terça-feira, 16 de outubro de 2018

Arábia Saudita, o novo vilão mundial?

Na lista de párias internacionais, o Irã, a Coréia do Norte, a Venezuela e até a Birmânia, cujo nome oficial é Mianmar, foram bastante abordados aqui. Mas este blog não falou o suficiente sobre um candidato à lista dos países mais odiados: a Arábia Saudita. 

É o maior exportador mundial de petróleo do mundo, e por isso as potências dependem muito dos sauditas. 

O governo local tem se esforçado para melhorar as condições terríveis pelas quais passam as mulheres, permitindo que elas desfrutem de alguns direitos, como dirigir. Ainda assim, elas vivem numa opressão pior do que a de países muçulmanos mais liberais, como o Marrocos, o Egito e o Qatar, este último tratado como inimigo pelos sauditas. Elas ainda precisam ter um "guardião" para tutelá-las, coisa que não existe nos países vizinhos. 

Por falar em governo, quem manda de fato é o príncipe Mohammed bin Salman, pois o rei, Salman, enfrenta problemas de saúde, incluindo mal de Alzheimer, que limita suas capacidades cognitivas. O príncipe quer ser conhecido como uma espécie de "déspota esclarecido" do Islã, por sua política de tolerância religiosa e incentivo aos investimentos no país, mas essa imagem ficou terrivelmente abalada nos últimos dias. 

Na Turquia, país com quem a Arábia Saudita tem sólidas relações diplomáticas, econômicas e militares, apesar de divergirem fortemente no caso do Qatar, o jornalista Jamal Khashoggi, vinculado ao jornal americano The Washington Post e crítico implacável do regime saudita, desapareceu misteriosamente quando estava na embaixada saudita em Istambul. Ele estava tentando obter um documento para casar-se com a sua namorada, de cidadania turca. Embora o príncipe Mohammed bin Salman tenha negado qualquer responsabilidade no caso, muitos países ocidentais o responsabilizam pelo sumiço. Fala-se em morte e esquartejamento do corpo, como muitas tiranias muçulmanas faziam no passado. 

Segundo o jornal El País, 15 sauditas teriam viajado à Turquia e teriam dado um fim ao jornalista, após um interrogatório. Como costuma acontecer em vários países islâmicos, os interrogatórios são, em realidade, sessões de tortura física e/ou psicológica, para extrair "informações" do interrogado. 

Este episódio não só abala severamente as relações entre a Arábia Saudita e a Turquia, e até mesmo prejudica a sumamente harmoniosa relação entre Riad e Washington, como coloca por terra a imagem modernizante do príncipe Mohammed, e faz o Ocidente dar respaldo às críticas do jornalista desaparecido, que vê o governo de seu país como uma tirania sanguinária, e não como um regime em processo "lento, gradual e seguro" de liberalização. 


N. do A.: Para os torcedores da Seleção da CBF, a Arábia Saudita não é só um país exótico regido por uma tirania islâmica que manda cortar a cabeça dos infiéis e promove desaparecimento forçado dos dissidentes: é também um lugar nefasto para o futebol. A ISE, empresa local, fez em 2012 um acordo para organizar amistosos por dez anos com Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF que agora enfrenta processos por corrupção e lavagem de dinheiro, juntamente com José Maria Marin (preso) e Marco Polo del Nero, seus sucessores. Os acordos foram transferidos para a também saudita Pitch International. Por obrigação contratual, foram feitos dois amistosos ridículos contra a Arábia Saudita e a Argentina em Riad, inúteis para avaliar a (questionável) capacidade do time canarinho. Contra o time saudita, a Seleção só fez 2 a 0, o que é péssimo. Hoje, contra uma Argentina sem Messi (e nem Di Maria, Higuaín e Aguero), Neymar, Roberto Firmino e Gabriel Jesus não foram capazes de assegurar a vitória, e sim o zagueiro Miranda, que dificilmente jogará na Copa de 2022 devido à idade, e ainda fez um gol IRREGULAR, fazendo falta em Otamendi. Essas duas vitórias foram consideradas pírricas pela imprensa esportiva brasileira. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário