sexta-feira, 13 de junho de 2014

Da série 'Copa no Brasil, parte 03' - O Chile pode complicar a Espanha

Devido à inesperada goleada da Holanda sobre a Espanha, o Chile deixou de ser um mero coadjuvante para virar um antagonista no drama espanhol. A ex-colônia na América do Sul começou previsivelmente bem contra o bisonho mas esforçado time australiano. 

Poderia simplesmente afirmar que o time chileno só cumpriu sua obrigação, mas a realidade é um pouco mais complicada. No primeiro tempo, eles envolveram facilmente a defesa australiana, a ponto de fazer dois gols, um deles, aos 14 minutos, de Valdívia, o célebre craque palmeirense. Depois, o time sul-americano começou a se acomodar, algo perigoso até mesmo para um time sem experiência como a Austrália, que está longe de ser um time de tolos. Os representantes da Oceania se esforçaram e conseguiram fazer um gol, sentido fortemente pelos adversários. 

A partir daí, a Austrália cresceu ainda mais e o risco de uma zebra na Arena Pantanal parecia deixar de ser desprezível. No final do primeiro tempo e começo do segundo, os australianos tomaram conta. Tiveram um lance de pênalti não marcado, pois Cahill foi agarrado por Jara na grande área, aos 5 minutos da etapa final. Ainda por cima, marcaram um gol impedido, e corretamente anulado pelo juiz, pouco depois, mostrando que este grupo também pode ser bastante difícil. 

Depois de sofrer, os chilenos resolveram correr atrás e conseguiram ameaçar mais a defesa australiana. Conseguiram o gol salvador somente nos acréscimos, para selar o destino da Austrália, que certamente irá voltar para casa mais cedo, mas não de forma humilhante. Quem pode sair dessa forma é a Espanha, que precisa vencer ambos os times dessa partida, para não correr o risco de ceder a vaga para sua ex-colônia na costa do Pacífico. 

Duas vítimas de quedas - e duas perdas na classe artística brasileira

Dois dias antes, o humorista Max Nunes faleceu aos 92 anos. Criou programas como Balança Mas Não Cai e Planeta dos Homens, marcos do humor popular na década de 1970. Também foi o idealizador de personagens como o Primo Rico e o Primo Pobre, e o Capitão Gay interpretado por seu amigo Jô Soares. 

Hoje, também morreu a cantora Marlene, de 89 anos, estrela da Rádio Nacional e considerada a Rainha do Rádio, rivalizando com Emilinha Borba. Fez sucesso por duas décadas, até o advento da televisão, e gravou vários discos. 

Os dois eram amigos e encantaram muita gente em meados do século XX. Também houve algo em comum entre eles: os dois foram internados devido a quedas domésticas. Esta é considerada a quinta maior causa de morte, só perdendo para doenças cardiovasculares, câncer, pneumonia e AVC.

Max Nunes quebrou a tíbia em maio, foi internado e sofreu uma infecção generalizada. Marlene se feriu na perna e no rosto no começo do mês ao cair em sua residência e, no hospital, contraiu uma pneumonia. 

Max Nunes (1922-2014) e Marlene (1924-2014), dois artistas do século XX que tiveram vida longa mas interrompida pela lei da gravidade

Curiosamente, a já citada Emilinha Borba também morreu em circunstâncias semelhantes, de infarto, mas apenas quatro meses depois de cair de uma escada, em 2005. 

Apesar das melhorias nos atendimentos e nas condições internas das residências, cujos donos investem mais em tapetes emborrachados e corrimões nas escadas e nos locais mais difíceis por onde os idosos passam, as quedas ainda motivam a internação de milhares deles todos os anos. As consequências variam: embolia pulmonar decorrente de cóagulos saídos de ferimentos nas partes lesionadas do corpo, danos cerebrais e infecções oportunistas. Quando essas complicações não matam em alguns dias, elas podem impossibilitar a vida normal da vítima, que paga o preço do envelhecimento e do enfraquecimento dos ossos, mais sujeitos a se quebrarem. 

Max Nunes e Marlene engrossam também a lista de grandes nomes de uma época cultural bem diversa, onde o rádio e a TV prosperavam e nem se cogitava o uso da Internet. 

Da série 'Copa no Brasil, parte 02' - Incrível! A Laranja Mecânica voltou!

No segundo dia da Copa no Brasil, três jogos aconteceram, um do grupo A (onde está o Brasil) e dois do grupo B, onde estão os futuros adversários da nossa seleção. 

Primeiro, o jogo entre mexicanos e camaroneses. Esses últimos, mesmo com Eto'o, não mostraram a mesma garra das últimas Copas. Os mexicanos foram superiores, mesmo fortemente prejudicados pelo árbitro Wilmar Roldan, colombiano. Um apito latino-americano já era criticável para um jogo do México, devido à possibilidade de errar a favor, mas o fato de ter anulado dois gols legítimos dos mexicanos é algo que alimentou ainda mais os rumores sobre uma máfia do futebol atuando na Copa. As atitudes do sr. Roldan fizeram muitos esquecerem a lambança do Nishimura, mas outros vêem relações entre os dois profissionais do apito. 

Giovanni dos Santos fez os dois gols anulados erradamente. Peralta fez o seu, e não foi anulado. 

O segundo deles era justamente Espanha e Holanda, a repetição da final da última Copa. Esperava-se que o time dos moinhos de vento vingasse aquela partida contra os representantes da terra de D. Quijote. O troco foi dado com juros de quatro anos acumulados. No entanto, nos primeiros minutos parecia que a Fúria ia repetir a partida, apesar da até então discreta superioridade dos laranjas (que jogaram de azul, com detalhes e identificação alaranjados), que tentaram um sistema 3-5-2 adotado pelo técnico Louis van Gaal. 

Xabi Alonso fez o seu gol aos 27 minutos, mas a Espanha não conseguiu se impor no jogo e, no final do segundo tempo, aos 44 minutos, Van Persie empatou. Parecia que a partida ia ficar equilibrada.

No segundo tempo, o jogo foi bem outro. Os holandeses valorizaram a posse de bola e a força dos contra-ataques, receita praticada pelos espanhóis. Começaram a deslanchar com Robben, aos 7 minutos, Vrij aos 19 minutos, novamente Van Persie aos 26 minutos e Robben aos 35. Dessa forma surpreendente, a Holanda se vingou de um time que tinha Iniesta, Xabi Alonso, Xavi, Piqué e Casillas. Este último estava em péssima fase e foi um dos responsáveis por um dos maiores fiascos sofridos por uma seleção campeã em Copas. 



Os destaques do jogo: Van Persie (AP/Natasha Pisarenko), Robben (AP/Damien Meyer) e, de forma negativa, o brasileiro Diego Costa (EFE/EPA/Guilaume Horcajuelo)

Para piorar, a torcida que lotou o Fonte Nova em Salvador estava torcendo pela Holanda, indignada com a presença de um brasileiro, Diego Costa, considerado outro "traidor da pátria" ao jogar no time espanhol. Quando ele foi substituído por Fernando Torres - outro veterano sem a mesma presença - houve muitas vaias. 

Mal comparando, os tais moinhos de vento pareciam que viraram mesmo gigantes para pisotear D. Quijote com Rocinante e tudo. Ninguém acreditou no acontecido, nem mesmo os torcedores que lotaram o estádio baiano mesmo com chuva. 

No final, temos um jogo aparentemente bem menos interessante, também pelo grupo B, que pode virar outro "grupo da morte". O respeitável time chileno estava otimista com o resultado do clássico europeu em Salvador e tinha a missão fácil - em teoria - de despachar a pouco experiente Austrália. A próxima postagem vai falar sobre o jogo, a ser realizado na Arena Pantanal.

