quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 15 - A Alemanha de novo!

Está duro ser um torcedor do esporte brasileiro. Digo torcedor de verdade, não elementos que fizeram o francês Renaud Lavillenie comparar a torcida aos nazistas e chorar no pódio como se estivesse passando por uma crise psicótica. 

Thalita e Larissa tiveram de enfrentar as americanas Walsh e Ross, despachadas pela outra dupla brasileira - Agatha e Bárbara - e perderam a medalha de bronze: 2 sets a 1, com um primeiro set muito bom e os demais desastrosos, para fazer a dupla americana conquistar seu prêmio de consolação. Walsh é tricampeã olímpica, mas sentiu o golpe quando perdeu a chance de conquistar o quarto, e chorou como uma atleta brasileira. 

No taekwondo, os brasileiros até que se esforçaram, mas perderam todas as lutas, a maioria nas quartas-de-final, como Iris Sing e Venilton Teixeira. E no handebol masculino, até houve equilíbrio, mas eles tiveram o mesmo destino das meninas: a desclassificação, graças à derrota para os franceses por 34 a 27. Ainda temos um confronto no vôlei masculino, entre Brasil e Argentina, nas quartas. Não é qualquer um que aguenta. 

Já a partida mais comentada do dia foi mesmo no futebol olímpico, com o Brasil enfrentando Honduras, que teve a proeza de eliminar a Argentina com um empate por 1 a 1 na fase de grupos, e a Coréia do Sul por 1 a 0 mesmo atuando pior do que o time asiático. Eles queriam segurar o time brasileiro com um esquema altamente defensivo, com quatro zagueiros, e impor um improvável Maracanazo. Aos 15 segundos, esse planejamento foi abaixo, quando Neymar fez um gol relâmpago, sendo também derrubado pelo goleiro López. Após cinco minutos de apreensão e atendimento médico, o ex-santista voltou, e não teve dificuldades com os hondurenhos, mesmo quando eles passaram a apelar para as faltas violentas. Gabriel Jesus fez dois gols, um deles em condição duvidosa. No segundo tempo, os hondurenhos até tentavam, mas não conseguiram parar de levar gols: Marquinhos e Luan marcaram, e Neymar fechou a goleada: 6 a 0. Foi um jogo com futebol bonito, mas com uma seleção frágil que chegou muito longe. 

Gabriel Jesus (esq.) e Neymar fizeram dois gols cada no massacre

Com a vitória estrondosa, o Brasil vai às finais, novamente no Maracanã. Na Arena Corinthians, a temível Alemanha não se intimidou com a torcida contrária e despachou a Nigéria, com dois gols, de Krostermann e Peterson. 

ELES ESTÃO NO NOSSO CAMINHO NOVAMENTE!

E não só no futebol: as alemãs Ludwig e Walkenhorst, responsáveis pela derrota das brasileiras Larissa e Talita em uma espécie de "Copacabanatzen", vão tentar fazer a torcida sofrer por Agatha e Bárbara. Já houve um confronto, no Circuito Mundial de Vôlei de Praia, em Hamburgo, com vitória da dupla da casa por 2 sets a 1, os dois primeiros muito equilibrados (21/19 para cada lado). Logo, as brasileiras querem a revanche e conquistar o ouro em Copacabana. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 14 - Thiago e Robson: sem choro e com ouro! (Menção honrosa para Isaquias)

Em caráter excepcional, tive de escrever primeiro os insucessos do dia. Agora finalmente vou escrever sobre a medalha inesperada de ontem. 

Todos estavam surpresos com a medalha de Poliana Okimoto e a relativamente frustrante prata para Arthur Zanetti. Do atletismo, poucos esperavam alguma coisa. E foi de lá que veio uma medalha. 

DE OURO!

 Thiago Braz, após saltar 6,03 m na grande final olímpica (Phil Noble/Reuters)

Thiago Braz da Silva, o jovem de 22 anos que teve uma infância difícil, abandonado pelos pais, criado pelos avós, e ainda marcado pelo insucesso no Pan em Toronto, quando fracassou nas eliminatórias, teve de se superar. Foi enfrentar o último campeão olímpico de salto com vara, francês Renaud Lavillenie, e mais outros atletas talentosos, como o americano Sam Kendricks. No final, somente os três ficaram. Kendricks conseguiu pular 5,85 m, mas não além disso. Lavillenie pulou bem mais alto: 5,98 m. Porém, quando a marca ficou em 6,03 m, só ficou no "quase", pois esbarrou na trave e a derrubou, invalidando o salto. O brasileiro de Marília tentou duas vezes: na primeira, nem chegou perto da trave, mas na segunda pulou com sobras. Lavillenie resolveu pular 6,08 m, mas fracassou novamente. E o brasileiro acabou ficando com o ouro. Incrédulo com a sua própria façanha, cobriu-se com a bandeira do Brasil, como é de praxe nos atletas brasileiros vitoriosos. Ao contrário da maioria deles, e do seu quase homônimo do futebol, por ter também um "Silva" no nome, não derramou uma lágrima. 

Restou ao francês reclamar da torcida, que realmente estava mal comportada, como aconteceu várias vezes, vaiando os adversários de Thiago. Chegou a compará-los à torcida da Alemanha nazista, que teria vaiado Jesse Owens nas Olimpíadas de 1936. Foi esculachado por muita gente. 

Hoje, outro brasileiro superou o passado de dificuldades para resolver se dar bem dando socos. Como o paulista Thiago, o pugilista baiano Robson Conceição era pouco conhecido. Foi derrotando seus adversários, com repercussão morna mas crescente, até enfrentar o cubano Lázaro Álvarez, considerado favorito. Com dificuldade, apesar de toda a sua valentia, Conceição venceu, e foi às finais. Foi enfrentar o também surpreendente Sofiane Oumiha, da França, e após uma luta franca, onde os dois partiram para o ataque, o brasileiro venceu por pontos (30-27; 29-28; 29-28). Superou Esquiva Falcão, até então o maior boxeador brasileiro, prata em Londres, e ganhou a sua medalha de ouro, tornando-se o maior lutador olímpico do país na História. Ele havia afirmado que não se contentava com outra medalha, a não ser a dourada. Foi à luta para isso.

