quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Terremotos e guerras - a humanidade continua a sangrar

Hoje tivemos mais uma série de terremotos devastadores, na Itália central, próximo a cidades importantes como Perugia e Roma. Terremotos recentes atingiram regiões próximas, e também causaram mortes. Em 2009, na região de L'Aquila, mais ao sul, 300 pessoas morreram em decorrência de um tremor de 6,3 graus na escala Richter. Depois, em maio de 2012, uma série de tremores entre 5,6 e 5,8 graus Richter sacudiram a região da Emilia-Romagna, mais ao norte, matando 21 pessoas e desalojando centenas de outras. Dos tremores de hoje, o mais forte foi de 6,2 graus Richter, matando 159 pessoas até agora, principalmente em Amatrice, na região do Lácio, a mesma de Roma. O número de mortes é elevado porque, apesar de não serem tão intensos quanto os grandes terremotos que atingem a Ásia, acontecem mais perto da superfície, cerca de 10 km abaixo. Não há registro de brasileiros entre as vítimas. 


O cenário em Amatrice, centro da Itália, é apocalíptico (Massimo Percossi/ANSA)

Enquanto isso, outro tremor, mais forte - 6,8 graus na escala Richter - atingiu Myanmar, um país bem mais pobre, no sudeste asiático. Por ter acontecido em uma profundidade maior, 84 km, não causou tantas vítimas. Registram-se "apenas" quatro, mas os prejuízos materiais foram grandes, pois dezenas de templos na região de Bagan, centro do país, desmoronaram ou sofreram danos. O tremor foi sentido na Tailândia e em Bangladesh, países vizinhos. 

Pior é noticiar catástrofes provocadas pelo homem, e não pela natureza. Uma destas catástrofes é a guerra síria, mantida pelos opositores ao tirano Bashar al-Assad e pelos terroristas do Daesh, mais conhecido como "Estado Islâmico", que quer criar um enorme califado. Hoje, a situação ganhou um novo capítulo. 

Apoiada pelo Ocidente, a Turquia, governada pelo semi-ditador Tayyip Erdogan, resolveu intervir, em resposta aos atentados recentes provocados pelos terroristas. Dias após uma criança-bomba detonar um explosivo que matou 54 pessoas durante festa de casamento em Gaziantep, perto da fronteira com a Síria, o exército turco mandou invadir o território ocupado pelos extremistas na Síria. Outra missão, além de atacar os terroristas responsáveis por sequestros, decapitações e crucificações de xiitas, cristãos e todos os que não pensam como eles, é bombardear posições do PKK, a guerrilha curda que tenta estabelecer um Estado no leste da Turquia, e impedir que os curdos ocupem regiões a oeste do Rio Eufrates. A iniciativa deixou furiosos tanto os combatentes curdos que atuam ativamente contra os jihadistas e temem ataques contra seus pares e inclusive contra civis de sua etnia, quanto o governo sírio, acusando Ancara de invadir território alheio para colocar terroristas aliados no lugar do Daesh. Recentemente, porém, a Turquia havia concordado em aceitar Assad como parte da transição no governo sírio, refletindo uma maior aproximação com a Rússia, aliada do carniceiro de Damasco.

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