quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Da série 'Noventolatria', parte 9 - Os 20 anos da morte de Lady Di

Morta há exatos 20 anos, a princesa Diana era sinônimo de beleza e altruísmo, mas também significava uma vida de "pobre menina rica". Teve um casamento infeliz com o príncipe Charles, com quem teve os filhos, príncipes William e Harry, dedicou-se a causas humanitárias como a luta contra as minas terrestres e a AIDS, teve sérios atritos com os protocolos oficiais da realeza britânica e foi alvo constante dos paparazzi, principalmente devido aos casos extraconjugais. 

Diana Spencer, princesa de Gales (1961-1997) (Divulgação)

Se ela estivesse viva, estaria com 56 anos. Morreu aos 36, num acidente de carro até hoje mal explicado, juntamente com seu último amante, o playboy egípcio Dodi al-Fayed, supostamente causado pela perseguição de fotógrafos. Teorias da conspiração tentam desvendar o evento trágico que chocou e comoveu o mundo, geralmente confundindo os fatos ainda mais (clique AQUI, de acordo com o site "Megacurioso"). 

A princesa é lembrada até agora por ser um dos ícones dos anos 90, a década marcada pela maior consciência ambiental e pelo fim da Guerra Fria. Com sua morte terrível, ela marcou o ano de 1997, mais do que qualquer outro acontecimento: naquele ano, houve a grande crise econômica mundial, mas também a mania do brinquedinho eletrônico chamado de tamagotchi (o maldito bichinho virtual) e o auge do grupo baiano de axé É o Tchan!, entre outros aspectos lembrados pelos noventólatras.

Não faria muito sentido especular sobre "e se ela estivesse viva?", mas possivelmente estaria a conservar parte da beleza, talvez com intenções de levar os netos para viagens humanitárias, causando preocupações ao príncipe William, mais afeito à tradição, e principalmente à Sua Majestade Britânica, a rainha Elizabeth II. 

Para se ter uma ideia da vida breve da princesa, o atual presidente do Brasil, Michel Temer, era já adulto quando Lady Di nasceu, e a Kombi, veículo que só foi tirado de linha em 2013, já estava em produção naquele tempo. Mas estas são curiosidades que nem todos vão querer saber. A vida de Diana Spencer e seu significado para o mundo merece mais destaque do que isso.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Agosto ainda não terminou

Pelo jeito, depois desse mês de agosto, vem um "setembro negro". 

Um mega-acidente na Rodovia Carvalho Pinto com duas mortes até é algo palatável, embora trágico e doloroso, principalmente para as famílias dos mortos, mas pior do que esse notícia insistentemente explorada pela mídia, temos: 

- O relatório do Rodrigo Janot, procurador-geral da República, em seu esforço para tentar o impeachment  de Michel Temer, valendo-se agora do depoimento de Lúcio Funaro. Vai fazer só barulho, pois o atual presidente mostra capacidade de articulação e resistência, apesar de sua popularidade rente ao chão e métodos para conquistar o apoio do Congresso. Edson Fachin analisou e devolveu para a PGR para fazer ajustes. 

- Aquele arremedo de reforma política não consegue avançar e irá se arrastar pelo menos até setembro. Teme-se pelo naufrágio desse projeto mal-acabado e deixar tudo na mesma situação, deixando a sensação incômoda de terem feito uma "cortina de fumaça" para fingirem mostrar serviço - uma obra de fancaria dando lugar a obra nenhuma. 

- O furacão Harvey revelou ser ainda mais devastador, matando 15 pessoas no Texas. Os prejuízos chegam a bilhões de dólares. 

- A piora na situação da Coréia do Norte, capaz de fazer 2018 ser ainda pior do que 2017 e, na pior das hipóteses, transformar o planeta num matadouro humano. 

- Basta falar sobre um asteroide a passar "perto" da Terra que aumentam as especulações sobre um futuro impacto: um bólido chamado Florence, de 4 quilômetros de diâmetro, vai passar a 7 milhões de quilômetros daqui - pouco, em termos astronômicos. Será na sexta, quando o "mês de desgosto" já estaria acabado. Parece que alguns nem disfarçam a torcida por um (improvável) erro de cálculo da Nasa devido a tantas notícias ruins neste ano de 2017. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Próximo do ponto de não retorno

Segundo informações do governo norte-coreano, este seria o foguete que sobrevoou Hokkaido e caiu no Pacífico (Reuters/KCNA)
O ponto de não retorno é, na linguagem técnica e política, uma situação a partir da qual é impossível haver um desfecho favorável. E isso está próximo de ser atingido agora, quando o líder norte-coreano Kim Jong-un mandou lançar um míssil que sobrevoou os céus de Hokkaido (norte do Japão), partiu-se em três e caiu no Pacífico, a 1.180 km da costa japonesa e aproximadamente a mesma distância da Península do Kamchatka, na Rússia. 