 Robson Conceição também era um quase anônimo que virou herói (Peter Cziborra/Reuters)

São feitos notáveis, fazendo o Brasil saltar como Thiago Braz, do trigésimo para o décimo quinto lugar no ranking de medalha. Outro grande esportista que se empenhou e não quis pagar de vítima da falta de patrocínio e incentivo é o baiano Isaquias Queiroz, da canoagem. Em sua primeira participação numa Olimpíada, após fazer bonito no Pan de Toronto, ele disputou a liderança arduamente com o alemão Sebastian Brendel, que mostrou grande categoria e faturou o ouro nos 1000 m. Porém, o jovem baiano não ficou muito atrás, e esta é apenas a sua primeira das três participações na Rio-2016. 

Isaquias cumprimenta o alemão Sebastian Brendel após a disputa (Tom Pennington/Getty Images)

Da série Olimpíadas no Rio, parte 13 - Azar e choro!

A terceira medalha de ontem, como já adiantei, foi a mais inesperada, e mereceu uma postagem à parte, ou melhor, isso ficou para depois, pois existem outros feitos históricos para marcar a história do esporte brasileiro para sempre. Vou abordar em seguida. 

Primeiro, terei de fazer um apanhado das derrotas, que foram muitas, e dolorosas. Por coincidência, esta série de postagens olímpicas é de número 13, tido como de má sorte. Pois houve sorte de menos, e choro demais. 

As meninas do handebol, que tanta alegria deram à torcida, enfrentaram uma Holanda desacreditada, mas motivada para ganhar, e foram engolidas por elas e, também, pelo nervosismo demonstrado em campo. Perderam de forma terrível, e inesperada: 32 a 23. Resta constatar que o handebol está indo para o caminho certo, rumo a uma maior popularização. O handebol masculino deve extrair lições deste jogo, pois vai jogar amanhã, contra o time da França.

Mais doloroso, só o fracasso do futebol feminino: 0 a 0 contra as suecas, cujo futebol se tornou excessivamente defensivo, quase um antijogo. Marta, Beatriz e Andressa Alves, entre outras, não conseguiram marcar, e pagaram um preço altíssimo: a desclassificação nos pênaltis, graças à Cristiane e Andressinha, cobrando mal, tornando tudo difícil para a goleira Bárbara, que ao menos conseguiu defender um penal. Para compensar, Marta cobrou de forma mais caprichada, amenizando o estrago. Agora vão ter de lutar por outra medalha bem menos valiosa e longe de ser realmente desejada pela Seleção, porém também inédita para elas: o bronze. O futebol feminino já ganhou duas pratas, e ficou duas vezes em quarto lugar. Veremos o que elas poderão fazer contra o Canadá. Por enquanto, terão de assimilar a derrota e as críticas, que sempre as taxam de "pipoqueiras" e "amarelonas".

 Um "Maracanazo" que promete ser muito lembrado, como o de 1950, mas desta vez no futebol feminino (André Mourão/O Dia)

Tivemos mais frustração com a má atuação de Fabiana Murer, um caso curioso de ser campeã mundial e, ao mesmo tempo, atuar mal em Olimpíadas. Em 2008, ela teve atritos com a organização dos Jogos em Pequim devido ao extravio de uma vara, sendo motivo de piada também. Em 2012, não competiu, reclamando do vento, gerando ainda mais sátiras contra ela. Agora, quando teve a chance de se redimir, na sua última atuação (por já ter 35 anos), fracassou nas três tentativas, quando a barra estava a apenas 4,58 m do chão. Ela já havia saltado 4,85 m, quando foi campeã mundial na Coréia do Sul (2011). Antes de virar novamente uma "sparring" para os críticos de plantão (este termo do boxe remete à próxima postagem), explicou, chorando, que estava com hérnia de disco.

Além disso, houve a derrota de Larissa e Tatiana no vôlei de praia para as alemãs, perdendo a chance do ouro, a fraca performance de Alan do Carmo na maratona aquática, os outros fracassos nas corridas do atletismo... regados a lamentações, lágrimas e deleite dos praticantes da nova paixão esportiva: o vira-latismo. 

João Havelange (1916-2016) e Elke Maravilha (1945-2016), duas personalidades brasileiras

João Havelange e Elke Maravilha foram duas personalidades inesquecíveis para o Brasil. Foram perdas bastante sentidas em seus meios, respectivamente o futebol e as artes, e dificilmente serão esquecidos. 


O primeiro, filho de belgas, colaborou grandemente para o futebol brasileiro se tornar respeitável e começar a ganhar competições mundiais, como a Copa do Mundo, e, quando foi alçado à presidência da Fifa, expandiu o futebol para regiões onde ele não era praticado e tornou-o um grande negócio, fazendo parcerias com grandes empresários, como Horst Dassler, dono da Adidas, até agora patrocinadora-mor da entidade. Infelizmente, escolheu o caminho da corrupção, favoreceu parentes, como o seu genro Ricardo Teixeira, à frente de uma administração nefasta na CBF, foi acusado dezenas de vezes por enriquecimento ilícito quando era presidente da Fifa, e fez muitas negociatas pouco investigadas na época, como quando foi dono da Viação Cometa, empresa de ônibus rodoviários, ganhando concorrências de forma suspeita e mostrando sua habilidade em fazer alianças políticas, com gente do quilate de Carlos Lacerda e Juscelino Kubitscheck, que eram inimigos ferrenhos entre si. Seu legado, para o bem e para o mal, terá efeitos duradouros para o futebol. 