Este jogo também fez um estrago danado nas casas de apostas, e também nas "previsões" feitas neste blog. Agora só posso dizer que o Brasil vai sofrer para ganhar o hexa, mas já errei os adversários nas oitavas e no jogo final. Pelo jeito, nada de bancar mesmo a falecida mãe Dinah. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Da série 'Copa no Brasil, parte 01' - O Brasil vence mas...

Se há um jogo digno de ser usado para sustentar diversos pontos de vista, é o da abertura. 

Brasil e Croácia jogaram no Itaquerão, ou Arena Corinthians, onde as coisas parecem ter dado certo apesar de tudo. 

Para começar, a abertura para estrangeiro ver e mostrar todos aqueles exotismos. Nada parecido com um país europeu, mas uma terra com muita natureza, folclore, capoeira e música, inclusive aquela aberração horrível criação denominada "hino oficial da Copa Fifa 2014". A abertura, como todas as outras, passará em branco. Ninguém se lembra nem das cerimônias semelhantes feitas na França, Ásia (Coréia do Sul e Japão), Alemanha ou África do Sul. Com a Copa de 2014, não será diferente. Curiosamente, nada de mulheres seminuas. O Rio de Janeiro também não foi lembrado. só Pernambuco, Bahia, Amazonas e Rio Grande do Sul.

Prometeram mostrar um paraplégico usando um exoesqueleto projetado pela equipe do pesquisador Miguel Nicolelis, um grande feito para a neurociência no país. Ele apareceu e chutou a bola durante a abertura, mas a mídia não deu muita atenção. 

Preferiram ver a Jennifer Lopez com a Cláudia Leite e o MC Pitbull acalentando os ouvidos da torcida com o "WC song" (WC é sigla para "World Cup", mas também lembra o lugar onde costumam soltar esse tipo de coisa). 

Após a rápida cerimônia, de 25 minutos, chegou a hora de tocar os hinos nacionais. Mais uma vez, só foram tocados trechos curtos, mas a torcida tratou de cantar mesmo sem a música de fundo. 

Soltaram algumas pombas para representar uma mensagem de paz, mas elas tiveram dificuldade para saírem da Arena Corinthians. Algumas pessoas devem ter pensado que elas iriam ficar no campo. 

Finalmente, a partida. Começou mal, com a Croácia mais ameaçadora do que o Brasil. Os torcedores viram o castigo aos 10 minutos: Marcelo tentou desviar a bola numa jogada feita por Olic, o jogador mais perigoso deles, e Jelavic. Ele tocou a bola, que foi para as redes para apreensão da torcida. Foi o primeiro gol da Copa, e também o primeiro gol contra da Seleção na história das Copas, feito suficiente para o lateral ser visto como uma espécie de Silvério dos Reis do nosso tempo. Boa parte da torcida esperava pelo pior, mas se lembrou que o time tinha outros nomes.

Dois deles foram Oscar e Neymar. O primeiro deu a assistência para o astro-mor da Seleção marcar o gol de empate, aos 28 minutos. No segundo tempo, Fred simulou um pênalti, validado pelo japonês Yushi Nishimura, o mesmo juiz muito criticado na partida entre Brasil e Holanda na Copa de 2010 (de triste memória, pois foi o da eliminação dos canarinhos). Neymar cobrou e ampliou, aos 25 minutos. Depois de cometer uma falta acintosa contra Modric, dando-lhe uma cotovelada que poderia resultar em expulsão, mas punida "apenas" com o amarelo, o aspirante à "sucessão" de Pelé foi substituído aos 32 minutos, por Ramires. Oscar brilhou de novo e fez o gol salvador da pátria, aos 45 minutos. 
 Neymar consertou o estrago feito por Marcelo, que aparece na foto junto com Hulk, o camisa 7 que não estava tão incrível (AZ).

Para os otimistas, uma vitória para o Brasil seguir rumo ao hexa. Por outro lado, os pessimistas apontaram o nervosismo do time, o individualismo de Neymar e a apatia de alguns jogadores, como Fred. Os teóricos da conspiração viram a atuação de Nishimura, visto como lacaio da máfia das apostas. Já a Fifa viu um ótimo jogo com grande presença de público, ou seja, rentável. 

Só o governo não ficou com a imagem muito boa. Não houve baderna nem vandalismo, mas um coro homenageou Dilma, mandando-a tomar no @. Acharam que estava à altura do respeito a uma chefe de Estado e Governo, maior autoridade do nosso país. Esta manifestação não parece estar dentro das regras dadas pela Fifa aos torcedores. Aliás, a agremiação presidida por Joseph Blatter também foi "homenageada" dessa mesma forma.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Profecias para o resto do ano

Vou fazer uns exercícios de profecia para o resto do ano de 2014, desde a Copa até a virada para 2015. Se eu acertar pelo menos 30% (nível mãe Dinah) posso tentar de novo. Caso contrário, é bom desistir mesmo de tentar virar um Nostradamus. 

Prevejo também muitos que tentarão imitar-me após a minha morte!

Durante a Copa:

1. Haverá protestos que irão atrapalhar o deslocamento dos torcedores, mas as partidas continuam.

2. O Brasil vai ter dificuldades nas oitavas, contra a Holanda, o mesmo time que eliminou os brasileiros na Copa de 2010. Porém, será 2 a 1 para nós. Nas quartas, Neymar vai chegar a ser expulso, contra o Uruguai, e Júlio César vai continuar a dar sustos, mas isso não impedirá o Brasil de espantar o fantasma de 1950 (será 2 a 2 no tempo normal e um gol do Brasil na prorrogação). A Alemanha estará no nosso caminho nas semifinais, e pela segunda vez vai perder dos canarinhos, por 3 a 1.

3. Muitos vão perceber que boa parte dos estádios está mal acabada. Haverá problemas de infra-estrutura e o 4G nos estádios será motivo de piada.

4. Zebras surgirão na Copa, porém mais uma vez um time africano vai fazer bonito mas será eliminado nas quartas: será a Costa do Marfim. A Coréia do Sul também irá longe. A Bósnia poderá avançar, assim como o Irã e os Estados Unidos. Para o Japão será bem mais difícil. Times como a Nigéria serão uma decepção, pois Bósnia ou Irã irão avançar, junto com a Argentina.

5. A Seleção irá para as finais pegar a Espanha, que estragará a festa dos argentinos (o time de Messi vai se contentar com o terceiro lugar, descontando na Alemanha por 4 a 2). Galvão Bueno vai ouvir muita gente mandando-o calar a boca porque ele preferiria a Argentina na final. Ah, sim, o Brasil vencerá por 3 a 2 e Tiago Silva vai levantar o caneco. 


Nas eleições: 

6. PT vai fazer uma campanha de baixíssimo nível e PSDB, com Aécio Neves, responderá agressivamente. Aécio vai lembrar a todos de quem é neto (Tancredo Neves). Eduardo Campos fará de tudo para emplacar, colocando Marina Silva sistematicamente na propaganda política. 

7. Muitos irão protestar contra a corrupção e haverá grupos "Não vai ter eleição!", com direito a protestos violentos e mortes. São Paulo vai chegar a parar por causa do vandalismo. 

8. A Bovespa oscilará de forma expressiva, de acordo com as pesquisas. O dólar também vai seguir o mesmo caminho. 

9. Haverá segundo turno entre Dilma e Aécio. Por uma pequena margem, o candidato tucano vencerá. É claro, o PT não ficará quieto e irá acionar o TSE alegando fraude. Será derrotado. Da mesma forma, o governador Alckmin vai ser reeleito, para aumentar a raiva no PT. 

10. A CUT e os movimentos ditos "de esquerda" vão chiar e protestar contra o resultado das urnas, mas o neto do Tancredo adotará um discurso mais conciliador. Ele irá se preparar para um começo de governo difícil, com certa dificuldade para formar maioria no Congresso (com um ou outro deputado "exótico" que conseguiu eleger-se) e oposição cerrada do PT e de Lula. O PMDB vai querer entrar num acordo para aderir ao governo. Aécio vai colecionar mais cabelos brancos na cabeça e receber alguns conselhos do FHC. O Bolsa-Família não vai acabar. Já a inflação fará parte da "herança maldita" e ficará em 6,8% em 2014. O futuro presidente vai quebrar a cabeça para cortar gastos.


