Enquanto se fala de guerra em toda parte: na Ucrânia, na Ásia Ocidental, do Trump contra o narcotráfico (para recauchutar a velha "Doutrina Monroe" de 1823 na América, ou "Doutrina Donroe"), nas grandes cidades e, em particular, em São Paulo, há a guerra cotidiana do trânsito, causadora de ainda mais mortes por dia do que todas as citadas anteriormente.
Para enfrentar isso, as regras não podem ser nebulosas para confundir o inimigo. Precisam ser claras para minimizar as baixas. Por outro lado, enquanto num caso os combatentes têm disciplina e sabem que morrem ou arruinam o plano se não seguirem as regras, no outro os "combatentes" raramente se dão ao trabalho de fazer isso.
Um dos grupos "combatentes" do segundo caso são os ciclistas. Eles não são tão indefesos quanto os pedestres, vistos como os "civis" da guerra, e nem tão bem "armados" quanto os motoristas de veículos motorizados. Ou seja, no jargão militar, os donos das magrelas são "buchas de canhão". E eles morrem aos montes quando colidem com motos, carros, caminhões e ônibus.
Por isso, a Prefeitura lançou novas regras para o uso de ciclovias, a valer já neste dia 28. De acordo com a Portaria SMT.Sentra n. 23, publicada ontem, os ciclistas devem andar a, no máximo, 20 km/h nas ciclovias e ciclofaixas, ou 6 km/h em vias partilhadas com pedestres. Não podem trafegar em vias sem essas faixas próprias para eles, a não ser no caso de bicicletas elétricas, que podem atingir até 50 km/h. Neste caso, devem seguir o fluxo do trânsito.
As velocidades anteriores, para os ciclistas, eram de 32 km/h, uma marca facilmente ultrapassada por muitos ciclistas apressados, mostrando seu condicionamento físico e sua impaciência. Para eles, será insuportável trafegar a 20 km/h. Mas isso é pela segurança dos pedestres, que mal conseguem ir à metade dessa velocidade. Além disso, na maior parte das situações, é difícil até mesmo para um motorista de carro ir além desse patamar, no complicado trânsito da metrópole.
Patinetes e veículos assemelhados também precisam seguir as novas regras dos ciclistas.
| Ciclistas andam na ciclofaixa da Avenida Paulista (Wilson Cruz) |
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