Elke Maravilha representou uma alegria carnavalesca e irreverente, próxima do arquétipo brasileiro, apesar de ter ascendência russa e nascer na então cidade de Leningrado, atual São Petersburgo, e ser cidadã alemã, sendo cassada de sua cidadania brasileira durante o regime militar, não se interessando mais por restituí-la na redemocratização. Seu nome de batismo era Elke Georgievna Grunnupp, e veio ao Brasil com seis anos, de uma família que fugiu do stalinismo. Após perseguida pela ditadura por sua ligação com a estilista Zuzu Angel, cujo filho, Stuart Angel Jones, foi torturado e sofreu desaparecimento forçado em 1971, passou a ser conhecida pela alcunha, dada pelo teatrólogo Daniel Más, e passou a adotar um visual excêntrico, principalmente quando se tornou jurada do Cassino do Chacrinha, sendo uma das mais queridas do programa. Depois da morte do Velho Guerreiro, passou a atuar no Show de Calouros, do Sílvio Santos. Não mudou o visual, marcado pelas perucas e maquiagem berrante, sempre demonstrando uma alegria irrefreável. Ficou em coma por quase um mês, após uma cirurgia para tratar uma úlcera no intestino. 

Ambos faleceram em meio aos Jogos Olímpicos, quando a perda de gente famosa não recebe tanta atenção da mídia. Por coincidência, no mesmo dia do falecimento dos dois, vários atletas brasileiros sofreram por outro tipo de morte: do sonho por medalhas olímpicas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 12 - Fiasco no basquete e medalhas inesperadas

Começo a escrever pela má notícia, repetindo a velha piada da "notícia boa e outra ruim". O basquete masculino sucumbiu por suas próprias falhas, mais do que pela combinação de resultados. Depois de perder de forma dolorosa dos argentinos após uma disputa ferrenha com direito a duas prorrogações e mais de 100 pontos para cada time, o Brasil teve de vencer a Nigéria por 86 a 69 e esperar o resultado entre Espanha e Argentina para pegar nada menos que o "Dream Team", ou seja, em qualquer circunstância é uma vitória de Pirro de deixar o próprio rei lendário do Épiro ficar com pena do time brasileiro. Os espanhois jogaram com vontade e não deram chance aos hermanos: 92 a 73. Agora os argentinos precisam aguardar o resultado entre Croácia e Lituânia para não terem de enfrentar os americanos na próxima fase. 

Para compensar, existe uma boa notícia: o Brasil voltou a ganhar mais de uma medalha, todas inesperadas. E desta vez não duas, mas três!

Esperava-se que Arthur Zanetti ganhasse o ouro como aconteceu em Londres, mas veio a prata, porque o grego Eleftherios Petrounias fez uma exibição impecável e mereceu ganhar. Zanetti até foi muito bem, mas levou nota 15,766 contra admiráveis 16,000 do oponente. O brasileiro não se mostrou satisfeito com o resultado, embora afirmasse o contrário, mas prometeu melhorar e levar o ouro em Tóquio. 

A torcida esperava o ouro. Não deu para Zanetti conquistá-lo, pois enfrentou um oponente superior (Reuters)

Em outra competição, a maratona aquática, não se esperava medalha do Brasil, mesmo com Poliana Okimoto, que não se deu bem nas outras competições. Em Pequim, esteve longe de convencer. Já em Londres, sofreu uma hipotermia e não completou a prova. No Rio, só chegou em quarto lugar, tentando acompanhar a holandesa Sharon van Rouwendaal, que venceu a prova de ponta a ponta. Ela foi ultrapassada pela italiana Rachele Bruni e pela francesa Amélie Müller. Esta última foi desclassificada por impedir a italiana de prosseguir para colocar a mão na marca de chegada, e perdeu a medalha. Poliana, já conformada com o resultado, foi pega de surpresa quando anunciaram a punição para a rival francesa. Belo desfecho para uma nadadora que sofreu e lutou até os 33 anos, sua idade atual.

Poliana Okimoto herdou o bronze (Danilo Borges/Brasil2016)

Porém, a medalha mais inesperada de todas, a terceira, ainda estava por vir. É o que abordarei na próxima postagem amanhã.

domingo, 14 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 11 - Diego Hypólito se redime e Arthur Nory estreia nos Jogos

Hoje foi um dia dos pais inesquecível, com a disputa olímpica no Rio de Janeiro e a apresentação estupenda de Simone Biles e sua conquista nos saltos individuais, do escocês Andy Murray na final do tênis olímpico contra o surpreendente argentino Juan Martín Del Potro em partida épica, e do rei do atletismo Usain Bolt, ainda imbatível nos 100 m rasos, ao fazer 9s81, marca ainda incrível apesar de ficar longe de sua melhor marca (9s56 em Berlim, 2009). 

Usain Bolt ganhou o seu terceiro ouro olímpico nos 100 m rasos (Yahoo! news)

Os brasileiros dedicaram sua torcida, porém, a dois atletas tupiniquins algo desacreditados, diante de tantas desilusões com nossos esportistas.

Diego Hypolito era ridicularizado como amarelão, muitas vezes tendo sua sexualidade questionada como qualquer ginasta, mas de forma exacerbada, visto que os críticos fazem o famoso argumento ad hominem associando os seus fracassos nas Olimpíadas de Pequim e Londres, com suas atitudes e gostos pessoais. Hypolito ficou estigmatizado por não conseguir medalha olímpica e ainda falhar em momentos decisivos, caindo de forma desastrosa durante suas exibições e chorando copiosamente depois, mais do que a média do atleta brasileiro. Era, em Pequim, favorito ao ouro. Em Londres, virou azarão. Teve de se recolher, superar a depressão e amadurecer psicologicamente, para voltar aos Jogos em plena "pátria-mãe" e surpreender.

Arthur Nory Oyakawa Mariano, visto como mais um da ginástica artística, era mais falado por suas atuações nos bastidores, apontado como autor de uma piada sem graça interpretada como ato racista contra o colega Ângelo Assumpção; além disso, a mídia diz que ele é o namorado da Simone Biles, embora muitos duvidem disso. 