Mapa mostrado pela AFP com base em depoimentos dos governos sul-coreano e japonês, com a trajetória do míssil

Forças de Pyongyang confirmaram se tratar de um modelo de médio alcance. Justificaram dizendo que era um "primeiro passo" para "conter a ameaça americana" em Guam, protetorado dos EUA no arquipélago das Marianas. 

Embora as ações do governo americano sejam consideradas mais uma reação às ações norte-coreanas, Kim Jong-un quer entender o contrário, tentando passar-se por vítima do imperialismo representado por Donald Trump. Este conversou com o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e declarou que "todas as opções estão na mesa". Antes, ele, no seu estilo intempestivo e bem acima do tom empregado nas declarações de seus antecessores, havia ameaçado o tirano com "fogo e fúria" caso houvesse um ataque a Guam ou às forças americanas no Pacífico.

Japão, Coréia do Sul e Estados Unidos querem ainda conversar com os (ainda) aliados de Jong-un, China e Rússia, para novas tentativas de diálogo e evitar o ponto de não retorno causado pelo destemido de Pyongyang (e, até certo ponto, pelo boquirroto de Washington), capaz de mudar o destino de todos, inclusive de nós, brasileiros. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Outras notícias do Brasil

O presidente Temer criou um evidente mal estar sobre a Renca, reserva ambiental entre Pará e Amapá, e outras reservas ambientais, porém mais tarde ele fez uma tentativa de esclarecer a celeuma toda, anunciando uma equipe de acompanhamento da antiga reserva. Mesmo assim, o ceticismo permanece. 

Ontem houve protestos, muito pequenos, contra as decisões de Gilmar Mendes, acusado de querer "neutralizar" a Lava Jato. Juízes devem ter autonomia para tomarem decisões segundo a lei e não de acordo com a gritaria de alguns setores, mas ao mesmo tempo eles devem responder pelos seus atos, como qualquer cidadão. 

Por outro lado, o juiz Sérgio Moro também ficou em uma situação nada confortável porque seu amigo e advogado trabalhista Carlos Zuccolotto foi acusado de receber "por fora" enquanto fez intervenções na Lava Jato, como abrandamento de penas. Uma dessas intervenções envolveu o acusador, Rodrigo Tacla Duran, ex-funcionário da Odebrecht acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, refugiado na Espanha apesar de haver uma ordem de prisão contra ele. 

Enquanto isso, o ex-presidente Lula acusou os "meninos" da Lava Jato de terem "matado" a mulher, Marisa Letícia, ao acusarem-na de corrupção juntamente com o marido. Ele chegou a chamar os procuradores de "facínoras". Parece algo calunioso e desequilibrado, mas foi bem calculado para impressionar os (poucos) correligionários dele no discurso de hoje, em Currais Novos (RN).

Outros políticos estão na mira da Justiça, como Renan Calheiros em mais uma ação, agora envolvido no caso do fundo de pensão dos Correios, o Postalis, por ação monocrática do ministro do STF Luís Roberto Barroso; José Serra também foi alvo de uma ação de outra ministro do Supremo, Rosa Weber, por indícios de envolvimento no caso JBS. Romero Jucá também é alvo da Procuradoria-Geral da República, por ter recebido R$ 150 mil em propina da Odebrecht. Neste último caso, resta saber se é para valer ou mais uma ação aparentemente política de Rodrigo Janot,

Para a maioria da população, coisas mais corriqueiras também atrapalharam e muito, como o vandalismo e roubo de cabos elétricos nas linhas da CPTM (linhas 11 e 12, Zona Leste, entre as estações Brás e Tatuapé). 

Estudo breve sobre a situação na Amazônia após más notícias vindas do governo

Quando se trata de preservar o meio ambiente, Temer não é exceção. 

Os governantes, via de regra, são culpados pela devastação na Amazônia. Quando há fiscalização, ela se mostra-se vulnerável ao suborno e é facilmente burlada pelos madeireiros clandestinos, caçadores ilegais e desmatadores. 

Sempre há discurso a favor do meio ambiente, mas na prática continuam a devastação, a exploração desordenada, a grilagem de terras, o desrespeito aos povos indígenas e à biodiversidade. 

Durante a Nova República, pelo menos houve uma máscara - ilusória - de preocupação com a Amazônia e outros ecossistemas. Nos últimos anos, os acordos climáticos forçaram o governo a divulgar mais ostensivamente os seus números, mostrando que se está fazendo esforços maiores pela preservação. Existem motivos para se duvidar de uma queda tão grande nos índices, a partir de 2005, durante os governos Lula e Dilma. Houve, no ano anterior, o lançamento do Plano de Ação para a Prevenção e Controle da Amazônia Legal, o PPCDAm. 