Após as eleições: 

11. O fim do ano vai ser de contenção de gastos e será um Natal magro e desanimado, com muita gente com o saco mais cheio do que o do Papai Noel (de raiva do governo, do desemprego, da falta de dinheiro...). As lojas terão de fazer saldões após o Natal. Na Black Friday haverá um pouco mais de ofertas de verdade (aproximadamente 5% dos produtos). 

12. Muita gente vai morrer, inclusive famosos. Não só os idosos, mas gente jovem também. Acidentes, infartos fulminantes na rua, homicídios, suicídios. Um grande nome brasileiro, daqueles bem destacados na mídia, vai para o beleléu! (Isso está muito parecido com a mãe Dinah ou com o horroróscopo do blog...). Dica: não é o Neymar, para o alívio dos fãs. Também não é o Pelé, o Ronaldo, a Dilma, o Lula ou qualquer candidato à Presidência, para o desgosto de certas pessoas que querem sambar em cima do túmulo deles. 

13. São Paulo vai ter congestionamento recorde e terá racionamento de água entre setembro e novembro; a partir do final de novembro, vai chover bastante, para recuperar parcialmente os níveis dos reservatórios, que voltarão a ter um nível de 40 a 60% até o final do período das chuvas. Logicamente, com direito a muitos alagamentos, deslizamentos, prejuízos, mortes, mas isso é "normal" em períodos de chuva.

14. A Mega-Sena da virada vai para um pobre-diabo do sertão nordestino que não vai saber o que fazer com o dinheiro. (Tomara que eu erre essa profecia! hehehe...). 

15. Em 2015 este blog continua e haverá mais postagens sobre violência, corrupção, mortes, uma ou outra notícia boa, "oitentolatria", "Mondo Cane"...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Caminho difícil e necessário

O caminho a ser tratado para o Brasil promete ser difícil e envolve muito esforço. E eu não falo da Seleção Brasileira, que realmente pode penar mesmo para ganhar o hexa. É algo ainda mais espinhoso. 

Para o Brasil caminhar de verdade rumo a uma democracia madura, onde a miséria, a corrupção e o analfabetismo sejam devidamente minimizados e deixem de se tornar preocupações para nós, não há outros meios senão: 

1. Exercer o direito de voto de forma consciente e responsável, votando em pessoas qualificadas e realmente dispostas a trabalhar pelos seus eleitores. Esta não é nem de longe uma condição suficiente para uma renovação política, mas é necessária. Os votos brancos e nulos não são considerados válidos, ou seja, não servem como arma contra os maus candidatos. Vale mais a pena votar em um candidato considerado menos ruim para impedir a eleição de alguém pior. Devemos repensar a ideia preconceituosa de que "todo político é igual". Péssimo com eles, ainda pior sem eles, pois eles são necessários para uma democracia representativa, a única eficaz para nações grandes e populosas. Os políticos, bem ou mal, nos representam. 

2. Aprender a reivindicar. Muitas categorias em greve cometem excessos, desrespeitando os direitos dos outros. Por exemplo, os metroviários de São Paulo: a Justiça já disse que a greve é ilegal e o governo está autorizado a demitir por justa causa os líderes da greve ou multá-los, e mesmo assim o sindicato dos metroviários ainda desobedece às determinações. Enquanto isso, milhares de paulistanos são lesados por falta do metrô, impedidos de exercer o sagrado direito de ir e vir. Nos protestos, é preciso haver lideranças focadas em um objetivo de cada vez e que não tenham tanta tolerância com os vândalos, que espantam a maioria da população e destroem propriedades alheias. Muitos querem protestar, mas sem violência. 

3. Pressionar pela melhoria da educação no nosso país. Nada de se contentar apenas com merendas mais nutritivas nas escolas públicas. É preciso fazer muito mais, valorizar os professores e ter a consciência que a educação não depende só deles e sim dos pais e responsáveis. 

4. Ser responsável pelos seus atos e não culpar os outros pelos fracassos. É contra a ética apontar uma terceira pessoa como motivo de um insucesso, ainda mais se ela não tiver culpa nenhuma. Precisamos fazer dos revezes motivo de aprendizado para poder ter sucesso depois. Não deixa de ser irônico reclamar dos corruptos e ao mesmo tempo querer bancar o "esperto", isto é, recorrer a expedientes para enganar os outros em proveito próprio. 

5. Afastar de nossas mentes as ideias que representam rupturas constitucionais, como revoluções ou golpes de Estado. Quase sempre resultam em desastre, violações dos direitos humanos, estados discricionários que abusam do poder. Foi assim em Cuba, na Rússia, na China e na América Latina. E está sendo em países como a Tailândia e o Egito. 

6. Não impor as nossas verdades aos outros de forma agressiva e desrespeitosa. Podemos acreditar em algo considerado benéfico ao país e ao planeta, como usar mais as bicicletas, os painéis solares e os produtos ecologicamente sustentáveis, mas não se pode doutrinar e atacar acintosamente aqueles que andam de carro, consomem megawatts de energia elétrica na casa ou usam produtos de couro de jacaré. Querer doutrinar e fazer lavagem cerebral nos outros é inútil e gera ressentimentos. É muito ruim para a convivência em sociedade. 

7. Exercer sempre a cidadania, que envolve direitos invioláveis mas também deveres indispensáveis para a vida em comunidade. Exija, por exemplo, que a prefeitura melhore a coleta do lixo, mas jamais jogue papel ou bituca de cigarro no chão. 

8. Convencer as pessoas mais necessitadas a terem autonomia e não depender dos outros para sobreviverem. As pessoas se tornam mais fortes e imunes às crises quando são menos dependentes, por exemplo, dos governos ou da caridade alheia. É preciso, sem doutrinação, fazer os mais pobres se conscientizarem dos malefícios da autopiedade e do "coitadismo", que impedem o desenvolvimento pessoal. 

9. Não invejar a riqueza alheia, ainda mais se ela é fruto do trabalho feito por mentes empreendedoras. Os empreendedores garantem o dinamismo da nossa economia e dificultar sua atuação é nocivo. Com a alegação que eles fazem parte do capitalismo e não do socialismo, acabam por alimentar conceitos de parasitismo social, que mais vale a pena ser burocrata atrelado ao governo do que um empresário, além de prejudicar a criação de empregos. Quanto aos outros cuja riqueza vem de outros meios, satanizá-los não ajuda a melhorar a vida dos mais pobres. 

10. Tornar o Estado menos inchado. Os Três Poderes já estão loteados de cargos ineficientes, e isso significa NOSSO DINHEIRO sendo usado de forma indevida. Eles trabalhariam muito melhor e seriam mais úteis para o povo com uma estrutura mais eficiente. Isso exige uma reforma no setor público, com diminuição no número de ministérios e dos chamados "cargos comissionados" ou "de confiança", e aumento no número de fiscais, médicos, professores, policiais e prestadores de serviços à população. 

11. Pensar de uma forma mais pragmática e menos ideológica. Nossa política externa atual impede o comércio com os países avançados e está atrelada aos países ditos "bolivarianos", que atribuem os males da América Latina aos Estados Unidos. É preciso ter relações comerciais com todos os países, mas não financiar ditaduras ou governos populistas por afinidades de pensamento. Por outro lado, ações lúcidas e não motivadas por sonhos devem ser feitas para enfrentar a criminalidade (que não se resume a uma consequência da miséria), o problema das drogas em nosso país, a falta de segurança de dados na Internet, o terrorismo (não estamos imunes a isso, pois são terroristas não só os malucos de turbante mas também todos os grupos que matam e destroem para impor suas vontades).