Enfrentando as cobranças da torcida, cansada de ver atleta brasileiro ficar sem medalha, eles foram à exibição solo, e se deram muito bem. Hypolito não poderia ter se apresentado melhor, e desta vez não sentiu a pressão. Nory cometeu alguns deslizes, mas impressionou a torcida e foi bem visto pelos avaliados, que lhe deram a nota 15,433. Apenas o britânico Max Whitlock, também seguro apesar da manifestação vinda das arquibancadas, fez melhor: 15,633. O americano Sam Mikulak sentiu o clima na Arena Olímpica, após se classificar em primeiro, fez atuação insegura e perdeu nota, garantindo o bronze ao nipo-brasileiro. 

Whitlock (ao centro) foi menos celebrado pela torcida da Arena Olímpica do que os brasileiros (Mike Blake/Reuters)

Após muitas lágrimas derramadas, de alegria, principalmente do irmão "chorão" e "ex-amarelão" da Daniele Hypolito, eles foram ao pódio. Nory fez continência, algo detestado pelos auto-intitulados "progressistas", associando o gesto militar com os anos de chumbo (1964-1985). Ele é terceiro-sargento da Aeronáutica - mesma ocupação do maior ginasta brasileiro, Arthur Zanetti, que vai se apresentar amanhã. 

Da série Olimpíadas no Rio, parte 10 - Michael Phelps sai, Usain Bolt entra, e a Seleção de Neymar...

Michael Phelps fez história e colocou o Rio como parte dela, ao anunciar sua "aposentadoria" como nadador olímpico, após ganhar sua medalha de ouro de número 23. Poderia ser melhor para o supercampeão, se ele não tivesse "fracassado" em sua última prova individual, nos 100 m borboleta, largando mal e tendo de mostrar seu poder para chegar junto a outros dois competidores - o sul-africano Chad Le Clos e o húngaro Laszlo Cseh. Quem ganhou foi um fã do americano: o cingapureano Joseph Schooling, com o tempo de 50s39. Os três medalhistas de prata chegaram 75 centésimos de segundo atrás. 

Para compensar essa "mácula", Phelps ajudou a equipe a ganhar o revezamento 4x100 medley, juntamente com Ryan Murphy, Cody Miller e Nathan Adrian. Foi o terceiro a cair na água, facilitando bastante a tarefa de Adrian: administrar a vantagem sobre os britânicos (prata) e os australianos (bronze). Os brasileiros - Guilherme Guido, Felipe França, Marcelo Chierighini e Henrique Martins - não tinham muito a fazer e ficaram numa modesta sexta colocação, encerrando a apagada participação dos nadadores das nossas plagas, todos saindo das piscinas de mãos abanando. 

Ao final, em um misto de jogada de marketing e grande apreço pelo Rio, ele e os seus companheiros abriram um cartaz com os dizeres "Thank you, Rio", agradecendo a cidade e seus habitantes. Ele foi intensamente aclamado. 

A despedida de Michael Phelps, com 23 ouros, 5 deles só no Rio (Gabriel Bouys/AFP)

Hoje outro astro internacional, Usain Bolt, fez o cartão de visitas, mostrando, contudo, que não está em plena forma: classificou-se para as finais na prova de 100 m rasos com o tempo de 10s09 - boa para um corredor comum, mas não para o jamaicano. Ele passa a ser o maior esportista das Olimpíadas com a saída de Michael Phelps, e também vai em busca do ouro. 

Quem está também em busca da medalha amarela é a Seleção olímpica masculina. Contra a Colômbia, Neymar aumentou seu histórico de problemas: brigou com boa parte do time colombiano, chefiado por Teo Gutierrez (que não se envolveu pessoalmente contra ele), quase foi expulso por reagir às provocações e, no final, após esfriar a cabeça, sofreu várias faltas e também simulou algumas delas, fazendo o time rival ser punido com cinco cartões amarelos. Apesar de marcar um gol de falta e voltar a mostrar seu futebol, sua imagem como criador de casos manteve-se, o que não isenta os colombianos de culpa, procurando irritar os brasileiros como se fosse um jogo da Libertadores e não entre duas seleções nacionais, principalmente no primeiro tempo. Luan fez o segundo gol, decretando a passagem dos brasileiros para as semifinais, para enfrentar a surpreendente seleção de Honduras, vencedora do jogo contra a Coréia do Sul. Na final, é bem capaz da Seleção enfrentar de novo a Alemanha, que goleou Portugal por 4 a 0. 

Neymar e Luan fizeram os dois gols da vitória sobre a Colômbia; o sonho do ouro olímpico está mais vivo do que nunca (Mowa Press)

sábado, 13 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 9 - O sufoco contra a Austrália e a quarta medalha

No sétimo dia das competições (após a abertura), o Brasil conseguiu ganhar uma medalha. Duas medalhas de bronze em dois dias seguidos, ambos no judô. Depois de Mayra Aguiar, foi a vez de Rafael Silva, o "Baby", na categoria acima de 100 kg. Ele perdeu do francês Teddy Riner, que mais tarde iria ganhar o ouro, mas ganhou do usbeque Abdullo Tangriev com certa facilidade, mostrando o que ele poderia fazer se não enfrentasse o número 1 do ranking em sua categoria antes, e ficou com o bronze. Um aspecto pouco explorado foi o fato de Rafael Silva também ser militar: todos os medalhistas desta edição dos Jogos, até agora, são sargentos. 

Rafael Silva, judoca e sargento do Exército, faz continência após ganhar o bronze (Murad Sezer/Reuters)

Facilidade as meninas do futebol não tiveram, contra as australianas. Em outra partida equilibrada, mas desta vez enfrentando adversárias muito mais duras que as sul-africanas na fase inicial, as meninas abusaram dos erros de passe e muitas vezes foram dominadas pelo nervosismo. Além disso, o esquema tático do técnico Vadão foi parcialmente neutralizado pela forte marcação das rivais. Mesmo atacando muito mais, o time liderado pela "rainha" Marta não conseguiu marcar nem no tempo normal, e nem na prorrogação. Para piorar, durante a cobrança dos pênaltis, a capitã da Seleção feminina quase se transformou em vilã ao desperdiçar a sua vez. Felizmente, a goleira Bárbara conseguiu defender dois chutes das australianas Gorry (esta cobrou logo após Marta e poderia ter causado uma comoção na torcida) e Kennedy. Após oito cobranças por time, com choro e emoção, mas sem o desequilíbrio emocional visto na Seleção masculina durante a Copa 2014, durante as cobranças de penais contra o Chile, o time brasileiro avançou e irá enfrentar as suecas novamente. 