Taxa de desmatamento na Amazônia Legal de 1988 a 2015, segundo dados do Prodes

Certamente houve uma queda, mas levando-se em conta os dados oficiais, o desmatamento ainda não é pequeno - antes de 2004, era escandalosamente alto. Métodos agrícolas para melhorar a produtividade e um ritmo menor de ocupação de novas áreas por pastagens limitam o estrago causado pelo agronegócio na região. Madeireiras e mineradoras clandestinas são pragas difíceis de serem combatidas, uma vez instaladas, ainda mais em áreas de fiscalização ainda deficiente, como na quase totalidade da Amazônia. E os conflitos entre grileiros e outros criminosos contra indígenas e trabalhadores rurais precisam ser tratados com a energia da lei. 

A decisão de Temer de extinguir reservas ambientais, como a Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados), é com toda a razão muitíssimo mal vista pelos ambientalistas, mas as existentes nunca recebem o devido cuidado. Naquele lugar estava havendo mineração clandestina, como mostrou a Folha de S. Paulo há alguns dias (clique AQUI). A contaminação por mercúrio, pelos níveis apresentados em certas espécies de peixes, não é recente, mostrando o perigo dessas atividades não regulamentadas.

A medida é ainda mais intragável por se tratar de um DECRETO, ou seja, sem submeter a questão ao Congresso Nacional. Obviamente, a decisão não seria diferente, mas a fachada não seria tão discricionária. 

Por outro lado, não se espera uma explosão de desmatamento, como antes de 2004. O Brasil precisa cumprir acordos internacionais, como o de Paris, que prevê desmatamento zero em 2030, algo difícil de acontecer, mas não de todo inviável. E, além disso, não é possível tratar a Amazônia como santuário intocável, mas uma maior racionalização na exploração das riquezas locais, pelos governos e setores produtivos (agronegócio, silvicultura e mineradoras brasileiras e estrangeiras devidamente autorizadas para trabalharem por lá) precisa ser um imperativo. Pode-se fazer isso sem decretar a extinção de reserva ambiental alguma. 

Apesar de se tirar um pouco da sensação de faz-de-conta oficial na questão do meio ambiente, o recado dado pelo governo não é bem visto pelos países mais avançados e pela opinião pública. 

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O primeiro grande teste de Neymar

Hoje sortearam os grupos da Liga dos Campeões da Europa, a Uefa Champions League (UCL), e houve a formação de dois grupos bem duros, os chamados "da morte", formados por: 

Chelsea, Atlético de Madrid, Roma, Qarabad (este time do Azerbaijão teve o azar de cair neste grupo, o C); 

Real Madrid, Borussia Dortmund, Tottenham, Apoel (grupo H). 

O atual bicampeão ter trabalho já no começo não foi a coisa mais comentada. Nem o Barcelona enfrentar logo a Juventus, responsável pela sua eliminação no último torneio (com Neymar e tudo). Para os acompanhantes da grande disputa do futebol europeu e mundial, o assunto do momento foi o ex-santista, agora no PSG, encarar o Bayern de Munique, eterno postulante ao título. 

O time comandado por Carlo Ancelotti, que já dirigiu o PSG em 2012, não será fácil, apesar das campanhas relativamente decepcionantes nos últimos tempos. Ele tem o polonês Lewandowski e boa parte da seleção alemã, aquela do 8/7, como Neuer, Thomas Müller e Matt Hummels, além de astros consagrados mas já envelhecidos como o francês Ribéry e o holandês Robben. A equipe alemã quer provar que superou a pré-temporada fraca e as saídas de jogadores importantes como Phillip Lahm e Douglas Costa (este foi para a Juventus) para dar lugar ao colombiano James Rodriguez. 

Por sorte, o time francês e seu astro, o mais caro de todos os tempos, vai disputar ainda com times candidatos certos à eliminação: o escocês Celtic e o belga Anderlecht, que já tiveram dias bem melhores em torneios passados. 

Neymar e seus companheiros Cavani, Thiago Silva, Daniel Alves, Marquinhos, Lucas, Rabiot, Di Maria (o argentino será dúvida, pois é alvo do Barcelona) e Draxler (este último da seleção alemã e sonhado no Bayern) não terão sossego, principalmente no Allianz Arena. No Parc des Princes, a coisa pode ser bem diferente. Os dois confrontos podem decidir quem vai ser o primeiro ou o segundo do grupo. Para justificar o alto investimento no ex-menino da Vila (Belmiro), um resultado diferente da liderança no grupo B será motivo de críticas pela imprensa mundial.

Da série "Mondo Brasile", parte 7 - O selo

Quem merece este selo, entre as forças que ameaçam transformar o Brasil na maior espelunca do mundo? Nota: esta insígnia não visa marcar pessoas, e sim atitudes que cidadãos corretos evitam tomar; nada impede que qualquer um desses nomes citados aqui venha a ser elogiado por ações benéficas.

