a capital do Sudão, Cartum, é atacada pelos insurgentes, liderados por Muhammad Dagalo, mais conhecido por Hemedji. Eles são apoiados pela Etiópia e pelos Emirados Árabes Unidos. Existe uma lista de suspeitos dando cobertura a eles, desde os outros vizinhos, Chade e Líbia, até países como Israel e Rússia (Grupo Wagner, combatentes atuando em toda a região do Sahel, responsável pela desestabilização política de vários países, todos miseráveis, devastados pela seca e governados por líderes corruptos, incompetentes e/ou ditatoriais).
Por outro lado, o governo sudanês, uma ditadura militar comandada pelo general Abdel Fatah al-Burhan, é apoiado pelo Egito, pela maioria da Liga Árabe (incluindo Arábia Saudita, Qatar, Marrocos, Argélia e Tunísia) e da União Africana (incluindo África do Sul, Nigéria e o ex-inimigo Sudão do Sul, independente desde 2011), e pela Turquia.
Os rebeldes estão entrincheirados principalmente na província ocidental de Darfur, onde ambas as forças estavam juntas para reprimir separatistas da região, uma das mais miseráveis do mundo, e em Khordofan, no sul. Lá, os civis são tratados como presas pelos dois lados da guerra.
Até agora, foram contabilizadas 14 milhões de pessoas saindo do país, um quarto da população, fugindo da guerra e engrossando a massa de refugiados africanos, muitos deles querendo ir para a Europa atravessando o Saara via Líbia.
| Refugiados sofrem com a guerra, a miséria e a seca, acumulados em Tawila, no Darfur do Norte ( © Ocha) |
Enquanto esse cenário apocalíptico não acontece, a catástrofe humanitária é bancada pelo povo sudanês. A ONU, acusada de inoperância, diz nada poder fazer pelos milhares de deslocados e pelos massacres. E a opinião pública do mundo dito "civilizado" continua a ignorar essa tragédia.
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