Goleira Bárbara salvou a Seleção, que vai tentar o inédito ouro olímpico (Divulgação)

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 8 - Phelps, Simone Biles e... Mayra Aguiar

O dia foi de Michael Phelps, soberano nas piscinas com sua excelente performance nos 200 m medley e o quarto ouro somente nesta edição dos Jogos. Ele superou o japonês Kosuke Hagino (prata) e o chinês (Shun Wang), além do brasileiro Thiago Pereira, que pode ser o "rei do Pan", mas nas Olimpíadas teve de medir forças com atletas de nível mundial e escolheu uma tática que acabou fracassando: forçou o ritmo no início, chegando a lutar por uma prata, mas se cansou e ficou apenas em sétimo. Phelps não tomou conhecimento disso e ganhou sua medalha de ouro olímpica número 22.

 A rotina de Michael Phelps (CBSports)

Na ginástica artística, o domínio foi de Simone Biles, muito aclamada pela sua técnica e por lembrar, de longe, a brasileiríssima Daiane dos Santos, mas com a dedicação e o preparo só fornecidos por países que realmente valorizam o esporte, como os Estados Unidos. Ela foi soberana, e dividiu o pódio com a compatriota Alexandra Raisman, e a rival russa Mustafina Aliya. Não deu para Rebeca Andrade, décima primeira colocada, nem para Jade Barbosa, que se contundiu no tornozelo e teve de abandonar a disputa. 

O Brasil, porém, voltou a ganhar uma medalha. Mayra Aguiar não quis ficar de mãos vazias após perder para a francesa Audrey Tcheomé - que viria a perder na final para a americana Kayla Harrison - e enfrentou a cubana Yalennis Castill. Sem muita dificuldade, com um yuko e dois shido (ponto negativo) para a cubana, a brasileira faturou o bronze.

 Mayra Aguiar em ação contra a cubana Yalennis Castill para conseguir a sua medalha (Toru Hanai/Reuters)

Temos uma medalha de cada cor, para certa decepção da torcida, que deve se conscientizar das limitações de nosso elenco e da vontade de vencer de alguns atletas, muitos deles competindo em condições precárias de financiamento e infra-estrutura. Ainda há muitas chances para serem aproveitadas pela frente, e os esportistas brasileiros sabem que não podem desperdiçá-las. Por enquanto, o Brasil está em vigésimo no quadro de medalhas, apenas por curiosidade.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 7 - Não deu a lógica!

Neste dia, o assunto do momento foi a seleção masculina, por dois motivos: 

1. É a equipe mais badalada entre os atletas brasileiros. 
2. Não houve medalha hoje, novamente, mostrando todo o nanismo olímpico nacional. 

Neymar, os Gabrieis, Renato Augusto, Rodrigo Caio, Marquinhos, etc., foram enfrentar os adversários considerados mais fortes, e foram justamente contra eles que houve a vitória e não um empate tétrico sem gols. Não foi qualquer vitória: 4 a 0, contra a Dinamarca!

Após um início morno, como os jogos anteriores, a Seleção olímpica aos poucos foi mostrando as garras e os dentes, motivados por um esquema tático aperfeiçoado, com o baiano Walace, do Grêmio, no lugar de Tiago Maia, suspenso, e só aos 26 minutos veio o que a torcida da Fonte Nova e do resto do Brasil queria ver: gol, de Gabriel (dos Santos), por alcunha o "Gabigol". Os nórdicos foram para segurar o resultado, mas Gabriel Jesus cansou de perder chances de gol, ate conseguir o seu aos 40 minutos.

No segundo tempo, Neymar queria fazer o seu, mas não conseguiu, e só foi decisivo para Luan fazer o terceiro gol, aos 5 minutos. Depois, foi só assegurar o resultado, embora as tentativas do capitão e astro da Seleção fracassassem. Após um teste um pouco mais convincente para o setor defensivo nas tentativas de ataque danês, o "Gabigol" fez mais por merecer o seu apelido, e marcou no final.

Gabigol (dir.) marcou dois. Neymar, nenhum (Reuters)

Apesar da goleada, a Dinamarca foi beneficiada com o empate em 1 a 1 entre África do Sul e Iraque, e também conseguiu a vaga, em segundo lugar. Para o Brasil, resta continuar neste caminho e enfrentar a Colômbia nas oitavas-de-final.

Futebol é mesmo um esporte onde a lógica não funciona.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

A política não nos deixa em paz

Enquanto nos Jogos os atletas encantam e decepcionam a torcida, no mundo real do Brasil, nossa política continua a roubar a atenção da mídia e da opinião pública - felizmente, pois a vida continua. 

Celso Russomano queria aguardar a decisão do STF para entrar com tudo na campanha para a Prefeitura. Cinco ministros analisaram o caso. Celso de Mello, Dias Toffoli e Gilmar Mendes votaram a favor do candidato do PRB. Dois, Carmem Lúcia e Edson Fachin, votaram contra. Assim, Russomano, acusado de peculato ao empregar uma gerente de sua produtora de vídeo como funcionária de seu gabinete, foi inocentado e não é considerado "ficha suja". Porém, ele não terá vida fácil pela frente e muitos ainda o veem como mais digno de ter sua cabeça espetada numa estaca do que de ser prefeito na capital paulista - ele e todos os outros candidatos, diga-se.

Outro fato político é o julgamento pelo Senado do relatório feito por Antônio Anastacia para condenar Dilma definitivamente. Todos os senadores devem votar. Até agora 24 votaram a favor e 17 contra. Esta é uma prévia do julgamento em definitvo, embora, ao contrário da última fase, só seja preciso maioria simples para transformar Dilma em ré.