1. Dois acidentes com embarcações mataram dezenas de pessoas no Rio Xingu e, hoje, na Baía de Todos os Santos. Tudo fruto da negligência e do verdadeiro desprezo às normas de segurança. Não adianta culpar a natureza, as tempestades ou as ondas fortes, assim como é contraproducente querer uma punição dura aos culpados desses ASSASSINATOS - sim, é bom descrever as coisas como elas são - sem tomar medidas efetivas para aumentar a segurança das embarcações. E não é razoável querer a proibição desse tipo de transporte, muitas vezes a única alternativa. Pelo menos as equipes de resgate atuaram com eficiência e prontidão, pois sem elas o número de mortos ou desaparecidos seria certamente muito maior.

2. O Supremo Tribunal Federal, mais precisamente os ministros Luís Fux, Alexandre de Morais, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello, merecem o selo, por terem votado a favor da comercialização do amianto crisolita no país, uma substância proibida em 60 países, e não comercializada em nenhum país adiantado. Argumenta-se que o crisotila é bem menos perigoso do que o outro tipo de amianto, o anfibólio, mas exames comprovam a periculosidade do crisolita como cancerígeno. Eram necessários seis votos para proibir a substância, ainda muito presente nas casas e nos veículos (como componente das pastilhas de freio), e, numa primeira votação, somente cinco deles votaram neste sentido: Celso de Mello, Rosa Weber, Edson Fachin, Ricardo Lewandowski (sim, ele pode tomar decisões sensatas) e Carmen Lúcia. Em votação para analisar as legislações estaduais, Dias Toffoli, um dos dois que não votaram antes, foi a favor dos Estados terem autonomia para legislarem sobre o assunto, e isso pode ser o começo do fim para a substância nociva.

3. Continua a repercussão sobre uma professora agredida de forma covarde por um aluno, em Indaial, Santa Catarina. Ao invés de condenarem essa forma de desrespeito na escola, pois a autoridade do professor precisa ser preservada, como pessoa encarregada de transmitir conhecimentos aos estudantes, membros de redes sociais passaram a malhar a vítima apenas porque ela era simpatizante do PT, o partido que tantos estragos fez no país quando esteve no poder. Marco Feliciano fez um vídeo praticamente condenando a professora, e não o agressor, envolvido em drogas e outros problemas disciplinares. O pastor, neste episódio, merece o selo. E todos os que transformaram este caso de violência em luta política, de forma deturpada.

4. Por falar em PT, o líder do partido, Lula, fez mais um discurso, enquanto a Justiça não o condena por corrupção. Ele falou contra o parlamentarismo, sistema político adotado nos países mais avançados, acusando-o de ser um instrumento para manterem os políticos no poder. Ainda por cima, insinuou que o povo errou ao eleger os atuais deputados e senadores em 2014: "As pessoas foram para as urnas, e a urna pariu esse Congresso. Não dá para dizer que esse Congresso não presta porque ele é a cara da sociedade brasileira no dia da eleição. Quem planta vento colhe tempestade". Se os políticos fossem todos petistas, ele não teria essa opinião. Na verdade, ele, que sempre defendeu o presidencialismo e tem uma versão peculiar de democracia, bem que gostaria de estar no poder da mesma forma que Hugo Chavez e seu pupilo Nicolas Maduro, que não podem ser apontado como tendo desapego ao poder - e a Venezuela obviamente não é um parlamentarismo.

5. Os ilustres parlamentares também estão merecendo o selo por fazer uma aberração hedionda chamada de "reforma política", para transformar um sistema já péssimo em uma verdadeira monstruosidade: voto em lista fechada, fundo bilionário para financiar eleições, "distritão"... tudo porque existe o risco de haver outro perigo: o financiamento clandestino, via "caixa 2", vir a ser a regra nas campanhas de 2018. Na verdade, isso é consequência da falência do atual sistema político, e não há nada a curto prazo capaz de substituí-lo, e deixaram a degenerescência chegar a esse ponto, obrigando, pelas circunstâncias, a escolher entre esta solução tampão, que é abjeta, e deixar tudo como está, o que é ainda pior.

6. Temos um presidente sem popularidade e nem poder de convencimento à população que o elegeu (sim, ele foi eleito, como vice da Dilma) que defendeu o direito de "conversar na hora que achar mais oportuno e onde eu quiser". Isso certamente não incluiria o dono da JBS e nem o Rocha Loures, o "homem da mala". O presidente declarou isso no programa do Kenneth Alencar, do SBT. Entende-se que ele herdou um país com as contas devastadas e reverteu uma situação desesperançosa após o impeachment da titular, cujo governo foi uma calamidade, mas continua a abusar de velhas práticas e vícios políticos, e para alguém preocupado com a imagem da Presidência, a frase em destaque acima não foi uma declaração republicana. Portanto, Temer também aspira a receber o selo.