12. Equacionar melhor a economia com o meio ambiente. Um planejamento ambiental adequado envolve fiscalização eficiente contra os desmatamentos ilegais e as ocupações irregulares, duas causas da deterioração dos mananciais que fornecem água às cidades. Deve-se fazer projetos contra a poluição sem impedir as empresas de funcionarem nem proibir as famílias de terem um carro. Também deve conciliar a preservação da biodiversidade com o desenvolvimento econômico. O agronegócio não deve ser visto como um inimigo da ecologia e sim como fonte de riquezas e alimentos para a nação, e nem o esforço pela preservação das espécies deve ser confundido com o radicalismo de alguns ativistas que, por exemplo, soltam animais supostamente vítimas de testes feitos por indústrias de cosméticos. 

13. Nunca depositar todo o orgulho nacional em eventos como a Copa do Mundo. Não representam a melhoria dos nossos problemas, apenas aliviam as tensões. Elas têm data para acabar, enquanto o país continua. Da mesma forma, amaldiçoar um evento quando ele já está para acontecer é passar raiva inutilmente. Os bilhões gastos na Copa não voltarão integralmente aos cofres públicos, mesmo que a Copa seja um sucesso em termos de arrecadação (para a Fifa e principalmente o governo). 

Estas são modestas sugestões do blog para aqueles que querem ver um país realmente mais justo e forte para enfrentar os desafios do futuro. 

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Sexta-feira de tortura

Some: 

Greve parcial do metrô movida por oportunismo mais do que para melhorar as condições de trabalho dos metroviários


Manifestações chefiadas pela Força Sindical contra a Copa (mais uma...) e a política econômica do governo (sem deixar muito claro quais as propostas para corrigir os rumos de um governo que parece desprezar a racionalidade)

+

Protestos do movimento sem-teto (MTST) que quer no grito o atendimento de suas reivindicações, sem garantia de êxito (mas com a atenção da mídia para eles chamarem a atenção às vésperas desta bendita [argh!] Copa)


Amistoso da Seleção Brasileira contra a Sérvia no píor horário da sexta - 16h, no Morumbi, coincidindo com o pior período da semana em termos de congestionamentos, sabendo-se que muitos trabalhadores, por obrigação profissional, não podem ser dispensados antes para assistir o jogo

+

Chuva


Trânsito digno de fazer o mais controlado dos cidadãos espumar de raiva!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A zona das zonas

Não se trata de nenhuma casa do chamado "baixo meretrício" e nem dos quatro últimos colocados no Campeonato Brasileiro, que vai ter de ser interrompido no domingo para a Copa (como se pode notar, este post não vai falar do jogo de ontem da Seleção contra o "temível" time do Panamá que resultou em placar previsível e um show particular do Neymar após longos minutos de chatice vinda do campo do Serra Dourada, em Goiânia). 

Trata-se de um assunto que confunde muitos paulistanos, que moram em vários bairros. Se eles precisam indicar a região onde estão, ou seja, as chamadas "zonas", muitos não conseguem informar. 

Existem várias regiões da nossa cidade que podem ser consideradas "de transição". Por exemplo, certas partes da Mooca ou o bairro do Brás são consideradas assim, enquanto o Belenzinho é considerado, com certeza, bairro da Zona Leste, e ele é vizinho tanto da Mooca quanto do Brás. Da mesma forma, Santo Amaro é sem dúvida um bairro da Zona Sul, mas o Brooklin já começa a dividir opiniões, pois a grande maioria afirma com toda a certeza ser dessa região, embora a prefeitura coloque o bairro na subprefeitura de Pinheiros, este pertencente à Zona Oeste. 

É uma confusão daquelas. Melhor ilustrar isso, em mapas. 


1. Centro? Zona Norte? Zona Leste?

O centro histórico (sem cor) possui fronteiras bem definidas, entre a Avenida Duque de Caxias, a Rua Mauá, a Av. do Estado, a Radial Leste-Oeste e o Elevado Costa e Silva, vulgo "Minhocão". Na parte da subprefeitura da Sé correspondente a parte do distrito do Bom Retiro (em ciano) fala-se frequentemente que fica na Zona Norte (em azul escuro). A parte oeste do distrito (em marrom) é frequentemente descrita como parte da Barra Funda, um bairro da Zona Oeste. Por outro lado, o distrito do Pari (em marrom-claro) é um caso estranho: uns dizem que fica no centro, outros na Zona Norte. Por outro lado, é incluído na Subprefeitura da Moóca, e este bairro italiano considerado como parte da Zona Leste é outro caso curioso, como veremos a seguir. Parte do atual distrito do Belém (em vermelho acinzentado, a leste do Pari) é tradicionalmente chamado de "Alto do Pari", e antigamente era considerado Zona Norte, não Zona Leste (em vermelho). 


Isso é confuso? Pois isto é só o começo. Ainda há o caso do Brás, que engloba mais ou menos a grande parte do distrito do mesmo nome com uma pequena parte dos distritos da Sé e do Belém. Ao sul dessa região, existe o que tradicionalmente se chama de Moóca. A parte sul do distrito do Brás (abaixo da linha 3 do metrô), mais a porção do distrito do Cambuci a leste da Av. do Estado e mais ou menos toda a metade norte do distrito da Moóca formam o tradicional bairro italiano. A chamada "Moóca fora da Moóca" e o Brás formam uma região em verde-escuro de transição entre o Centro e a Zona Leste. 



2. Centro? Zona Sul? Zona Oeste?

Do outro lado do centro, existe uma região que envolve os distritos de Santa Cecília e Consolação, e a região do Hospital das Clínicas. A região, em roxo, envolve o Higienópolis, o Pacaembu, a cracolândia os Campos Elísios e a Várzea da Barra Funda. É considerada de transição entre o Centro e a Zona Oeste. Existem alguns setores de serviços que incluem o próprio bairro da Barra Funda, no distrito do mesmo nome, como central, mas quase todos concordam que o bairro em questão fica na Zona Oeste. Até 1991, a Barra Funda e a Várzea da Barra Funda estavam unidas num mesmo distrito, mas este último bairro passou a ser considerado parte de Santa Cecília, só para não deixar esse distrito com área muito reduzida. 


O distrito da Bela Vista, parte dos distritos da Liberdade e do Cambuci e mais o bairro do Paraíso, que é dividido entre Bela Vista, Liberdade e Vila Mariana, são bairros pertencentes a uma faixa de transição (em vinho) entre o centro e a Zona Sul. Em amarelo, temos o bairro do Jardim Paulista, pertencente à região dos Jardins. Alguns colocam a região, famosa pelo comércio de luxo e pela Av. Paulista, como parte da região central, embora seja administrada pela Subprefeitura de Pinheiros. Porém, a maior parte diz que fica na Zona Sul, como toda a região conhecida como Jardins (em magenta - não quero insinuar nada hehehe!). A Zona Sul propriamente dita está em azul claro e a Zona Oeste, em laranja. 



O caso dos Jardins e do Morumbi

Os Jardins, o Itaim-Bibi e o Morumbi muitas vezes são considerados bairros da Zona Sul (em azul claro), porém são administrados por subprefeituras cujas sedes ficam na Zona Oeste (em laranja). Bairros pobres como o Real Parque e Paraisópolis, dividida entre os distritos do Morumbi e de Vila Andrade, também são incluídos numa região de transição. O distrito do Campo Limpo não chega a ser um local de transição, embora a maior parte dos ônibus para o centro passe pela Zona Oeste. Há unanimidade em afirmar que o Campo Limpo e região pertence à Zona Sul. 



Zona Oeste? Ou Zona Norte?