Da série Olimpíadas no Rio, parte 6 - Simone Biles brilha; Serena decepciona

Em dia catastrófico para os atletas brasileiros - a nadadora Joanna Maranhão, militante política, é eliminada e briga com a torcida; as meninas do basquete perdem de novo, para as bielo-russas, após desperdiçarem uma vantagem de 18 pontos; a ginástica artística feminina foi uma decepção; Mariana Silva lutou mas enfrentou a eslovena líder do ranking para lutadoras de 63 kg, Tina Trstenjak, e a holandesa Anicka van Enden, e acabou sem medalha... enfim, mas ainda faltam o vôlei masculino e o futebol feminino, além de haver algumas vitórias, no vôlei de praia com Talita e Larissa, e no basquete masculino, vencendo a favorita Espanha por 66 a 65. Ou seja, nada de medalha hoje, mas o dia não está perdido.

Deixemos os brasileiros um pouco de lado. Os maiores atletas estão lá fora. Michael Phelps já ganhou uma medalha, de ouro para (não) variar, no revezamento 4 x 100. Usain Bolt, da Jamaica, ainda vai competir, nas provas de atletismo. O time de futebol feminino dos Estados Unidos ainda é considerado o franco favorito, e está jogando agora contra a Colômbia, vencendo mas com direito a uma falha de Hope Solo, eleita uma das "inimigas" da torcida brasileira por temer a zika. A falha foi logo cornetada. 

Houve decepções, porém. As maiores ficaram no tênis. Nowak Djokovic, o melhor tenista da atualidade, já foi eliminado sem levar nem o bronze, por culpa do argentino Juan Martin Del Potro, um dos poucos tenistas que lhe causaram dificuldades, em partida vencida por 2 sets a 0, parciais de 7/6. O sérvio destacou-se pela simpatia em relação à torcida, e como um atleta brasileiro saiu chorando a derrota. Ontem, ele tinha esperança de se recuperar, mas houve suspeita de algum problema físico que o impedia de fazer seus impiedosos saques. Essa suspeita confirmou-se quando ele e seu parceiro Nenad Zimonjic foram derrotados pela dupla brasileira Marcelo Melo e Bruno Soares por 2 sets a 0, em partida emocionante. O sérvio terá de perseguir o ouro olímpico em Tóquio, se as condições físicas permitirem - ele conquistou apenas um bronze, na Olimpíada de Pequim. 

Hoje, quem foi eliminada é a número 1 do tênis feminino, Serena Williams. A americana, aparentemente imbatível, foi suplantada pela ucraniana Elina Svitolina nas oitavas-de-final, por 2 a 0, parciais de 6/4 e 6/3. Ontem, ela e Vênus Williams já haviam decepcionado o público ao perderem nas duplas para as checas Lucie Safarova e Barbora Strycovam por 2 a 0 - 6/3 e 6/4.  

Serena ganhou ouro em Sydney, Pequim e Londres, mas vai sair do Rio sem medalha (Reuters)

Com duas estrelas deste porte apagadas, quem continua a brilhar foi a ginasta americana Simone Biles, medalha de ouro. Ela foi a sensação das últimas competições internacionais, vencedora dos últimos três Mundiais e agora levou a medalha de ouro por equipes, consagrando sua acrobacia. Sua especialidade é o salto, e na disputa classificatória, ela conseguiu 16.050 pontos, patamar nem sequer cogitado pelas concorrentes brasileiras. Abaixo, um vídeo do Youtube (do canal TopCorner Football) mostrando seu desempenho na prova classificatória:

A incrível estrela da ginástica mundial

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 5 - Rafaela Silva e as meninas do futebol

No sábado, mesmo dia da primeira medalha olímpica para o Brasil, o futebol feminino voltou a empolgar a torcida e massacrou o time sueco por 5 a 1, com direito a dois gols de Marta. Cristiane sentiu dores na coxa e foi substituída. Foi constatada uma lesão, e ela pode ficar pelo menos duas partidas sem jogar. Enquanto isso, os brasileiros dão todo o apoio para a Seleção que dá certo. 

Há duas seleções da CBF, e uma delas ainda empolga o torcedor, mas infelizmente só chama a atenção nas Olimpíadas e no Pan (Daniel Kfouri)

Sim, porque a outra está dando errado. Empatar com o Iraque por 0 a 0, sem gol algum, pode ser comparado ao 7 a 1 naquele 8/7. Neymar e Renato Augusto, principalmente, levaram vaias, por apresentar um futebol muito abaixo do esperado - assim como os Gabriéis. A seleção masculina voltou a apresentar um futebol feio como o "Estado Islâmico", que devasta o país do time adversário. 

Saindo do futebol, temos a segunda medalha, e logo a mais cobiçada. Rafaela Silva superou a dor de ser desclassificada numa luta contra a húngara Hedvig Karakas, e ainda aguentou o racismo de alguns torcedores nos Jogos de Londres. Ela teve de superar tudo isso, preparar-se melhor, chegou a terceiro-sargento da Marinha, ganhou o Mundial de 2013 e foi medalha de bronze no Pan de Toronto, dois anos depois, até enfrentar uma série de lutas, entre as quais com a mesma adversária de 2012, derrotando-a desta vez de forma convincente, até se digladiar na final com a número 1 do mundo na sua categoria, até 57 kg, Dorjsürenglin Sumiya, da Mongólia. Após um minuto de combate equilibrado, Rafaela aplicou um wasari, e venceu. A jovem negra vinda da Cidade de Deus superou a pobreza e a humilhação em Londres, e mais uma vez um militar ganhou: Felipe Wu, do tiro, é sargento do Exército. 
Rafaela Silva lutou dentro e fora dos tatames até conseguir a medalha de ouro nos Jogos (David Ramos/Reuters)

Rafaela Silva e o futebol feminino estão levantando a moral do brasileiro, ao lado do handebol feminino, que hoje venceu o forte time romeno por 26 a 13. Outros atletas estão se empenhando para manter os ânimos em alta.