Está difícil dizer quem mais merece a honraria. Não dá para banalizar tudo e dizer que todos são igualmente merecedores, porque a amostra já é suficientemente grande para, na verdade, dizer que o Brasil é "vergonha mundial", e esta não é a ideia.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Dia de trabalho para a Justiça

Hoje a Justiça brasileira teve mais trabalho do que a média. Aqui uma lista resumida do que foi decidido: 

1. Fernando Collor passa a ser considerado réu por corrupção, pela Segunda Turma do STF. Houve unanimidade. 

2. Paulo Maluf tem recurso negado pela Primeira Turma do STF; ele responde por falsidade ideológica durante prestação de contas em sua campanha para deputado em 2010. Também todos os ministros envolvidos votaram contra ele. 

3. Valisney de Souza Oliveira, da Décima Vara de Brasília, torna o ex-ministro Geddel Vieira Lima réu sob a acusação de tentar obstruir a Justiça, dificultando a delação do corretor Lúcio Funaro. 

4. TJ-MG mantém condenação do ex-governador Eduardo Azeredo por chefiar o "mensalão tucano", durante seu governo (1995 a 1998). 

5. TSE mantém cassação do mandato do governador do Amazonas José Melo (Pros) e seu vice Henrique Oliveira (SD) por compra de votos, e assim o Estado vai fazer nova eleição no domingo.


N. do A.: Enquanto isso, na Câmara os deputados não conseguiram votar a tal "reforma política", por causa do "distritão". As votações continuarão amanhã. 

Quem foi Régis Bittencourt?

As rodovias de São Paulo, como todas as outras, homenageiam grandes - e contravertidas, às vezes - personalidades. Por aqui, políticos, militares, alguns esportistas como Ayrton Senna e, como não poderia deixar de ser, bandeirantes, foram homenageados para batizar importantes corredores por onde escoam produtos vindos de outras regiões, por caminhões - infelizmente o principal meio de transporte de cargas no Brasil, um país onde as ferrovias não receberam a devida importância.

Um fato curioso: a rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo (mas começa, na verdade, em Taboão da Serra, na divisa com a capital, como continuação da Avenida Professor Francisco Morato) a Curitiba, passando por Embu das Artes, Itapecerica da Serra e Registro.

A rodovia Régis Bittencourt, uma das mais importantes do Estado de São Paulo (divulgação)

Não existem biografias detalhadas sobre o nome, apenas informações segundo as quais Edmundo Régis Bittencourt era um engenheiro do século XX, ex-presidente do Departamento Nacional das Estradas de Rodagem (DNER). A rodovia foi inaugurada em 1961, mas não há informações se o engenheiro já houvesse falecido naquela data. Caso estivesse vivo, seria algo insólito, mesmo na época. Consta-se que ele se empenhou na construção da via para ligar a capital paulista com a paranaense. 

Num registro da Fundação Getúlio Vargas consta o nome do filho dele, Luís Edmundo Brígido Bittencourt, nascido em 1926 (clique AQUI para ver). Então supõe-se que Edmundo Régis teria nascido no início do século XX ou, mais provavelmente, no final do século XIX. 

O engenheiro em questão, cujo retrato é encontrado no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), inclusive em seu site (clique AQUI)

Os registros, portanto, são extremamente escassos para alguém com a honra de ter uma rodovia com seu nome. Até o semilendário bandeirante Anhanguera, aquele que enganou índios colocando fogo em aguardente dizendo que incendiava os rios, tem registros mais precisos. Realmente digno de estranheza, para alguém do século XX. 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O caso "Barata"

O ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE e membro do STF, havia participado do casamento de seu sobrinho com a filha do empresário Jacob Barata Filho, acusado de pagar propina a deputados do Rio de Janeiro e dono do grupo Guanabara de ônibus, além de sua mulher ser sócia de um escritório de advocacia que atua na defesa do empresário e outros acusados no mesmo esquema, investigado pela Operação Ponto Final do Ministério Público, e isso o torna não isento no caso. 

Existe, porém, ressalvas sobre o caso: os empresários do transporte público carioca ainda não foram definitivamente condenados, e podiam ser soltos a mando de qualquer outro membro do Supremo, não por Gilmar Mendes, por cumprirem prisão preventiva. 

Caberia ao Ministério Público, encarregado de provar a culpa dos empresários, reunir mais evidências e zelar para que ninguém tente destruí-las, para enviar ao Judiciário. Isso é possível com os acusados respondendo em liberdade (com a ressalva de serem proibidos de saírem do país). Em tese, assim não há desentendimentos entre o MP e a Justiça. Mas existem outros complicadores, como a interpretação da lei feita por juízes e advogados desse país. Precisa haver mais objetividade e coragem, para punir os culpados, absolver os inocentes e garantir o cumprimento das penas. Infelizmente, o meio está contaminado pelo corporativismo e pela influência dos poderosos. 

