segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Planos de governo

O autor deste blog não cometerá o mesmo erro de não ler os planos de governo dos candidatos a cargos no Executivo. 

Fiz questão de fazer uma leitura rápida dos documentos publicados por Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, Márcio França e João Dória. 

Em comum, eles falaram muito sobre educação, saúde, segurança, infra-estrutura e miséria, mas pouco falando sobre a gestão dos recursos, o que é preocupante. Como cumprir tudo o que consta nos planos de governo com um Orçamento comprometido pelos gastos com pessoal, aposentadorias (principalmente do setor público) e, principalmente, juros da dívida pública, confirmando a fama dos governos serem maus pagadores?

Outro fato incômodo é o não estabelecimento de prazos. Não se tem uma ideia muito estruturada de como e quando eles implantarão suas propostas, e muito menos quando elas serão concluídas. 

Principalmente os documentos dos candidatos à Presidência possuem forte teor ideológico, criticando os pensamentos contrários, como é de se esperar de políticos relativamente extremistas, mas ninguém fala abertamente em medidas de força, estando de acordo com as liberdades públicas asseguradas pela Constituição. Bolsonaro adota um discurso mais enfático a favor da atual Carta, enquanto Haddad já fala mais abertamente em nova Constituinte. Na economia, Haddad defende ideias desenvolvimentistas e bem pouco afeitas ao rigor fiscal. Bolsonaro adota uma cartilha relutantemente liberal. 

Entre os candidatos ao governo de São Paulo, onde a polarização não é tão acentuada, há economia nas críticas e posições menos extremadas em economia, sendo João Dória mais liberal e menos desenvolvimentista do que o atual governador Márcio França. Nenhum dos dois quer afrontar a Constituição do Estado, subordinada à Carta de 1988. O plano de Márcio França é bem mais detalhado, enquanto o de Dória é resumido e pouco estruturado. 

Há uma diferença na linguagem do plano bolsonarista com os demais: é mais direto e sem tantos termos técnicos, bastante presentes nos demais. Também é mais próximo de um panfleto. Por outro lado, o plano de Haddad é o único onde aparece, bem explicitamente, um tutor para o candidato, no caso, o ex-presidente Lula, ainda preso em Curitiba.

Nenhum deles é um exemplo de capricho e clareza. Cada documento tem suas particularidades e seria demais esperar uma melhor redação, pois não há regras muito rígidas quanto à redação dos textos. E, assim como os documentos não são um primor de qualidade, também não se pode querer uma execução fiel dos planos durante os mandatos, entre 2018 e 2022. Se não tornarem o Brasil pior do que já está e pelo menos os eleitos se esforçarem em adotar algumas decisões republicanas e sábias, previstas ou não em seus planos, os brasileiros poderão se dar por satisfeitos. 


Para ler os textos:

- Jair Bolsonaro: clique AQUI

- Fernando Haddad: clique AQUI

- João Dória: clique AQUI

- Márcio França: clique AQUI

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