N. do A.: Tivemos também uma boa apresentação da ginástica artística nos últimos dois dias. Flávia Saraiva e Rebeca Andrade fizeram bonito, embora Daniele Hypolito e Jade Barbosa decepcionassem. Elas se apresentarão para tentar ganhar medalha amanhã. Hoje, a equipe masculina ficou em sexto lugar, longe do pódio, mas bem melhor do que nas outras vezes.

sábado, 6 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 4 - Abertura para calar os críticos! ...

Alguma coisa decente tinha de acontecer numa Olimpíada temida por muitos, pela desorganização, violência, lixo, poluição e outros aspectos exaustivamente explorados pela mídia internacional e, principalmente, nacional. Felizmente, ela aconteceu logo no início.

Uma abertura incrível, indescritível, muito além do esperado, apesar de terem gasto R$ 225 milhões, bem menos do que os gastos com a festa inaugural dos Jogos em Londres. Começou falando sobre a História do Brasil, depois o 14 Bis, o crescimento do Rio, a Bossa Nova, Gisele Bündchen, funk, Regina Casé, sementes para a Floresta dos Atletas, no complexo olímpico de Deodoro, desfile das delegações, discurso dos presidentes do COB (em inglês trôpego) e do COI (em três idiomas, traindo seu sotaque alemão), breve anúncio do Temer (e vaias), apoteose carnavalesca e acendimento da pira (a última e melhor parte da festa).

Melhor do que palavras são as imagens. 

  No início, Paulinho da Viola canta o Hino Nacional com uma formação de cordas...

 ... depois a tal "gambiarra" com a formação das ocas indígenas...

 ... e depois dos índios, vieram os escravos ...

 ... e o Rio foi se formando...

... até surgir o auge da primeira parte: o voo de uma réplica do 14 bis!

 Surgiu a Bossa Nova e Gisele Bündchen desfilou ao som de Garota de Ipanema tocado pelo neto de Tom Jobim...

... mas depois veio o funk e a bagunça. Regina Casé, em inglês macarrônico, tentou botar ordem. 

O palco se preparou para as delegações olímpicas ...

Yane Marques, bronze no pentatlo moderno em Londres, foi a porta-bandeira da delegação brasileira, a maior da História. 

Ao final das apresentações, as sementes destinadas à Floresta dos Atletas "cresceram" simbolicamente, formando os cinco aros olímpicos todos em verde...

O presidente do COB Carlos Arthur Nuzman, ao lado de Thomas Bach fez o discurso nervosamente e virou piada ao falar em inglês

Depois da apresentação, Gil, Caetano e Anitta se apresentaram

A Apoteose ao estilo do Carnaval carioca indicava o momento mais esperado...

... a chegada da Tocha Olímpica ao Maracanã, nas mãos do ídolo do tênis, Guga...

... depois, Hortência e, por fim, o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, dono da única medalha Pierre de Courbertin da América Latina. Ele teve a honra de acender a pira olímpica...

 ... transformada numa estrutura de encher os olhos, refletindo a luz da chama sagrada!


... mas que magreza de medalhas!

Em compensação à abertura de ontem, o Brasil começou de forma modesta. 

Nas competições individuais, o único êxito é a prata - inesperada - do brasileiro Felipe Wu, no tiro esportivo, modalidade pistola. É um feito histórico, porque este esporte não rendeu uma única medalha na história das Olimpíadas. Ele perdeu por pouco (fez 202,3 pontos), enquanto o vietnamita Xuan Vinh Hoang recuperou-se após alguns tiros imprecisos, e fez um último disparo, quase no centro do alvo, que lhe valeu o ouro. 

 Felipe Wu fez história nos jogos e inaugurou o quadro de medalhas para os atletas brasileiros (Pascal Guyot/AFP)

Felipe Wu foi o primeiro medalhista brasileiro, e merece os parabéns. Porém, outros competidores decepcionaram e enfrentaram adversários mais preparados. Sarah Menezes não teve vida fácil e acabou perdendo a medalha de bronze para a mongol Urantsetseg Munkhtat, e acabou deslocando o braço na luta. Felipe Kitadai não teve melhor sorte. Perdeu por ippon para o uzbeque Diyorbek Urozboev. 

Nos esportes coletivos, as brasileiras do basquete perderam para o time australiano por 84 a 66. Elas lideravam até o início do terceiro quarto, mas permitiram a reação das adversárias. Não é um bom começo para as sucessoras de Hortência e Paula, os maiores nomes do basquete feminino no Brasil. 

Enquanto isso, quem deu alegria para a torcida foi o handebol feminino, com vitória sobre as bicampeãs olímpicas, as norueguesas, por 31 a 28. Espera-se que este ritmo se mantenha, rumo a uma campanha que promete ser inesquecível.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 3 - Acompanhando a abertura

No momento estou acompanhando a abertura. Tudo muito bonito, excedendo as expectativas. Uma análise melhor será feita na próxima postagem, amanhã. 

A representação do solo brasileiro se transformando é algo inesperado, levando-se em consideração a menor verba destinada ao espetáculo, em comparação com Londres. Agora estou acompanhando o surgimento dos prédios. Nada mal. Parece ser a parte da verba olímpica melhor investida.
 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 2 - A Seleção Olímpica começa com o pé esquerdo!

Gostaria de ter escrito um título semelhante ao anterior, quando a Seleção feminina de futebol venceu as chinesas com autoridade. As circunstâncias não permitiram isso: Neymar e a seleção masculina olímpica fizeram uma partida lamentável contra a África do Sul e mereceram o empate em 0 a 0. 

Nem o astro do Barcelona, nem os Gabriéis tão comentados conseguiram vencer a marcação sul-africana, bastante aplicada, mesmo com um a menos a partir dos 14 minutos da etapa final, quando Mvala deu entrada dura em Zeca e foi expulso. Por outro lado, o setor defensivo não teve muitos problemas quando os africanos contra-atacavam. 