Não resta outra alternativa, porém, a não ser cumprir a lei. E ela ainda está do lado de Jacob Barata Filho e seus supostos comparsas, pois não há sentença definida pelo juiz Marcelo Bretas, encarregado de julgar as provas colhidas pela Operação Ponto Final. Por outro lado, pegou muito mal um ministro do STF com relações tão próximas em relação aos acusados ter concedido habeas-corpus a eles. Gilmar Mendes, assim como qualquer outro membro do STF, não pode ser contestado sem critérios fundamentados, mas acabou se transformando mais uma vez em uma Geni, aquela da canção feita pelo Chico Buarque, por aqueles que querem mudanças no Brasil, particularmente os mais afoitos e sonhadores. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Após a morte de Paulo Silvino

Paulo Silvino, o humorista popular e conhecido pelo personagem Severino ("Isso é uma bichona!", "Cara, crachá!"), faleceu ontem, de câncer. Fez parte de uma época onde o humor não tinha tanta preocupação com o "politicamente correto" e era baseado em bordões, compreensíveis por crianças e adultos. Hoje, um profissional do riso deve ser um tipo meio militante meio intelectual, e não abusar das piadas sobre negros, índios ou pobres (é possível fazer piadas de gays, desde que não sejam "umas bichonas"). 

Mal ele foi cremado, outra personalidade conhecida dos brasileiros também morreu, mas não foi um humano. O cavalo Baloubet du Rouet, conhecido nas Olimpíadas de 2000 e 2004 como a montaria de Rodrigo Pessoa, também deixou este mundo, aos 28 anos. Ele foi motivo de lamentações e gozações por ter refugado na última prova de hipismo em Sydney, fazendo a esperança do ouro perecer em 2000 - a delegação brasileira ficou sem nenhuma, tendo 6 pratas e 6 bronzes - mas ele se redimiu quatro anos depois, quando Rodrigo Pessoa ganhou o ouro em Atenas. 

Paulo Silvino foi lamentado no mundo da televisão (Divulgação/Rede Globo)
E o cavalo Baloubet du Rouet, no mundo esportivo (Jochen Loebke/AFP)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Outra vez?


Vítima do atentado em Las Ramblas (Barcelona) levada por socorristas (Rtve.es)

Mataram 13 pessoas inocentes por uma ação tresloucada de simpatizantes do grupo extremista islâmico Daesh, vulgo "Estado Islâmico", hoje, no local turístico de Las Ramblas, calçadão localizado em Barcelona, capital da província separatista da Catalunha (Espanha). Cerca de 100 pessoas estão feridas. 

Novamente registro por aqui um caso de terrorismo. Outro caso de atropelamento intencional na Europa. 

Já não bastam os crimes desse tipo cometidos em Nice (julho de 2016), Berlim (dezembro de 2016), Estocolmo (abril de 2017) e Londres (junho de 2017)?

Até quando iremos suportar esses ataques, causados por fanáticos ávidos de transformar regiões prósperas em lugares banhados de sangue, em nome de uma visão errada e deturpada de Alá, como eles chamam o mesmo Deus dos israelitas e dos cristãos?

Como vamos proteger vidas de cidadãos indefesos do terror e ao mesmo tempo preservar as liberdades individuais, ameaçadas por conta de pessoas que vêem na democracia e na liberdade religiosa uma blasfêmia?

Por que os governos e os formadores de opinião dos países mais avançados insistem em subestimar os perigos de grupos fanáticos quando eles são aparentemente derrotados, como acontece agora nas regiões onde o Daesh queria instalar o seu califado obscurantista? 

Quais as intenções desse grupo criminoso em atacar mais um alvo ocidental, numa região em busca da independência em relação à Espanha? Queriam acirrar os ânimos entre catalães e espanhois? Não seriam tão primários, porque se a intenção fosse essa, fracassaram redondamente: o governo espanhol mandou condolências e apoio aos catalães, em solidariedade às vítimas. 

Onde mais eles poderão atacar?

Quem será o próximo a morrer por conta desses assassinos?

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Consequência da "reforma política"

Numa época de acontecimentos estranhos no Brasil (e também no mundo, com destaque para os despautérios de Donald Trump em conjunto com os tiranos Nicolas Maduro e Kim Jong-un), o presidente do PMDB Romero Jucá anunciou mais uma pérola: vai convencer seus correligionários a retirar o "P" da legenda. Ou seja, o maior e mais heterodoxo partido do Brasil vai voltar a ser conhecido como MDB. 

É mais fácil de acreditar na história envolvendo o "jovem do Acre" (também conhecido pelas más línguas como "maluco do Acre", porque "menino" não é, mas não estamos tratando dele nesta postagem) do que nessa "mudança", até porque querem fazer crer na mítica em torno do MDB. 