Quase toda a região de Pirituba foi considerada parte da Zona Oeste, antes de 1991, quando houve uma grande mudança na Lei de Zoneamento. Alguns bairros do antigo distrito da Nossa Senhora do Ó passaram para o distrito de Pirituba, e também podem ser considerados de transição entre a Zona Norte e a Zona Oeste. O distrito do Jaguara pertence à Subprefeitura da Lapa, portanto oficialmente é Zona Oeste. Porém, o fato de estar do mesmo lado da Marginal Tietê em relação a Pirituba acaba induzindo muita gente a achar que Jaguara também fica na Zona Norte. Outros bairros da região são: Perus, Parque Anhanguera, Parque São Domingos, Parada de Taipas (ou simplesmente Taipas), Piqueri, Vila Zat e uma pequena parte da Vila dos Remédios, dividida com Osasco. 



Zona Sul ou Zona Leste?

A prefeitura criou uma Zona Sudeste, que corresponde às subprefeituras da Mooca, Aricanduva, Vila Prudente e Ipiranga. Para os paulistanos, todavia, essa zona só existe oficialmente. Continuam a chamar a parte a leste do Tamanduateí como Zona Leste, e do outro lado como Zona Sul. Assim, a subprefeitura do Ipiranga e parte da Vila Prudente onde está o Shopping Central Plaza também são considerados como de transição. Antigamente a Ford tinha uma fábrica, chamada de "Ford Ipiranga", mas ela se situava no Parque da Moóca, do outro lado da linha de trem. Atualmente o terreno é ocupado pelo Shopping Moóca. 


Nestes trabalhos algo toscos, procurei mostrar, na minha humilde opinião, os locais onde há contravérsias quanto ao zoneamento. De fato, a coisa parece mesmo uma autêntica zona, com o perdão da palavra. Não há muito o que fazer para a prefeitura tentar endireitar isso, pois São Paulo é daquelas cidades de alta complexidade onde, se algo for imposto por decreto, a bagunça só aumentará. 


segunda-feira, 2 de junho de 2014

O rei da Espanha renunciou!

Será sensato tecer vivas ao futuro rei Felipe VI, filho de Juan Carlos I?

Antes de responder a essa pergunta, vale lembrar sobre os 45 anos de reinado de Juan Carlos, rei dos espanhóis, que assumiu a chefia de Estado após uma longa ditadura, a de Francisco Franco, morto em 1975. Apesar de colocado no trono em 1969, nos seis primeiros anos o cargo era decorativo, pois o então jovem Juan Carlos não podia confrontar o poderoso líder fascista. Depois do fim do franquismo, o descendente dos Bourbon ouviu os súditos e restabeleceu a democracia, permitindo que o poder seja exercido por um primeiro-ministro. Ambos ficaram sujeitos a uma nova Constituição, feita em 1978. 

Durante seu reinado, ele participou de várias conferências envolvendo Espanha e os países latino-americanos. Num desses encontros, ele se irritou com as interrupções do então presidente da Venezuela Hugo Chavez ao discurso do primeiro-ministro José Zapatero, e ordenou ao caudilho para que se calasse. O fato, ocorrido em 2007, aumentou a popularidade do rei no exterior, exceto na Venezuela e nos países governados pelos discípulos de Chavez. 

Sete anos antes da abdicação, o rei mandou o finado Hugo Chavez se calar, em uma conferência feita em Santiago de Chile. 

Outro episódio digno de nota foi o costume de fazer caçadas, quando no mundo todo há a preocupação em preservar as espécies em extinção. Juan Carlos manteve a tradição milenar, mas em território alheio: foi até Botswana, país no sul da África, caçar elefantes. Caiu, quebrou a bacia e ainda ouviu milhares de protestos, em 2012. 

A preocupação com o "bolivarianismo" nas ex-colônias na América e a imagem frente à opinião internacional não foram os assuntos que mais preocupavam o rei. O terrorismo representado pelo grupo separatista basco ETA fez centenas de mortes. Recentemente, em 2004, houve um terrível atentado no metrô de Madrid, mas este nada tem a ver com os bascos, e sim com a al-Qaeda, o famoso grupo então chefiado por Osama bin Laden. O ETA só viria a silenciar em 2011. 

O medo dos radicais bascos seguiu-se à campanha crescente para a separação da rica região da Catalunha, leste da Espanha. Boa parte dos catalães recusa-se a se expressar em castelhano, falando sempre no idioma local, que é bem diferente do espanhol e do português, os principais idiomas da Península Ibérica. Com a renúncia de Juan Carlos, o movimento ganhou força. 

Contudo, isso ainda dependerá do resto dos espanhóis, que podem organizar um plebiscito pela República. A ideia pode ganhar força, pois o até agora príncipe das Astúrias, Felipe de Borbón, não tem a mesma bagagem política do pai, preferindo os esportes e as atividades militares. Além disso, as monarquias são atualmente vistas como curiosidade histórica. 

Felipe, príncipe das Astúrias, pode não resistir às pressões pela República, e ele só vai assumir o trono quando a abdicação for ratificada por meio de uma lei aprovada pelo Parlamento. Além do separatismo e dos republicanos, ainda há a crise econômica, que continua a fazer estragos no país, considerado um dos mais frágeis da Europa Ocidental. Por isso, até a sua coroação os espanhóis não têm muitos motivos para dizer "viva o rei Felipe VI". 

Copa no "país do futebol". Faltam dez dias. E...

... nada de entusiasmo. 

Antigamente, a dez dias de um torneio, havia muito mais expectativa. A molecada pintava as ruas por toda a parte com verde e amarelo. Nos bares e botecos, a esperança de ver o Brasil campeão e esquecer por algum tempo as dificuldades da vida. 

Boa parte da explicação se deve ao acesso à informação, que era limitado. Não havia Internet, e as circunstâncias eram outras.

O Brasil, nos primeiros campeonatos, tinha pouquíssimo contato com o exterior, por meio de rádios e televisões em preto e branco movidos a válvulas. Até o advento da Internet, só se podia obter notícias pela televisão e, para uma minoria - a maioria do povo brasileiro era e ainda é bastante pobre - pelos jornais. Depois da implantação da grande rede e sua relativa popularização, uma parcela maior de brasileiros passou a saber mais além do que falava o Jornal Nacional ou os outros programas afins. Embora com as dificuldades decorrentes das falhas de instrução e sem o hábito de filtrar as várias informações disponíveis, os brasileiros estão notando que a Copa não é só uma mera festa. Envolve preparação, planejamento, gestão, nos meses precedentes, e também confiança nos jogadores, que devem se preparar para atender as exigências da torcida. 

Na Copa feita aqui, nota-se a consequência da falta dos atributos expostos na última oração do parágrafo anterior. Aparentemente, queriam o bônus e não o ônus. O que se viu foi a corrupção e atrasos, muitas vezes intencionais para poder encarecer as obras e arrecadar mais dinheiro. Nossos jogadores não faziam a diferença como antes e não são vistos como representantes do Brasil num torneio internacional, e sim como atletas-celebridades que ganham muito pelo que jogam. Boa parte deles não joga em clubes brasileiros, nem o mais comentado deles, Neymar, que trocou o Santos pelo Barcelona. 

A imprensa destacava o torneio procurando despertar o clima de "Vai, Brasil!", no passado. No presente, destacam os estádios atrasados, a bagunça nos aeroportos, as obras de infraestrutura nos arquivos de computadores e que de lá não saíram. Houve ontem o segundo teste do Arena Corinthians, e a constatação não anima muito: o estádio ainda não está acabado e as falhas de acesso e informações sobre o estádio foram mais destaque do que o jogo - e mais uma vez o Corinthians, o "dono" desta obra que custou bilhões do NOSSO DINHEIRO vindo dos impostos, ficou sem vitória, só empatando com o Botafogo por 1 a 1.

Por falar em imprensa, o que os principais portais e jornais paulistas estão destacando?