Foi o capitão da seleção que teve as maiores chances, e desperdiçou. Gabriel Jesus, negociado para ir ao Manchester City a partir de janeiro, nada conseguiu fazer. O outro Gabriel, o "Gabigol" santista, próximo de ir ao futebol italiano, também não mostrou todo o seu talento. 

Por sorte da Seleção amarela, a Dinamarca perdeu uma ótima oportunidade de conseguir seus três pontos, e só empatou com o Iraque, por 0 a 0. Este grupo A está embolado, e pelo futebol apresentado dificilmente o campeão poderá sair de um destes quatro times. 

 Gabriel Jesus lamenta e a Seleção olímpica toma uma merecida vaia no Mané Garrincha (Michel Filho / Ag. O Globo)

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Da série Olimpíadas no Rio, parte 1 - As meninas do futebol começam com o pé direito

Dois dias antes da abertura dos Jogos, o futebol já inicia suas partidas, como já é praxe. Hoje, foi o início das disputas no futebol feminino, e amanhã, será a vez do masculino. 

A Seleção feminina começou arrasando e empolgando a torcida: venceu a China facilmente por 3 a 0, gols da zagueira Mônica e das atacantes Andressa Alves e Cristiane, uma das veteranas do time, que ainda teve Marta, a "rainha do futebol", e Beatriz, que promete fazer bonito nas partidas. 

Com este resultado, o time dirigido por Vadão assumiu a liderança do grupo E, formado ainda pela Suécia e pela África do Sul. As duas seleções restantes também se enfrentaram hoje, com vitória magra das nórdicas por 1 a 0, gol de Fischer. 

Pelo futebol apresentado, as meninas têm cacife para irem longe, e espera-se que elas não repitam o desempenho de outros Jogos, quando empolgaram no começo, mas tropeçaram nas partidas decisivas. Nas Olimpíadas de Londres, elas foram bem na primeira fase, mas sucumbiram diante das japonesas nas quartas-de-final. 

 Andressa Alves abraça Marta na comemoração do segundo gol; a líder e maior estrela da Seleção feminina fez o passe para a jovem atacante marcar (Gonzalo Fuentes/Reuters)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Aos trancos e barrancos, o Brasil se prepara para os Jogos

O Rio de Janeiro está se preparando para o grande evento do mês, apesar de toda a repercussão negativa gerada pela desorganização, explorada pela mídia como se os Jogos fossem na República do Bananistão. 

Fizeram questão de divulgar o descontentamento dos chineses, insatisfeitos com seus alojamentos na Vila Olímpica, o atropelamento de um ciclista coreano, o pânico no Parque Aquático por causa de uma mochila, os roubos e furtos que já estão vitimando alguns atletas. 

Problemas assim ofuscam o destaque dado a quem irá participar do grande evento, como Rafael Nadal, Nowak Djokovic, Michael Phelps, Usain Bolt, Shelly-Ann Frazer-Pryce, Simone Biles, Florent Manaudou, Zhu Ting e, naturalmente, nossos atletas mais destacados: Arthur Zanetti, Sarah Menezes e as equipes de vôlei e futebol, incluindo nesta última o mais polêmico de todos - Neymar. E outras notícias relacionadas, sobre quem irá acender a pira olímpica - provavelmente Pelé - precisam também disputar atenção com os problemas.

Quanto ao ilustre prefeito Eduardo Paes, ele faz mais um "grande" ato, ao lado de outras demonstrações de grandeza como líder da cidade olímpica: decretou feriado na quinta-feira, quando a tocha chegará ao Rio. Já existem outros três: na sexta (naturalmente, devido à cerimônia de abertura), no dia 18, durante as provas de triatlo (o que é estranho), e no dia 22 - e não no dia 21, quando as Olimpíadas se encerram.


N. do A.: Os prós e os contras desta (des)preparação foram passados em segundo plano com o anúncio, feito por Renan Calheiros, da antecipação da etapa que encerra o processo de impeachment, para acabar com a agonia de Dilma Rousseff. Será no dia 25 de agosto, e não mais no dia 29, para minimizar o risco de tudo isso terminar só no mês que vem. Enquanto isso, o relator Antônio Anastasia recomendou a cassação, acusando a presidente afastada de afrontar a Constituição por repasses ao Banco do Brasil e mascarar as contas do governo, à revelia do Congresso (leia o relatório clicando AQUI).

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Protestos sem gente e sem repercussão

Ontem, houve uma série de protestos contra a corrupção e a favor da Lava Jato, ao lado de outros que pediam a volta de Dilma Rousseff ao cargo. 

Tanto um quanto outro foram um fracasso: sem repercussão e muito menos gente para participar. Somados, os números dos manifestantes anti-corrupção não passaram de algumas dezenas de milhares. Um número irrisório, diante dos milhões que lotaram as ruas nos protestos anteriores. Os protestos a favor da volta da presidente afastada até conseguiram maior espaço na mídia, mas continuaram a ter bem menos gente. 

Em ambos os casos, a explicação é a mesma: Dilma Rousseff já foi afastada, e tem poucas chances de voltar. E o governo Temer, sem empolgar e mantendo, de certa forma, as mesmas práticas nefastas típicas do nosso "presidencialismo de coalizão", tampouco foi um desastre esperado pelos "vermelhos" que gritaram "Fora Temer" e pediam de volta a antiga situação política, anterior ao 12 de maio. Também o desânimo e a desilusão do brasileiro comum diante da política explicaria a baixa adesão.

Isso não significa o fim dos protestos: no dia 29, começa a parte final do processo de impeachment, e veremos, talvez no início do próximo mês, os senadores a votar. Então, os anti-Dilma irão comemorar, enquanto os favoráveis a ela protestarão. Espera-se que, de um lado, a população cansada de ser espoliada continue a manifestar seu descontentamento, exigindo mais ética na política e permanecendo vigilante aos atos de governantes e parlamentares, e, de outro, respeito à lei e à ordem por parte dos apoiadores da sucessora e discípula de Lula, abstendo-se de atos violentos.