Há diferenças notáveis: não há mais lideranças fortes e marcantes como Ulysses Guimarães, conhecido como o "Sr. Diretas" em 1984 e o "Sr. Constituição" em 1988. Além disso, o partido fazia o papel de "oposição" nos tempos do bipartidarismo, mas na verdade era o partido do "sim", enquanto o outro, o de "situação", a Arena, era o partido do "sim, senhor". Agora o virtual futuro MDB é o partido do governo, do qual nunca saiu desde a redemocratização (1985). 

Este parece um desdobramento da "reforma política" a ser aprovada para 2018.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Da série 'Oitentolatria', parte 26

Alguns fabricantes estão aproveitando a onda de nostalgia e relançando produtos como toca-discos e celulares "tijolos", também conhecidos como featurephones, cujo maior atrativo é oferecer o jogo da cobrinha. Essas velharias tecnológicas foram comentadas antes neste blog

O próximo da lista é o "Pense Bem", o minicomputador produzido na Tec Toy no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Como no original, ele terá dez jogos armazenados na memória e 150 perguntas e respostas. Não há concessões à modernidade: nada de saídas USB nem para cartão de memória. Vai ser como foi lançado há quase trinta anos atrás. 
Quem quer comprar essa relíquia da 'década perdida'? (Divulgação/Tec Toy)

Nostálgicos terão que pensar muito bem antes de comprar, porque o brinquedo vai custar R$ 299,00. É caro demais, considerando o custo de produção. Parece que querem reproduzir até a dificuldade de aquisição como naquela época, quando esta máquina do passado era apresentada como se fosse "futurista", em tempo de preços enlouquecidos pela hiperinflação.

Ainda por cima, querem relançar o Mega Drive, videogame dos anos 90. Mas isso já é assunto para a série "Noventolatria". 

Abaixo, um vídeo do Youtube com o comercial do brinquedinho, em 1989: 


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Adiaram a definição sobre a meta fiscal

O governo adiou novamente a divulgação da nova meta fiscal, mas ela vai ser bem maior do que o já elevado déficit de R$ 139 bilhões. Fala-se em R$ 20 bilhões a mais, ou até mais. 

Será duro para os ilustres membros do atual governo tentarem convencer a sociedade de que eles não estão fazendo "pedaladas fiscais", como Dilma fez sistematicamente em seu governo. Serão ainda menos convincentes em tentar manter uma aura de austeridade, pois eles até agora se mostraram complacentes com a gastança desenfreada, as cabides de emprego, o desperdício de verbas, os super-salários, os privilégios dos quais os nobres representantes do povo, nos Três Poderes e no Ministério Público, não querem abrir mão. 

Existe também uma outra questão: outros postulantes ao cargo máximo do Brasil teriam maior ou mesmo igual preocupação com as contas públicas? Metas são particularmente difíceis de serem obedecidas, ainda mais num país viciado em privilégios e em pensar que o NOSSO DINHEIRO é só deles, e não dos verdadeiros donos: o povo. 

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Caso Bruno Borges: o desfecho

Bruno Borges, jovem do Acre que apareceu após sumir desde 27 de março último, passou a ser um dos assuntos mais comentados da Internet. 

Estudante de psicologia, ele se considerava a reencarnação de Giordano Bruno (1548-1600), o reformador queimado na fogueira da Inquisição, e dizia receber mensagens dos extraterrestres. 

Existem histórias sobre uma suposta abdução pelos ET's durante o tempo que ele passou desaparecido. Outras dizem que Borges sofre de algum transtorno mental. Ou então se tratava de uma peregrinação em local desconhecido para poder escrever novos livros: o "menino do Acre" escreveu 14 livros. Apenas um deles foi publicado no mês passado e se tornou best-seller

Um dos aspectos mais curiosos é o fato de haver, no quarto dele, uma estátua do filósofo e mártir do Renascimento, avaliada em R$ 7 mil. 

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Acre, Carlos Flávio Portela, o sumiço do rapaz foi um "ato voluntário", e o inquérito sobre o caso já foi concluído. Falta extrair os depoimentos dele para esclarecer os motivos. 

Bruno Borges, que voltou após meses desaparecido, poderá vir a ser objeto de estudo não dos extraterrestres, mas dos psicólogos, e virar tema de filme (Divulgação)



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Reforma política dos sonhos

Dos sonhos daqueles que querem transformar o Brasil num Bananistão ou numa colossal espelunca.  

Querem limitar os mandatos dos ministros do STF para 10 anos, quando nos Estados Unidos o ministro cumpre seu cargo até a morte. 

Querem implantar o Distritão, sonho dos asseclas de Eduardo Cunha, algo só existente em países pequenos como Vanuatu e no Afeganistão. Tornar cada município ou Estado como um imenso distrito acaba favorecendo um candidato conhecido e com recursos de determinado lugar em detrimento de alguém disposto a realmente melhorar a vida de outro lugar mais carente, porém sem a mesma fama. 