Nos portais de notícias: 

- UOL: Os assuntos ligados à Copa têm de disputar espaço com outras notícias como a entrevista do Edward Snowden, o ex-funcionário da NSA que o governo americano quer ver silenciado para sempre. Também se fala bastante do Joaquim Barbosa, do Luiz Moura (o deputado petista envolvido com cooperativas de ônibus e o PCC), da renúncia do rei Juan Carlos da Espanha (vou abordar esse fato no próximo post) e da revisita ao passado lembrando do colaboracionismo da Fiesp com a ditadura de 1964, entre outras dezenas de fatos. 

- iG: O portal fala também sobre dezenas de notícias, porém traz um quadro próprio para a Copa. Este quadro não é a primeira coisa que se vê quando a página principal é acessada. No momento da consulta, 14h38, a manchete do iG falava sobre o aniversário das manifestações, e elas não tinham só a Copa como alvo, mas também a corrupção, o aumento das passagens de ônibus, a falta de investimentos em educação, a roubalheira do governo... Por falar nele, há uma parte que mostra o Aldo Rebelo choramingando contra a imprensa pelo clima "anti-Copa". 

- Terra: Com vários quadrinhos com notícias da Copa, ao estilo do Windows 8, o amado e odiado sistema operacional da Microsoft, é o que mais destaca o evento. Porém, mais uma vez vários outros assuntos são abordados, alguns dos quais receberam atenção especial, diga-se um quadrinho maior. Entre os quais uma notícia escandalosa sobre mutilação genital na Inglaterra, cuja capital é destaque em outro assunto - os desfiles de moda. E um curioso método de drenagem para perder a barriga. 


Enquanto isso, nos principais jornais paulistas: 

- Estadão: A manchete do jornal é o avanço de crack em todo o estado, tornando-se uma chaga social que atinge 30% dos municípios. Já a Copa 2014 só recebeu uma notícia no canto esquerdo do jornal, sobre as chances do William na Seleção. 

- Folha: Embora a foto principal fale sobre um dos preparativos da Copa - da pior forma, mostrando a aglomeração dos torcedores durante o jogo-teste do Arena Corinthians - a manchete trata de outro assunto, totalmente distinto: a mensalidade que poderia ser cobrada dos alunos que estudam nas universidades estaduais, algo que mereceria um comentário em uma postagem futura.

Nos jornais de outros estados, fica difícil ver algo diferente do clima morno, mesmo o jornal "O Globo", dos Marinho, os mesmos donos da Rede Globo, que irá transmitir os jogos da Copa. Fala-se bastante, aliás, da renúncia do Juan Carlos e da entrevista do Snowden, mas nenhum destaque especial aos eventos da Copa.

Finalmente, e nas ruas?

Está difícil ver ruas decoradas e pintadas para comemorar o evento. É como se dessem razão aos "black blocs" e outros radicais que pregam "não vai ter Copa". A dura realidade ainda rege a vida dos brasileiros, e não o sonho do hexacampeonato. Temos que trabalhar, suar para tentar alimentar a família e pagar os impostos sugados pelo governo. Sofrer com a inflação, a corrupção, a violência. Não há tanto espaço assim para uma festa cara, acidentada e cheia de ilusões.

Pois bem, este é o clima a dez dias da Copa, teoricamente bem na véspera do torneio mais importante do esporte mais (sobre)valorizado do país-sede. Tudo indica que o clima só vai mudar mesmo no dia 12, quando o juiz apitar o início da partida do Brasil contra a Croácia num "Itaquerão" mal-acabado. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Da série HQ, parte 1

Eis aqui uma amostra de histórias em quadrinhos toscas feitos a mão. Aqui mostro uma história com o grupo É o Tchan, feita em 2000, aproveitando que o Compadre Washington está causando alguma polêmica com o comercial do "Sabe de nada, inocente!", que motivou até uma medida farisaica do Conar para tentar tirá-lo do ar em nome da defesa das "ordinárias" e dos maridos "inocentes" candidatos a "corno". 

Os personagens que contracenam com o grupo são uma turma de farristas, intitulada de "Os Encrenqueiros".

Estas cópias foram feitas em um scanner velho e precário, daí o acabamento lamentável, mas as próximas histórias não serão dessa forma.











Em 2000, o grupo É o Tchan ainda estava no auge. Havia o Beto Jamaica, o Jacaré e as Sheilas. A morena Sheila Carvalho e a loira Sheila Mello.

Quem criticava o grupo na época está se arrependendo porque há muita coisa bem pior fazendo sucesso. Eu não era nenhum fã de carteirinha dos baianos, mas também não achava tão ruim como muitos pensavam. Agora, 14 anos depois, de repente fiquei curioso para saber o paradeiro do pessoal, principalmente das Sheilas, porque o Compadre Washington já saiu do ostracismo com o comercial. Vale lembrar que, antes, havia a Carla Perez...

Joaquim Barbosa deixa o STF

O atual presidente do STF anunciou hoje que vai deixar o cargo no final de junho, alegando problemas de saúde. 

Joaquim Barbosa deixa o cargo em má hora, pois o Brasil está num clima de anormalidade institucional. Os protestos e a revolta conseguem ofuscar o clima de Copa do Mundo. O STF nunca foi tão contestado pelo Legislativo e pelo Executivo, enquanto continuam a luta para manter os privilégios dos presos pelo mensalão. 

Ele sofre de uma lesão na coluna vertebral, mais precisamente na região lombar, que o impede de ficar mais do que algumas horas sentado. 

Barbosa foi nomeado por Lula em 2003 como o primeiro jurista negro a ingressar na mais alta corte do Brasil. Mesmo assim, mostrou ser um dos grandes empecilhos ao petismo, por sua postura intransigente a favor da lei, por vezes arrogante e dura. Ao tomar posse como presidente do STF, exerceu sua autoridade com mão-de-ferro. Embora não seja um déspota, e sim um extremamente zeloso defensor da Carta Magna, seus colegas o temiam mais do que o respeitavam. 

Joaquim Barbosa a caminho de fazer parte da História do Brasil (BBC)

Suas decisões eram certas e erradas, como qualquer outro juíz. Agiu certo quando impõs a Justiça contra os autores do mensalão petista, mas também foi a favor do financiamento público de campanha, algo que fatalmente vai acabar empurrando boa parte das ajudas de empresários e lobistas para a clandestinidade. 

Infelizmente, mais por questões de saúde do que por fatores externos, o presidente do STF irá se aposentar. O Brasil terá mais um motivo para dor, e talvez nem a conquista do hexacampeonato com uma goleada de 6 a 0 numa Argentina ou num Uruguai vá compensar a tristeza pelo afastamento de um dos mais inesquecíveis e polêmicos homens públicos que este país conheceu.

terça-feira, 27 de maio de 2014

O avião da seleção

Tudo o que se faz a respeito da Copa do Mundo envolve polêmica, e vira motivo das críticas mais contundentes. Justas ou injustas. 

Desta vez implicaram com o grafite no avião Boeing 737 da Seleção, feito pelos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, grafiteiros paulistanos conhecidos como "OSGEMEOS". Tudo foi feito em uma semana, quando o prazo era de duas. Pelo menos nisso não lembra em nada as obras da Copa. 

Pelo que se nota, o trabalho não é assim tão merecedor de críticas, apesar do tempo de execução curto. Nada parecido com aquela tal "música oficial" do famigerado DJ Pitbull, nem com a taça estilizada que virou símbolo do torneio e merece a maldição eterna. 

A grafitagem ficou interessante, até. Parece representar um monte de pessoas das mais variadas aparências, brancos, negros, orientais, indígenas. 

"OSGEMEOS" fizeram arte no avião da Seleção (foto vista no blog Criatives - ver mais aqui)

Há quem diga que existem muitas pessoas com a pele amarela, parecendo com personagens dos Simpsons. Isso lembra a imagem esculachada do Brasil em dois episódios daquela série animada. Talvez seja mera coincidência (ou não...). "OSGEMEOS" não colocaram macacos ou cobras no meio, como a equipe de Matt Groening fez na paisagem brasileira. A característica não é exclusiva das figuras do avião: boa parte dos grafites feitos pelos Pandolfo apresentam figuras amareladas. Até os autorretratos deles parecem que sofrem do fígado.

Autorretratos dos gêmeos Pandolfo feitos em um muro

Fora isso, não vejo motivo para críticas. Aliás, não fica bem neste post o autor aqui bancar o sapateiro que foi além das sandálias, mesmo porque o trabalho dos Pandolfo não é para qualquer um. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Os "blockbusters" do mês

Neste mês houve muitos lançamentos para disputar os apreciadores do cinema como entretenimento. 

Começou com o Homem Aranha 2, sobre o famoso "cabeça-de-teia" que sofre com os problemas de um adolescente comum e ainda tem de enfrentar um numeroso elenco de supervilões. No mês anterior, o filme do Capitão América foi lançado e ainda está bem no ranking dos mais vistos. 

O brasileiro Getúlio foi lançado no mesmo dia do herói aracnídeo e está entre os 10 mais assistidos, até agora, o que não é nada mal. 

Em meados deste mês, surgiu o monstro Godzilla, para meter medo com seu poder atômico. O filme relembra os 60 anos do dinossauro gigante que atacava Tóquio e, no filme atual, Nova Iorque. Chegou a estar no topo da lista, não dando chance nem mesmo ao também aguardado Praia do Futuro. Esse filme brasileiro rodado também na Alemanha assustou muita gente devido às cenas de sexo gay e pode ficar estigmatizado como obra para o público LGBT. A coisa fica ainda mais séria quando um dos envolvidos nas cenas é o personagem do Wagner Moura (o que o Capitão Nascimento iria pensar disso?). 

Godzilla em sua versão 2014 (Divulgação)

Correndo por fora, está a comédia Mulheres ao Ataque, com Cameron Diaz como uma das três mulheres que disputam o mesmo homem. O filme foi lançado uma semana antes do monstrão japonês começar a apavorar por aqui. 

A liderança de Godzilla não durou muito tempo. No dia 22 foi lançado o filme X-Men - Dias de um Futuro Esquecido, candidato a ser o campeão de bilheterias do ano. A história tem os famosos alunos do Charles Xavier, inclusive o mais carismático deles, Wolverine, enfrentando os robôs gigantes Sentinelas. O filme causou um imbroglio entre a sua distribuidora, a Fox, e a Marvel Studios, que não tem os direitos sobre as películas que envolvam alguns personagens, levando a uma situação curiosa: a Marvel não pode colocar os X-Men, o Quarteto Fantástico ou o Homem-Aranha em seu próprio estúdio. Isso provoca uma série de complicações, já que nos quadrinhos os heróis contracenam constantemente. A causa da confusão é um personagem dos X-Men, que irá participar do filme dos Vingadores, este sim produzido pelo estúdio próprio da "Casa das Idéias": é Mercúrio, o filho do vilão Magneto e irmão da vingadora Feiticeira Escarlate. A Fox resolveu não incluí-la também, para não causar ainda mais irritação na Marvel Studios.

 Os poderosos X-Men. Aqui aparecem Tempestade, Cíclope, Noturno e o professor Xavier. No filme também aparece Mercúrio, a causa do mal estar entre a Fox e a Marvel Studios (Divulgação)

Os próximos lançamentos prometem esquentar a audiência nas salas de cinema, com No Limite do Amanhã, uma ficção científica com Tom Cruise, e Malévola, com a Angelina Jolie no papel da vilã da Disney. 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Mais um golpe na Tailândia

Com o pretexto de garantir a ordem após vários protestos violentos contra a corrupção no governo tailandês, o Exército não teve dúvidas de, mais uma vez, instituir um golpe. 

A quartelada começou anteontem quando foi decretada lei marcial, ou seja, os civis são obrigados a seguir as normas das Forças Armadas, proibidos de se reunir em grupos, obedecer ao toque de recolher às 22h. Essa violação da ordem institucional é comum na Tailândia, um país bem pouco acostumado a seguir as normas democráticas. Já foram outros 11 golpes militares em 82 anos, desde que os militares forçaram os reis a obedecerem a uma Constituição e abandonarem o absolutismo.

Na verdade, a crise começou antes, no dia 7, quando a Justiça mandou destituir a primeira-ministra Yingluck Shinawatra, eleita em 2011 e alvo de vários protestos da oposição, alguns violentos e com mortes. Desde então, ela tentava se defender enquanto um governo interino foi colocado para tentar abafar, sem sucesso, a tensão no país asiático. Fracassaram, como os militares bem mostraram. 

Existem várias e perturbadoras semelhanças entre o governo deposto e os seguidores do tal "bolivarianismo" na América Latina. São governos populistas, apoiados pelos mais pobres, implantaram várias medidas sociais mas ao mesmo tempo se descuidaram das melhorias na educação e na saúde. A Tailândia, como aqui, sofria com a corrupção escancarada no governo. Yingluck Shinawatra era uma espécie de Dilma do Sudeste Asiático: primeira mulher a comandar o país, mas também considerada uma lacaia de um ex-governante (assim como Dilma em relação a Lula), no caso o irmão Thaksin Shinawatra, agora exilado nos Emirados Árabes após um golpe sofrido em 2006.  Thaksin foi dono do Manchester City e enfrentou várias acusações de abuso de poder e apropriação indevida do dinheiro público. Yingluck pode se juntar ao irmão a qualquer momento, caso os golpistas não a coloquem atrás das grades.

O golpe foi orquestrado tanto pelas Forças Armadas quanto pelos setores conservadores, que não conseguiram derrotar o governo nas urnas em eleições consideradas fraudulentas. 

Por aqui, há temores (ou esperanças) que o Brasil siga esse caminho. Deus nos livre!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Assuntos 1000 chega a 1000 postagens

Image and video hosting by TinyPic
Chego neste dia a 1000 postagens no blog, considerando aquelas feitas quando o blog ainda se chamava "Salada de Assuntos". 

Não há muitos motivos para festejar, porém. A situação no Brasil está bem longe de ser tranquila, com manifestações e greves por todo o país e a atuação ao lusco-fusco dos ativistas anti-Copa. Em São Paulo, particularmente, os cidadãos sofrem com a greve dos ônibus, dos professores e agora mais uma paralisação nas universidades estaduais, inclusive a USP, para não quebrar o costume de parar todo ano para pedir aumento.

A idéia dos manifestantes é parar também em junho, bem no dia do jogo de abertura. Parece que eles querem apoiar os "black blocs" que protestam contra o torneio.

Estamos a menos de um mês da Copa do Mundo e os insurgentes que ficam a gritar "Não vai ter Copa!" como papagaios que comeram cocaína na ração estão deixando de adotar medidas inúteis (embora prejudiciais ao patrimônio alheio) e aprenderam a ser mais eficientes. Desse jeito, se tiver Copa, será talvez a mais acidentada da História. 

Depois disso, o pessoal pode se animar e dizer: "Não vai ter eleição!". Do jeito que a coisa anda, não vai ter mais é Brasil.

O número 1000 piscante visto aí em cima parece tão louco quanto a situação do nosso país. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

OS INIMIGOS DO POVO TÊM QUE PAGAR! ONDE ESTÁ A JUSTIÇA?

Mais uma vez uma minoria tenta impor sua vontade pela força, lesando o resto da população.

Ontem, houve uma assembléia no Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo que aceitou a proposta de aumento de salário em 10%, mais participação nos lucros. Alega-se que a aprovação foi "unânime", o que é bem estranho, ainda mais se tratando de uma entidade marcada por disputas internas às vezes literalmente sangrentas.

Uma minoria não aceitou. Sabe-se lá quem está por trás disso. Cabe à imprensa descobrir e a Justiça investigar e punir. São fascistas, inimigos do povo e da cidade. Precisam ser punidos com toda a severidade que a lei exige. 