Querem um fundo partidário de R$ 3,6 bilhões (0,5% da receita corrente líquida entre julho de 2016 e junho de 2017) para financiamento de campanha, já que proibiram as empresas de darem dinheiro aos candidatos. Mas era um dilema dos grandes, porque era isso ou o aumento na quantidade de doações clandestinas, vulgo caixa 2. Parece aquela do condenado a morte que escolhe ser enforcado ou fuzilado.

Querem, aliás, queriam extinguir o cargo de vice-presidente, tornando o Brasil um país extravagante, pois qualquer república presidencialista possui vices. Por que não implantar logo o parlamentarismo, como nas repúblicas mais avançadas? Este item acabou abortado.

Se isso pode ser considerado uma reforma, parece algo como transformar uma favela num lixão. Mas calma lá: vai valer apenas para a eleição de 2018. Segundo os nobres parlamentares, em 2022 será diferente, com o sistema com voto distrital misto e um fundo partidário menor. Aguentaremos até lá?

Enquanto isso, as redes sociais não falam em novas manifestações e ainda não houve "panelaços" a cada pronunciamento dos políticos. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Neymar lembrado

Neymar fez questão de ser lembrado para o mundo. 

Não é por causa do xeque Nasser al-Khalaifi e muito menos de Joseph Maria Bartomeu, o presidente do Barcelona (muito pelo contrário, ele fez questão de fazer críticas severas ao comportamento do jogador brasileiro). 

O autor foi bem outro, e não tem muito a ver com o futebol: é o famoso jornal Charlie Hebdo, aquele das sátiras mordazes e dos cartunistas assassinados por radicais islâmicos.


Nem o Lula ou o Pelé receberam essa "honra". entre as personalidades brasileiras. 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Enquete do dia

Daqui a vinte anos, a América do Sul será um continente: 

a) União das Repúblicas Socialistas Bolivarianas, chefiadas por Nicolas Maduro ou um dos filhos dele; 

b) Governado por corruptos ligados ao narcotráfico, ou às milícias que impõem o terror, ou a ambos. 

c) A mesma porcaria de agora, só mais populosa e miserável. 

d) Devastado e dominado pelos Estados Unidos, com algumas áreas usadas como presídio ou como imensas propriedades sob domínio de grandes corporações ou do governo americano. 

e) Nenhuma das respostas acima. Será um lugar melhor para se viver, pronto para se desenvolver de forma mais justa e combatendo mais efetivamente a violência, a miséria, o narcotráfico e a ignorância do povo. (Infelizmente, esta parece ser a alternativa menos provável no momento). 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Finalmente vai sair o parque

A região da Casa Verde poderá receber em breve uma opção de lazer com a transformação de aproximadamente 20% do Campo de Marte em um parque municipal. 

No terreno, já existe um pequeno vestígio da antiga Mata Atlântica, além de terrenos usados como várzea para clubes de futebol, cujo futuro parece incerto, mas espera-se que possam ser preservados, ao menos parcialmente. Um museu aeroespacial está em fase de projeto. 

É a parte mais perto da Casa Verde, embora todo o Campo de Marte esteja no distrito de Santana. É vizinho do Sambódromo, como se pode ver no mapa: 

Possível localização do futuro parque (Divulgação/Bruno Viterbo/Jornal SP Norte)

Não ficará apenas isso: no futuro, todo o Campo de Marte será desativado, para se tornar um centro de lazer. O desafio é administrar o terreno para não se tornar um alvo de invasões, como muitas vezes costuma ocorrer no país. 

Outras consequências poderão ocorrer, como a valorização do entorno, embora isso não signifique um desenvolvimento automático. O fato de ser próximo ao Centro, contudo, é uma vantagem. Outros locais com parques continuam a ter um índice de desenvolvimento muito abaixo do desejado, como o Anhanguera, também na Zona Norte, mas muito longe, próximo a Caieiras e Cajamar; ou o Parque Raposo Tavares, em área mais urbanizada na Zona Oeste, mas também afastado e com infra-estrutura deficiente. Por outro lado, existem casos de êxito, como o Parque do Povo, no Itaim Bibi, construído em meio a uma região com grande demanda imobiliária, e que sofreu pressão para se transformar em mais uma área residencial, para se tornar uma área de lazer e preservação, em região nobre da cidade. 

É necessário acompanhar os trâmites na Justiça, pois o STF ainda vai julgar o caso. Após vários anos motivo de disputa entre a União e a Prefeitura, somente em 2015 o STJ decidiu favoravelmente a esta última. Este é um dos casos que remetem à Revolução de 1932, quando a área era do Estado e foi federalizada, após a derrota dos paulistas pelas forças de Geúlio Vargas. Mais tarde, virou o famoso aeroporto, agora relativamente pouco utilizado, e base da Infraero.