Eles paralisaram seis terminais de ônibus e mandaram os passageiros descerem dos ônibus para forçar os motoristas e cobradores que trabalham a parar. O direito de greve é legítimo, mas não pode ser decidido por uma minoria em desacordo com as condutas democráticas. 

A SPTrans já protestou formalmente contra os insurgentes, mas de concreto nada fez. Normalmente ela manda acionar os PAESEs, ônibus das empresas não envolvidas para servirem as linhas prejudicadas. Se não fez isso ainda também está contribuindo para lesar milhões de paulistanos que dependem dos ônibus para irem ao trabalho e aos locais de estudo. 

BASTA DE BANDALHEIRA!!!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

O grande teste do Itaquerão

Ontem houve o evento-teste do Arena de São Paulo, vulgo Itaquerão, o estádio do Corinthians.

Houve falhas graves, como a infiltração em áreas consideradas vips, e a ausência de cobertura deixou muita gente tomando chuva. Houve a falta de controle dos cambistas, mas isso era esperado. O sistema de som foi considerado pavoroso para muitos, que esperavam algo como um padrão Bose (pelo dinheiro investido no estádio) e ouviram algo como um antigo CCE da vida. Não houve graves problemas de segurança, apesar da PM ter sido proibida de entrar lá, como determina a Fifa. O sistema de iluminação parece ter funcionado bem, assim como a irrigação no gramado, pois choveu forte bem na hora do jogo, e granizo ainda por cima. Será uma coincidência, já que até agora não havia chovido um milímetro sequer neste mês?

Momentos antes da partida no Itaquerão, a primeira (Rodrigo Gazzanel/Futura Press, pelo portal iG)

Considerando prós e contras, o Itaquerão passou no teste, mas com muitas ressalvas. Ele ainda não está pronto, e precisa resolver o problema da cobertura no estádio, algo que não será implantado facilmente até o dia 12 de junho, quando haverá o jogo de abertura do Brasil contra a Croácia. 

Para o Corinthians, o teste foi um fiasco. Eles perderam do Figueirense por 1 a 0, ou seja, o primeiro e único gol foi de Giovanni Augusto, que representa o time catarinense, o lanterna do campeonato. Em termos de futebol, uma lástima. O clube paulista vai ter de ceder o estádio para a Fifa e só voltar a usá-lo depois da Copa, em julho. Espera-se que este "elefante branco" venha a dar alegrias ao time, mesmo que o retorno financeiro seja, virtualmente, pouco provável de acontecer mesmo a longo prazo. 

Por que o Brasil não tem condições de ser uma Suíça?

Na Suíça, país dos sonhos de muita gente, não há miséria e nem violência. Os diversos grupos linguísticos que vivem naquele diminuto país de 41 000 quilômetros quadrados vivem em paz e harmonia. Quando há algo relevante para o país, eles sempre consultam o povo. É uma democracia, onde os cidadãos decidem e os políticos são obrigados a obedecê-los. 

Por que o Brasil não poderia adotar esse modelo?

Em primeiro lugar, porque a desigualdade social no Brasil é um desafio imenso. 10% têm padrão de vida semelhante ao país europeu, mas uma porcentagem maior (cerca de 22 milhões) é dependente do Bolsa Esmola, aliás, do Bolsa Família, sem falar de outros tantos que nem aparecem nas estatísticas e estão vivendo em condições deploráveis. Seriam necessários séculos para o Brasil atingir o patamar suíço de riqueza, mas para isso o nosso país teria que ter um crescimento econômico equivalente ao registrado na China, todo santo ano e sem exceção. 

Temos também uma diversidade cultural ainda maior do que na Suíça, apesar da língua oficial ser o português, enquanto na Suíça existem quatro línguas: o alemão, o francês, o italiano (no cantão de Ticino) e uma variante estranha do latim (no cantão oriental dos Grisões). Mesmo assim, o preconceito e o "bairrismo" paroquial impedem maior integração dos brasileiros, enquanto é difícil sequer encontrar uma piada de suíço de Zurich contra um suíço de Genebra (que falam idiomas diferentes), e vice-versa. 

O tipo de democracia na Suíça é o semi-direto, onde os cidadãos são consultados após as decisões políticas. Basta um pequeno grupo de 50 000 suíços exigir um referendo, que ele será feito. Referendos são feitos numa frequência de quatro vezes por anos, aproximadamente. Isso seria impraticável no Brasil, onde existe a democracia representativa, hegemônica em países grandes, pois a democracia direta só foi testada com êxito em territórios pequenos. Nosso país é imenso, enquanto a Suíça é um naco de terra montanhosa. 

Fazer referendos a cada assunto importante seria caro e trabalhoso. O Brasil ainda não tem condições de fazer isso, mesmo porque é um país ainda muito mal integrado, com estradas precaríssimas e telecomunicações ainda necessitadas de muito investimento. Existem estados no Brasil em extrema indigência como Piauí, Maranhão e Alagoas, enquanto boa parte do Sul, Sudeste e Centro-Oeste está em situação bem melhor. Nos cantões (espécie de micro-estados) do país alpino não se vêem grandes diferenças, e eles estão ligados por ferrovias e rodovias eficientes e sólida rede de telecomunicações. 

Na Suíça, as necessidades são satisfeitas facilmente porque o país possui uma renda per capita de US$ 75 000 em números redondos, que não é a mais alta do mundo como muitos pensam (na Noruega a renda anual é de US$ 86 000 segundo uma avaliação de 2010). Mesmo assim eles estão preocupados com o custo de vida altíssimo e o baixo crescimento econômico, de míseros 2% ao ano em 2013. É algo preocupante até mesmo lá. 

Ontem, houve o referendo que recusou o salário mínimo de 22 francos suíços por hora, ou aproximadamente 18 euros (e mais de R$ 54,00). Isso daria aproximadamente R$ 10 000,00 por mês, uma ninharia para os padrões locais mas equivalente a cerca de 13 salários mínimos brasileiros, garantindo um padrão classe média-alta por aqui. Eles estão preocupados com o risco de desemprego aumentar, devido ao aumento dos gastos das empresas. Também o povo rejeitou a compra dos jatos militares suecos Gripen, os mesmos comprados pelo governo brasileiro sem a "necessidade" de nos consultar. Acharam os aparelhos muito caros: 22 deles custando quase US$ 10 bilhões, um desperdício de dinheiro público segundo o povo de lá, atualmente com risco quase zero de serem atacados por alguma ameaça externa (fora o terrorismo). 

Se houvesse condições de fazer referendos por aqui, as decisões iriam refletir carências locais, como a falta de escolas e creches em João Pessoa, na Paraíba, que não despertariam interesse em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e isso é fato. Ou então reflexo de interesses paroquiais como a criação de novos Estados. O Pará fez um referendo para a criação de novos Estados, e para o alívio dos que prezam o NOSSO DINHEIRO a proposta foi rejeitada. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O cenário do futebol brasileiro ficou cinzento

O Cruzeiro foi o único brasileiro a avançar nas quartas, mas acabou sendo mais uma vítima do San Lorenzo, o time do papa Francisco. O placar de 1 a 1 foi um desastre para os mineiros, e os argentinos avançaram.

Curiosamente, não há mais sequer um campeão da Libertadores entre os que continuam na competição. O San Lorenzo é o único time considerado grande da Argentina que nunca ganhou. O Lanús, que precisa de um milagre - ganhar do Bolívar na altitude - é considerado time médio, mas tem uma história longa: foi fundado em 1915, sete anos depois do San Lorenzo. 

É a pior campanha do Brasil na Libertadores desde 1991. Para piorar, o fiasco dos brasileiros aconteceu bem no ano da Copa. O cenário está cinza chumbo para o nosso futebol. Se não houver o hexa, vai enegrecer de vez.